sábado, 21 de março de 2015

BLACK BOX




PARTÍCULAS DOURADAS
NUM MUNDO QUASE SEMPRE VESTIDO DE PRETO

Joana Castro


Um novo modelo quântico foi recentemente revelado pela comunidade científica e vem afirmar que o Big Bang não aconteceu, o Universo não tem princípio nem fim, e a partícula infinitamente pequena que lhe terá dado origem (liricamente apelidada por Einstein de “singularidade”) nunca existiu. Sem antes nem depois, sem história nem memória, sem tempo nem espaço, o que vemos (logo, o que somos), não passa de uma imensidão neutra e infinita, ao mesmo tempo material e imaterial, uma só particularidade transformada numa só universalidade. Sem dentro nem fora, sem linha nem fronteira, proponho para esta peça um não-lugar desprovido de qualquer referência histórica, cultural e vivencial; um espaço inútil, não necessariamente vazio, mas sem razão nem aparência; um espaço mais “questionante” que questionável, onde presença e co-presença se (con)fundam. Ocultação e revelação são finalmente sinónimos: matéria negra. Proponho também uma materialização corporal que faça de mim extraterrestre no meu próprio mundo, entidade circunstancial em permanente estado de (i)migração, à procura incessante de um paraíso perdido: a luz dourada ao fundo do túnel é só mesmo outro túnel, e outro, e outro... Proponho por fim uma espécie de síndrome-do-primeiro-olhar (ou da-primeira-vez) transformado em “espectáculo”: um momento que é ao mesmo tempo solidão e semelhança, e ao mesmo espaço simulacro e simulação. De quanta ilusão precisamos para sobrevi(Ver)? Os físicos que descobriram a não-origem do Mundo diriam: como nunca nada aconteceu, tudo o que surge será sempre novo.



SUPER-POP™

Primeiro uma citação canónica:
“Technological progress has merely provided us with more efficient means for going backwards.”
[Aldous Huxley, ‘Ends and Means’, 1937]


A seguir uma provocação distópica:
“Never skip the intro, stay there!”
[Toda a Gente, ‘Internet’, 2037]


