terça-feira, 4 de dezembro de 2012

RESIDÊNCIA (ARTÍSTICA)






(Respostas completas às perguntas que a jornalista do Correio da Manhã me colocou.)




Porquê uma peça sobre a cena hipster?
Não posso afirmar que o espectáculo "Residência (Artística)" seja "sobre" a cena hipster. As premissas do projecto estão mais próximas de alguns lugares-comuns caros ao universo das artes performativas, nomeadamente aqueles que revelam/denunciam algumas das fragilidades dos processos colectivos de criação/co-criação. A ser "sobre" alguma coisa, o espectáculo é sobre ensaios, espaços de trabalho, direcção/encenação, esquemas de produção, análise de documentos, reuniões, avanços e recuos, erros e falhas, e vontades de desistir. Acima de tudo, o espectáculo é sobre esse cliché da contemporaneidade performativa que são as "residências artísticas", espaços onde os conceitos de ócio e negócio sobrevivem em constante tensão dialéctica, e onde grupos de artistas/criadores se convencem que estão a "criar" num espaço com características supostamente distintas do seu habitat natural de trabalho. Hoje em dia, o "estar em residência artística" é tão comum que passou a ser o habitat natural de criação do artista, e já não uma excepção exótica qualquer... O espectáculo que fiz com um grupo de 6 actores (totalmente criado/produzido "em residência artística") é justamente sobre esse espaço transitório onde se "reside", com o objectivo de se concretizar algo que seja do regime do "artístico", e onde o tempo se torna mais elástico (e lento) porque os corpos resistem à ideia de rotina. Um mês em residência bastou para percebermos que estávamos a trabalhar em cima de um conceito (mais ou menos operativo) ao qual chamámos "preguiça" — tratando-se daquilo que não se espera de nenhum artista, achámos que estávamos no bom caminho! A cena hipster surgiu posteriormente, quando precisámos de fabricar uma imagem que promovesse não só o espectáculo, mas sobretudo essa ideia de "preguiça residente", ao mesmo tempo estética e política: tal como os hipsters, queríamos desenvolver uma qualquer arrogância cínica, demitindo-nos de tudo (inclusive do próprio espectáculo), para então podemos apresentar a Preguiça como o "novo avant-garde", um estilo a adoptar se quisermos ser pessoas interessantes. Sabendo ser fácil "mimar" o estilo hipster (ou pelo menos os clichés que sobre ele abundam nas redes sociais), tratou-se apenas de colar uma imagem aos corpos dos 6 actores e fotografar, sem qualquer ligação (pelo menos imediata) com o que de facto iria acontecer em palco.


Considera que há hipsters (ou traços desta sub-cultura) em Portugal?
Não acho que o "hipster" seja uma sub-cultura, nem tão pouco um movimento. Na verdade, acho que os hipsters não existem; são um mito da Internet! Mas também posso dizer que "hipsters" sempre existiram, em todas as épocas e em todas as culturas, o que vai dar praticamente ao mesmo. O pseudo-movimento interessa-me justamente por isso, por ser mais uma condição dos tempos modernos e não uma corrente ou um manifesto underground com limites espácio-temporais definidos; é um filho directo do monopólio da virtualidade e da tele-comunicação sobre a "realidade", e isso foi um perfeito subterfúgio conceptual para o que queria tratar no espectáculo. Em Portugal existem muitas pessoas que se parecem com hipsters (ou seja, com a caricatura de hipster que aparece nos sites humorísticos, também eles muito hipster...), mas acho que aqui a máxima do "se se parece com um pato, se nada como um pato, logo é um pato" não funciona... Acho que o charme do hipster está justamente em nunca se saber se é ou não. Até porque nunca é.



