quinta-feira, 28 de março de 2013

EPHEMERIS, -IDIS, #2




Bartleby & Cia.


O segundo round é um texto, ESTE, que o Rui Matoso publicou no seu blog TVedras Zine alguns dias após a apresentação do espectáculo. Apresento a seguir, à boa maneira das punchlines jornalísticas (defeito profissional?) as minhas passagens "favoritas", convidando o leitor a visitar o texto integral e respectivos comentários; é nestes, na verdade, que melhor se revelam os sintomas a que fiz referência no texto anterior.


1

O espectáculo/acontecimento é sempre resultado das circunstâncias e dos seus protagonistas, é algo da categoria dos possíveis, pois podia ser sempre de outra maneira…

2
Estamos nos antípodas da produção teatral seguindo cânones já estabelecidos: texto, actores, palco à italiana como lugar simbólico de poder, construção de sentidos… Residência (Artística) visou a criação de um hetero-espaço, de uma zona temporária autónoma, cujas regras de funcionamento se baseiam em listas de procedimentos instituídos pelo próprio encenador (Dogma '05, Terceira Via™), em conjugação com as regras definidas para este “espectáculo-tese”: 'um espaço onde se habita temporariamente, a angústia de ter que preencher esse espaço com momentos significativos, a vontade de não fazer nada, o síndrome de Bartleby aplicado à vida (não à arte), a preguiça como novo avant-garde'.

3
...há uma dificuldade interessante e a meu ver bem resolvida, que resulta da entropia provocada pelo excesso de informação em simultâneo em vários canais, e com o movimento caótico dos intérpretes, cujas acções parecem deslizar entre o ócio — (não) fazer nada de especial — e o já referido síndroma de Bartebly, na fórmula 'Prefiro não o fazer' usada repetidamente pelo protagonista no livro “Bartleby, O Escrivão” (Herman Melville).

4
Entre o ócio e a potência de tudo poder fazer mas optar por não fazer, existe um território comum que é a própria experiência do pensamento e da vontade, e da sua contrapartida que é normalmente aceite como o agir, o fazer. Do ponto de vista do senso comum, esta suspensão ('epoché') deliberada é considerada absurda e menosprezada, pois o imperativo do “produzir”, da “competitividade”, da “criatividade” ou da “inovação” é suficientemente colonizador para confortar as mentes do negócio.






















Pequena adenda sobre os Anónimos presentes nos comentários (nicknames encriptados com piscadelas de olho irónicas ao assunto em questão contam como versão ainda mais infantil de Anónimo), a ler neste post da Joana Barrios.