Quando escrevo a sinopse da tua peça, escrevo para ti, escrevo-te. Não reclamo qualquer tipo de autoridade sobre aquele texto, pois o mesmo nasce a partir de ti e das tuas ideias. Também não acho que tenhamos sido os dois a escrevê-lo — o texto existe numa dimensão paralela à existência da tua peça e paralela a nós, que a pensamos; nessa dimensão, autoria e autoridade não são agentes conflituosos, e copyright é mesmo copywrong. O texto, este que agora (te) escrevo e o outro, serão sempre autónomos; começam na tua peça, acabam na tua peça, mas não dependem escrupulosamente dela. É este, perigosamente, um objecto que desafia as leis da gravidade. Isto é grave? Não! Há que suplantar a dualidade e seguir. Que é como quem diz: há que ultrapassar a crise doentia da pós-pós-pós-modernidade e abraçar uma condição que esteja por cima, não que venha depois. Já nada vem depois, nem antes, porque já não há tempo, lembras-te? Como agora é tudo vintage, creio que devíamos criar uma espécie de novo-surrealismo, substituindo todos os pós por super, e reciclando um qualquer automatismo textual a favor de uma irrealidade (ou e-realidade) que faça justiça ao que está sobre, por cima, acima, após. Por outro lado, anular criticamente a ética do “espectáculo a partir de” e sua consequente, e frívola, “interpretação livre”. Ou seja, deixar de confundir Arte com Terapia de Grupo! Toda a inteligência é “artificial”, e este texto, tal como o arranque conceptual da tua peça, é (quase) desprovido de emoção. Falaste-me de máquinas, e as máquinas nunca erram; as máquinas, ou a Máquina, têm sempre razão. Não quero falar do título da tua peça; é metafórico, logo, é um “erro”. Ultrapassemos esse sinal, que eu sei que não é inocente (é um despiste!) em favor de um outro código — proponho a construção de um meta-texto escrito a duas cabeças, quatro mãos, oito cérebros, por aí adiante, que seja o guião não do filme que vais realizar em palco, mas da banda sonora desse mesmo filme que vais realizar em palco. É evidentemente um filme Americano™, de outro modo não seria um filme. É essa a sua ética, logo, é essa a sua estética — crítica e crise são da mesma família. Terão sido também os Americanos™ a inventar a noção contemporânea de Ficção, braço linguístico e estruturante da Pop, tudo fantasias produzidas pelo Método Científico. E a ficção da tua peça é uma ficção científica, por oposição ideológica a uma realidade científica, que não existe. Inscreves-te (e investes-te) naquele que é o melhor discurso crítico e a melhor forma de sátira social! A tua sinopse (e já não o que autoralmente/autoritariamente pretendo dizer com ela) aponta na direcção de um cliché sensacionalista: a origem do Mundo. Uma ideia, portanto. Que já cá estava antes de nós. O Mundo já cá estava antes de nós e no entanto fomos nós que o inventámos. Incrível, não é? Pois é neste paradoxo espácio-temporal que a tua peça se projecta na direcção do espectador, o mesmo que, se quiser ser fiel à sua condição inequívoca de espectador, irá usar este texto-didascália como assistente de bordo ao longo da peça. Pode lê-lo antes, durante, ou depois. Se eu e tu acreditássemos em metáforas, podíamos assumir que tudo começou com uma conversa divina entre um Adão e uma Eva, juntos, num estúdio de gravação, a cozinhar uma Via Láctea from scratch e a partilhar a refeição primordial em torno de um primeiro brainstorming. Não interessa quem faz de Adão e quem faz de Eva; não são identidades, são vozes. Tal como é indiferente quem pergunta e quem responde; o código binário extinguiu-se no exacto momento em que decidimos ir para a sala de ensaios inventar o Mundo — ausência total de identidade, um vazio preenchido por um momento total, infinitamente grande e infinitamente pequeno. Isto é um exercício, portanto; uma equação matemática sem princípio (x) nem fim (y). Uma singularidade a-temporal. Acto único, mas dividido em três (eu, tu, e depois nós, não necessariamente por esta ordem):



TESE
Primeiro andamento, em jeito de brainstorming pré-apocalíptico. Convulsão.

R: Em Endgame (1957), Samuel Beckett propõe uma meta-ficção suspensa num não-tempo que discorre ao longo de um só acto, onde 4 personagens (podia ser só uma, podiam ser 7 biliões) discutem à volta da ideia de FIM, não o fim como inevitabilidade, mas o fim como potencialidade. O mesmo fim que funciona como motor da tua peça, portanto. Endgame não é a tradução do fim de um jogo de xadrez, mas antes o momento infinitamente pequeno e infinitamente grande (ao mesmo tempo) que o antecede, quando já se sabe quem vai ganhar (ou perder, ou ambos), mas no entanto ainda há peças para mover. Ou seja: quando se joga “para nada”. Este é o primeiro acorde e este é o primeiro acordo que lanço para esta nossa pauta-guião. E agora é a tua vez:

J: Não acontece nada. Ocultação e revelação são finalmente sinónimos: matéria negra. Pergunta: será a esperança uma questão de circunstância?

R: Tudo é circunstancial. E tudo é obra do acaso. Não existem coincidências.

J: Metamorfose, tempestade, cidade sonora.

R: Expansão, expansão, expansão…

J: Sim, não só para fora, mas para todos os lados. Para dentro também.

R: Não é tanto o magnetismo, mas a ressonância. Tal como na teoria das super-cordas, que é demasiado complexa para a podermos absorver num espectáculo que é só uma banda sonora…

J: Em vez de super-cordas, podia ser super-sopros?

R: Sim. Uma experiência mais iniciática que ritualística. Diria até uma reconciliação do criacionismo com a teoria da evolução. Deus a fazer vibrar as cordas do tempo, ou a soprar para dentro do Mundo à espera que ele respire.

J: Continuidade.

R: Suspensão.