Como caracterizaria este movimento?
A ser um "movimento", então é o movimento mais oco e preguiçoso de que há memória. Anula-se a si próprio a partir do exacto instante em que se afirma e se auto-denomina. O típico "hipster" é aquele indivíduo que não se preocupa minimamente em aprofundar as bandeiras que escolhe drapear (seja o veganismo, seja o noise japonês, sejam as focas em perigo no Canadá, seja o walkie talkie que é agora o novo discman), desde que se faça um desenho (meramente formal) que remeta vagamente para uma série de outros movimentos "marginais" do passado (beats, hippies, grunges, punks, etc.). É preguiçoso porque não precisa de pensar muito, nem de plasmar no papel um programa político-social, nem de partir vidros de montras, nem de organizar Woodstocks. Basta ter uma ligação à Internet. Esta preguiça, que é só conceptual (na forma, o "look" hipster pode ser bastante sofisticado...), era tudo o que eu precisava para criar uma solidez (mesmo que meramente decorativa) para a imagem da peça. A título de exemplo: uma das acções mais recorrentes do espectáculo é a documentação, em fotografia, e em tempo real, do próprio espectáculo: não está a acontecer rigorosamente nada, mas eu vou fotografar na mesma para partilhar com os meus amigos no Tumblr. Queria um espectáculo tão vazio e ao mesmo tempo tão folcloricamente ridicularizável quanto o "movimento hipster". Ou seja, fiz um espectáculo que todos os hipsters amaram odiar.


Quais foram as suas inspirações (desde as mais pequenas às mais relevantes) – desde música, cinema, …
Todas as escolhas foram óbvias. Mesmo que "óbvio" não seja necessariamente sinónimo de "preguiçoso". Mas queríamos referências reconhecíveis, da performance art ao cinema experimental. Tudo cenas que os hipsters amam amar. Vimos imensos trabalhos do Andy Warhol & amigos, pessoal que orbitava em redor da Factory só porque sim, ou então porque se arranjava droga facilmente; pessoas que partilhavam a mesma e total ausência de sentido para a Vida e para o Mundo. E que se suicidavam aos 30 quase que acidentalmente. Imagens da trilogia "Flesh/Heat/Trash", de Paul Morrissey chegam mesmo a aparecer no espectáculo. Vimos tudo o que havia para ver do John Waters, e daí para baixo foi sempre a descer pelas facetas mais podres e decadentes do ser humano, até batermos no fundo. "Bater no fundo" também fazia parte das premissas. Paralelamente, fazíamos muitas festas dionisíacas ao som da Banda Uó, um trio brasileiro que "hipsterizou" o tecnobrega e o transformou numa caricatura do que é que significa ser suburbanamente "fixe". Nós cá não temos nada que se pareça com tecnobrega, mas ainda assim decidimos pegar na "música pimba" (a realidade musical mais próxima) e pedimos ao Peter Shuy que a "hipsterizasse", criando um novo estilo musical: o "electropimba". Isto não quer dizer mais nada a não ser a facilidade com que hoje em dia se criam "trends" só porque se tem um Macintosh com uns programinhas user-friendly lá dentro. E "Residência (Artística)" queria muito ser um espectáculo assim: sedutoramente fácil, vazio e "fixe".



O que foi mais difícil em todo o processo?
Foi tudo muito fácil. Faz parte do ADN da espécie humana entregar-se de corpo e alma (mais de corpo que de alma) ao 'dolce far niente'.



Quantos actores tinha a peça e de que forma os conseguiu envolver no tema?
Seis actores. Todos eles muito "fixes" na sua maneira de ser enquanto pessoas (logo, enquanto actores). E todos eles incrivelmente preguiçosos. Apesar de ter graus de proximidade diferentes em relação a cada um deles (alguns já tinham trabalhado comigo antes, outros não), a resposta à proposta foi muito pacífica.


Quanto tempo de ensaios tiveram?
Um mês.



Quando estreou a peça pela primeira vez?
Estreou no dia 27 de Março de 2012 no Teatro-Cine de Torres Vedras. 





quinta-feira, 6 de setembro de 2012

#3. TERCEIRA VIA™

Um tutorial, um disco externo, uma retrospetiva, um dogma 2012, um caderno de notas, um projeto site-specific, uma declaração de amor, um coletivo de artistas, uma mesa redonda, uma residência artística, um espaço devoluto, uma associação cultural, uma loja vintage, um clássico contemporâneo, uma música original, uma e-zine, um workshop, uma festa temática, um jantar performativo, um teatro político, uma arte urbana, um blog de tendências, uma viagem espiritual, um gender study, uma mixtape, uma rede cultural, um grupo de pressão, uma edição de autor.

Ou seja, tudo o que é mau.