J: Não acredito na obliteração do humano pela tecnologia. Isso só aconteceria se tivesse sido o humano a inventar a tecnologia. E isso não é verdade; a tecnologia, tal como o Mundo, já cá estava antes de nós. A obliteração do humano será sempre feita pelo humano, não por forças exteriores ao humano.

R: Aliás, a tecnologia está a fazer-nos evoluir para trás. A citação do Huxley é tudo menos distópica. É o regresso ao admirável mundo novo. É o regresso ao Paraíso.

J: O Paraíso é uma cidade em construção embrulhada em plástico translúcido pelas mãos do Christo, o artista e o profeta.

R: Todas as realidades, nomeadamente esta em que estamos, são realidades paralelas. Tudo o que vemos é perpendicular a algo que não existe. Não é falso, é só redundante. Tal como a realidade virtual, por exemplo. Não existe nenhuma realidade que não seja virtual. Ou como diria o Žižek no documentário The Reality Of The Virtual (2004): "The real effects produced, generated, by something which does not yet fully exist, which is not yet fully actual".

J: Estamos a começar a fabricar um “tema”, e eu odeio “temas”. Odeio espectáculos “temáticos”. Quero fazer um espectáculo de dança, não quero fazer um baile de máscaras sci-fi. Posso fechar?

R: Sim. O teu espectáculo é evocativo, não é ilustrativo. (pôr aqui um smiley a piscar o olho)



ANTÍTESE
Segundo andamento, em jeito de análise pós-estruturalista e pós-semiótica às ideias em movimento. Acentuação dos graves. Diminuição do ruído.

R: Agora vou fazer de conta que sou “crítico de arte”, esse equívoco entretanto apadrinhado pelas indústrias criativas, e perguntar: o que é que acontece?

J: A câmara só filma 15 minutos. Tens o tempo que a América™ te deu para responderes à tua própria pergunta! (pôr aqui um smiley com a língua de fora)

R: Mas porquê o preto?

J: É a cor do linóleo, das colunas, dos tripés, dos panejamentos, das varas, dos projectores, da mesa de som, da mesa de luz, dos microfones, dos amplificadores e até das roupas que a equipa técnica veste. Ou seja, é a cor do teatro. O teatro é preto.

R: Resume a tua peça em três palavras.

J: Magnetismo, resistência, gravidade.

R: Então e o corpo? E o espaço? E os clichés todos das sinopses da dança contemporânea que começam com entradas do dicionário da Porto Editora?

J: (pôr aqui um smiley a dizer LOL) O desafio é ficar de pé! Ficar, estar, permanecer, continuar… Sempre assim foi, sempre assim há-de ser.

R: Nem de tempo podemos falar?

J: Podemos. A minha peça anterior (Perto… tanto quanto possível, 2014) era sobre o tempo que leva dois corpos a conhecerem-se. O espaço, ou melhor, o palco, não servia para nada; era um pretexto para um encontro. E para uma passagem do tempo. Nesta nova peça decidi apagar essa questão identitária, suspendendo a visceralidade do corpo, substituindo expressão por impressão, e tornando-me num dispositivo de leitura, ou seja, de revelação, do próprio palco. Os objectos são os protagonistas. É por eles que eu quero que as pessoas se apaixonem. Mas atenção: são só objectos! Não são projecções nem da minha psique, nem da minha emoção, nem da minha sexualidade. Desaprovo uma dança “fetichista” com objectos e/ou com pessoas/corpos. Desaprovo-a como coreógrafa/bailarina, e também como espectadora.

R: Ou seja, objectos apresentados sem aditivos nem intensificadores de sabor. Objectos inteiros.

J: Sim, não são objectos light! São duros de roer, justamente por resistirem amargamente ao vício da metaforização. A maioria deles foram construídos para não serem vistos, para não estarem presentes, para desaparecerem atrás de nós. Gosto destes objectos por serem os underdogs do Design; nem são feios nem bonitos, são só utilitários. É que eu também não gosto nada de “dança gourmet”. Existe uma diferença do tamanho de um abismo entre Arte e Decoração de Interiores…

R: (pôr aqui um smiley a fazer “high 5”) Mas são objectos que amplificam, que conduzem, que intersectam, que conectam. São intermediários.