Após "Residência (Artística)" e "Realpolitik", "Terceira Via™" fecha a trilogia "Universidade" (Ano Zero). Brevemente, num não-lugar qualquer (longe de si).




sexta-feira, 6 de julho de 2012

LO-FI -SOPHY

REALPOLITIK
UMA CORPORAÇÃO PÓS-HUMANA AO SERVIÇO DO AVANÇO
DA BIOQUÍMICA MEDICINAL, DO TRANSPORTE AEROESPACIAL,
DO ENTRETENIMENTO META-TRÓPICO E DA ENGENHARIA MEGALOFÍSICA.







PARTE 1 — EMBARQUE

“Cinema is the ultimate pervert art. It doesn’t give you what you desire — it tells you how to desire.” [Slavoj Žižek]

Bem-vindo! Obrigado por ter escolhido a Realpolitik Inc. para o seu embarque no Novo Mundo. Antes de iniciarmos o Oscilador Harmónico, pedíamos que confirmasse que não tem em seu poder quaisquer objetos do Velho Mundo; eles serão completamente inúteis à construção do regime pós-humano. Todo e qualquer objeto deverá ser colocado no desfibrilhador quântico para ser automaticamente desintegrado. Tome algum tempo para consultar o Libreto de Embarque; vai reparar que ele está recheado de informações preciosas que o ajudarão a melhor compreender as ações pós-dramáticas da nossa tripulação; assim, em caso de dúvida, saberá o que pensar. O seu código genético está escrito nas costas da cadeira para, em caso de turbulência quântica, conseguir voltar a encontrar o seu lugar. Faz parte da política de segurança da Realpolitik, Inc. que os pré-cyborgs permaneçam conectados à nossa malha quântica durante toda a viagem purgatória. No caso de uma descompressão de emergência, retire cuidadosamente os elétrodos sofismais do seu corpo. No caso de uma perturbação amniótica disruptiva, as costas da sua cadeira poderão deslocar-se para trás, transformando-se em divã. Basta pressionar o botão F, e um holograma de Sigmund Freud estará pronto para o ajudar a recomprimir. Se o seu regime psikê for lacaniano, basta pressionar o botão vermelho, ou então, simplesmente, esfregar a lamparina cósmica para libertar o Génio. Durante os blackouts, coloque as mãos sobre a zona occipital da sua cabeça para libertar a endorfina somática, de maneira a fazê-lo sonhar com espetáculos do Velho Mundo. Se sentir que duas ações pós-dramáticas se sobrepõem, uma ubiquidade de fibra ótica cairá imediatamente à frente dos seus olhos, de maneira a fazê-lo ver as duas ações ao mesmo tempo. Se reparar que o espécime humano ao seu lado não possui um mestrado em Cultura Contemporânea, faça questão de o ajudar a compreender a incoerência pós-dramática de uma ação antes de visualizar a seguinte. Em matéria de pontos de fuga às ações principais, irá notar que nos interstícios aeroespaciais que intermedeiam os lugares existem inúmeras saídas de emergência para o Real ficcionado. Olhe à sua volta: uma câmara de videovigilância pode estar mesmo atrás de si! A Realpolitik Inc. só permite drogas nootrópicas a bordo. A ingestão de toda e qualquer substância alienante produzida no Velho Mundo é estritamente proibida dentro da Arca. Queira também aceitar a nossa prorrogativa que impede todo e qualquer tipo de comportamento nostálgico e/ou saudosista em relação ao Velho Mundo, para não interferir com a nossa missão colonizadora. Agora que já está inteirado da Deontologia Realpolítika, sente-se confortavelmente, relaxe, e seja um agente passivo! Em nome da Realpolitik Inc., desejamos-lhe uma agradável transição.




PARTE 2 — ONTOTECNOLOGIA

Em Ciência, significa diplomacia não ideológica, política coerciva, filosofia maquiavélica, sobrevivência a-moral. Em Teatro, significa demagogia triplamente realista, ou seja, re-re-re-realismo, também conhecido por Realismo Gago: nem diz ‘sim’, nem diz ‘não’, mas também não diz ‘talvez’. Reticente... Por uma questão de sobrevivência, Realpolitik encosta-se perigosamente a dois dos conceitos mais non grati da contemporaneidade: a VERDADE como ato revolucionário (que roubámos a Orwell) e a GENERALIZAÇÃO como atividade primeira do pensamento (que roubámos a Hegel). Em modo cartoon: “The art of bowing to East without mooning to West” (que roubámos à Pátria Finlandesa).

SÍNTESE: Realpolitik não está na realidade. É realidade. Ao mesmo tempo paralela e perpendicular à que já conhecemos. Ou seja, Realpolitik é um sistema “triangulado”, ideologicamente “acima” e “entre” a clássica posição binária. Não tem nada a ver com a construção de uma filosofia “centrista”, mas antes com uma atitude analítica que reconcilia a dualidade, sem no entanto propor um compromisso. Ou seja, Realpolitik é realidade, mas é “realidade terceira”: perversa, finlandizada, anti-social, anti-neo-liberal e anti-anti-Kapital. Contemplatio mortis apocalyptica.

PARTE 3 — HERMENÊUTICA (BÍBLICA)

TESE: Uma das traves mestras mais importantes da filosofia Realpolitik tem o seguinte nome: “simultaneologia”. Ou seja, a ideologia do que acontece agora, já, em tempo real, e ao mesmo tempo. Também pode significar tudo aquilo que acontece durante, entretanto e enquanto. Não confundir, porém, “simultaneologia” com “simultaneidade”. Estamos a falar de ética, não de estética. E a ética “realpolítica” diz que tudo o que não está a acontecer agora, não existe. Cum hoc ergo propter hoc.

ANTÍTESE: Realpolitik é uma corporação. Pós-humana e imaterial. Uma nuvem. Nela se condensa tudo aquilo que já aconteceu e tudo aquilo que vai acontecer. Porque é desprovida dos erros associados ao destino biológico, a Realpolitik apresenta-se enquanto entidade cyborguiana em permanente curto-circuito lógico: revê infinitamente e friamente as milhares de hipóteses de futuros e de passados possíveis. Post hoc ergo propter hoc.







PARTE 4 — GÉNESIS

Um espetáculo de teatro, ou seja, um vídeo-jogo, uma série de Ficção (científica) com 7 temporadas de 32 episódios cada, um filme de Hollywood sobre o Apocalipse, uma aplicação para o iPhone sobre a política (Real) da sobre-vivência. Um serviço ao serviço dos poderosos: só se salva quem pode. Uma corporação pós-humana para a mutação da teoria das cordas em teoria dos sopros. Como se o Fim do Mundo “as we (don’t) know it” implicasse um novo Adão e uma nova Eva, em estado gasoso, em molecular, em design. DAsein. Realpolitik é também um medicamento transgenérico e psicotrópico, a tomar antes do Embarque, contra enjoos quânticos e outras confusões comuns entre Arte e desporto. Realpolitik está assim para as indústrias criativas como os nocebos estão para a farmacologia: só provoca os efeitos secundários (os óculos 27-D são oferecidos pela produção). Do Outro Lado, seremos todos Anjos. Em Português,  significa ‘erradicação da espécie’. Em código numérico: ‘2012’.



PARTE 5 — ÊXODO

META-TESE: O Novo Mundo para o qual transitaremos com a ajuda da Realpolitik, Inc. não é uma utopia, mas também não é uma distopia; por conseguinte, também não será uma mistura das duas: nem um status quo, nem um state of the arts, nem uma strings theory aplicada à arte. O Novo Mundo pós-Apocalipse será “protópico” — exatamente igual ao Velho, apenas com uma ligeira diferença (infinitesimal) de foco. Cum hoc ergo cum hoc.



PARTE 6 — DESEMBARQUE

Morreram durante a construção da Arca os seguintes espécimes pré-humanos (a quem a Realpolitik, Inc. agradece):

Rogério Nuno Costa | encenação/texto/espaço cénico.
Roger Madureira | assistência de encenação.
Nilce Vicente Carvalho | no papel de Híbrido NVC-AF ’83 Ctx.
João Ferreira Silva | no papel de Híbrido JFS-WB ’88 Co.
Pedro Fernandes | no papel de Híbrido PF-PB ’84 Pt.
Vanessa Teixeira | no papel de Híbrido VT-OD ’89 VRl.
João Viegas | no papel de Grande Outro.
Patrícia Antunes | no papel de Segunda-Feira, 1.º Observador.
Fábio Martins | no papel de Terça-Feira, 2.º Observador.
Guilherme Pompeu | no papel de Quarta-Feira, 3.º Observador.
Anabela Ribeiro | no papel de Quinta-Feira, 4.º Observador.
Paula Gaitas | no papel de Sexta-Feira, 5.º Observador.
João Nemo | no papel de Sábado, 6.º Observador.
Liliane Guerrano papel de Domingo, Observador Psíquico.
Rogério Nuno Costa | no papel de Slavoj Žižek.
Paula Gaitas | desenho e operação de luz.
Leandro Silva | vídeo promocional.
Roger & Roger Inc. | grafismo, art work & vídeo-jogos.
Cátia Manso & Liliane Guerra | cabelos/make-up/vestuário).
Anabela Ribeiro/Cátia Manso/Nilce V. Carvalho/Patrícia Antunes | prod. executiva.
CITAC 2012produção.



Financiou a Arca e toda a investigação megalophysica:
Fundação Calouste Gulbenkian.


Contribuíram logisticamente para a exterminação da raça:
Câmara Municipal de Coimbra, Persona Non Grata, Máfia, SASUC, Casa da Cultura, TAGV, Estrutura, Grupo de Teatro da Nova, A Escola da Noite, Orfeon Académico de Coimbra, TEUC, TAUC, AAC, RUC, TVAAC.



Honoris causas (catedráticos do empreendimento colonizador):
Cátia Pinheiro, José Nunes, Mariana Tengner Barros, Mickael Oliveira, Nuno Miguel, André Santos, Marta Coelho, David Bernardes, Diana Coelho, Tânia Figueiras Ribeiro, Peter Shuy, Emmanuel Veloso, Pedro Penim, Gil Mac, Isabel Ramos, Helena Teixeira, Leandro Monteiro, Maria Luísa Pinto da Costa, Rui Cardoso, Marcelo Laguna.


Mais:


quinta-feira, 10 de maio de 2012

#2. REALPOLITIK




PROTO-TEASER

Um espetáculo de teatro, ou seja, um vídeo-jogo, uma série de Ficção (científica) com 7 temporadas de 32 episódios cada, um filme de Hollywood sobre o Apocalipse, uma aplicação para o iPhone sobre a política (Real) da sobre-vivência. Um serviço ao serviço dos poderosos: só se salva quem pode. Uma corporação pós-humana para a mutação da teoria das cordas em teoria dos sopros. Como se o Fim do Mundo “as we (don’t) know it” implicasse um novo Adão e uma nova Eva, em estado gasoso, em molecular, em design. Dasein. “Realpolitik” é também um medicamento transgenérico e psicotrópico, a tomar antes do Embarque, contra enjoos quânticos e outras confusões comuns entre Arte e desporto. “Realpolitik” está assim para as indústrias criativas como os nocebos estão para a farmacologia: só provoca os efeitos secundários (os óculos 27-D são oferecidos pela produção). Do Outro Lado, seremos todos Anjos. Em Português,  significa ‘erradicação da espécie’. Em código numérico: ‘2012’.


Texto & Encenação: Rogério Nuno Costa. Assistência de Encenação: Roger Madureira. Interpretação & Co-criação: João Ferreira da Silva, Nilce Vicente Carvalho, Pedro Fernandes, Vanessa Teixeira. Participação Especial: João Viegas. Música: Peter Shuy. Desenho & Operação de Luz: Paula Gaitas. Vídeo-promo: Leandro Silva. Movimento & Coreografia: David dos Santos. Cabelos & Maquilhagem: Cátia Manso. Design: Roger & Roger, Inc. Produção Executiva: Anabela Ribeiro, Cátia Manso, Nilce Vicente Carvalho, Patrícia Antunes. Produção: CITAC 2012. Financiamento: Fundação Calouste Gulbenkian. Apoios: Câmara Municipal de Coimbra, Persona Non Grata, Máfia, SASUC, Casa da Cultura, TAGV.


EMBARQUE:
7 a 14 de Junho de 2012
Teatro-Estúdio do CITAC, Coimbra


quarta-feira, 14 de março de 2012

#1. RESIDÊNCIA (ARTÍSTICA)




Sobre um espaço onde se habita temporariamente. Sobre a angústia de ter que preencher esse espaço com momentos significativos. Sobre a vontade de não fazer nada. Sobre o síndrome de Bartleby aplicado à vida (não à arte). Sobre a preguiça como novo avant-garde.


“Residência (Artística)” começou numa "residência artística" (primeiro em Torres Vedras, depois em Montemor-o-Novo, durante todo o mês de Fevereiro de 2012); como nada mudou desde então, então a "residência artística" subiu à categoria de título. Só pusemos o "artístico" entre parêntesis pois sabemos que nem sempre a qualidade apocalíptica de um EPIC FAIL é tida em consideração por mentes menos bravas. Queremos muito que este espetáculo seja o pior de 2012. Queremos muito que este espetáculo seja o fim do Mundo as we know it e das nossas carreiras as we want them to be. "Residência (Artística)" é por isso um encontro insólito (porque real) entre a vontade de fazer o/um espetáculo e a vontade de não o fazer (ou de fazer “nada”), entre a gratuitidade do gesto inconsequente e a obsessão pela busca de sentidos (logo, de “consequências”), entre a nostalgia de um século XX que nos deu a pior herança artística de sempre (‘Be Yourself!’) e a vontade de já só existirmos na forma/força imaterial de inteligência cyborguiana. "Residência (Artística)" é uma apologia ‘hipsterizada’ da banalidade e representa a nossa fé inconsolável numa atitude que queremos est(eticamente) criminosa e politicamente demissionária: estamo-nos mesmo a cagar para o Mundo. E isto não é retórica, é Amor. Ou então a arte de reconhecer que o copo nem está meio cheio nem está meio vazio; é só um copo com água.


Estreia:

27 de Março de 2012, 21:30
Teatro-Cine de Torres Vedras


Simultaneamente à apresentação do espetáculo, será realizado no mesmo espaço um workshop com Rogério Nuno Costa, nos dias 22, 23, 29 e 30 de Março. Os participantes poderão, caso seja do seu interesse, integrar posteriormente o espetáculo. Mais informações e inscrições aqui.






[Atenção! Este espetáculo não tem luzes strob, mas é Kopimista. É a sua religião: ética e estética. Não aconselhado a espetadores que sofrem de epilepsia romântica.]




[espetáculo]
[workshop]




Direção de Projeto/Encenação
Rogério Nuno Costa

Intérpretes/Co-Criadores
André Santos, David Bernardes, Diana Coelho
Marta Coelho, Roger Madureira, Tânia Figueiras Ribeiro

Styling/Produção de Moda
Tiago Loureiro

Fotografia/Design
António Palma

Música Hipster
Peter Shuy

Consultoria Filosófico-Apocalíptica
Nuno Miguel

Fanzine
Roger & Roger, Inc.

Co-Produção
O Espaço do Tempo

Produção Executiva
Raquel Matos





"Residência (Artística)" é o primeiro evento inserido no 'Ano Zero' do macro-projeto "Universidade". Mais informações das atividades programadas para 2012 aqui.



domingo, 15 de janeiro de 2012

NEWSLETTER

TWENTY TWELVE
#01.




2012 instaura uma nova mudança de paradigma: o Rogério vai-a-tua-casa pertence agora ao regime antigo, que é como quem diz, só será possível visualizar via micro-chip nos locais e datas assinalados. Ao invés, 2012 será da Terceira Via™, cujo estágio inaugural de 3 anos, não remunerado, acabou agora mesmo de expirar, e com ele a era do "talvez" (cujo estágio inaugural de 2 mil anos, sobre-remunerado, deverá implodir lá para Dezembro). No entretanto, o Rogério nem-vai-nem-deixa-de-ir — fica onde está que está muito bem: pós-Dogma, pós-dualidade, pós-documentalidade, pós-processo, pós-projecto, pós-meta-qualquer-coisa, pós-questionamento. No regime novo, a política é a do real (não confundir com Real), ou seja, porque já todas as esferas se elevaram à categoria de Arte (da gastronomia à música pop), o Rogério que nem-vai-nem-deixa-de-ir só quer é ficar. A ver.


quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

[ u ]

UNIVERSIDADE
/2012.13—Ano Zero



©Cátia Cóias


I.
RESIDÊNCIA (ARTÍSTICA) [Março 2012]
Uma oficina e um espectáculo alusivos ao tema da preguiça enquanto novo avant-garde.


II.

REALPOLITIK [Junho 2012]
Um vírus apocalíptico (offline) que antecipará o fim do Mundo, ou seja, aquele momento em que a Humanidade vai aprender a agradecer.



III.

TERCEIRA VIA™ [reloaded] [Fevereiro 2013]
Uma conferência de imprensa sobre "a outra coisa" que falta.





UNIVERSIDADE é um projecto Dogma'05, finlandizado e feliz.