J: Sim, precisava de uma plasticidade ultra-sensorial que habitasse aquele linóleo. O linóleo é muito mais importante, em área, em monocromia, em tensão, do que eu. Apenas desejei (agora sim, é sexual), ampliar essa sensação de arrebatamento. E de apagamento também. O corpo gigantiza-se, o espaço vai crescendo em cidade amplificada, preto sobre preto, plástico preto sobre borracha plastificada, cidade embrulhada em plástico transparente, ficção, ficção, ficção… E a criação de um império operático de espectadores no fim.

R: Portanto, não há regressão nem progressão. E o palco é um multiverso: não prevê o futuro, já lá está.

J: Sim, já o experienciou.



SÍNTESE
Terceiro e último andamento, em jeito de reconciliação dramática. Equalização.

J: Inversão de marcha: o que é que acontece?

R: A tua peça não é sobre o espaço, é sobre o palco. A cor no título remete, de forma radical, para esse palco. Radical, porque literal. Não há aqui qualquer leitura jungiana da cor; o preto é mesmo só empírico.

J: Voltando ao Einstein, que assombra a sinopse: o preto não existe, é só a ausência total de cor.

R: Exactamente. A tua peça é sobre a oclusão de tensões binárias que deixaram há muito de fazer sentido: o corpo e a máquina, o analógico e o digital, o high tech e o low tech, o high brow e o low brow, a cultura erudita e a cultura popular, a arte e o entretenimento, e por aí adiante... Não há reconciliação consoladora possível, mas também não há conflito; ambos os lados têm razão! Paradoxalmente, a tua peça conta a história de que como chegámos à conclusão que se a resposta nunca mais chega, então se calhar a pergunta está mal formulada, ou precisa de ser eliminada. Na tua peça, o espaço do palco não se distingue do espaço de ensaio. Na verdade, são o mesmo. Ou seja, “il n’y a pas de solution parce qu’il n’y a pas de problème”, já dizia o Duchamp.

J: Conta-me a história da peça, então.

R: Contemplação, suspensão, revelação, problematização, observação, confrontação, resolução. Só que sem moral! O que faz de ti, indubitavelmente, um agente crítico do nosso tempo. Grande parte da produção artística contemporânea ainda se enquadra na ética (e na estética) das fábulas de La Fontaine. E isso é triste. 

J: Quanto mais conheces os animais, mais gostas dos homens?

R: Exacto! É que já nem nos safamos com a desculpa da linguagem. Tudo é linguagem! Se calhar é mesmo verdadeira aquela teoria que diz que tudo isto não passa de um vídeo-jogo. O teu exercício é icónico, logo, fala de nomes, de categorias, de referentes e de significantes. É um jogo linguístico.

J: A música é uma linguagem? (pôr aqui um smiley envergonhado por ter feito uma pergunta tão assustadoramente vintage)

R: A música é a linguagem máxima daquilo que está a acontecer agora. E eu acredito que tudo o que não está a acontecera agora, não existe. Se a música fosse uma ciência, chamava-se Simultaneologia, que é a ideologia do que acontece agora, , em tempo real, e ao mesmo tempo. Também pode significar tudo aquilo que acontece durante, entretanto e enquanto. É essa a temporalidade transversal da tua peça — a banda sonora para um mundo que está a fabricar-se cá dentro e lá fora ao mesmo tempo. Não há separação. Não há escurinho-do-cinema. Não há emersão escapista, nem nada dessas tretas inventadas pela Sociologia.

J: Então e nós, eu e o Flávio, somos o quê?

R: Nós só somos o que somos porque: 1) o dizemos; 2) duvidamos da alínea 1). Por isso perguntar será sempre o melhor remédio! Acho que é isso: tu e o Flávio são presenças questionantes. É muito giro quando trocam de papel; é essa dimensão shapeshifter que coloca a peça descaradamente no campo da ficção científica: o corpo a emancipar-se da máquina, a máquina a voltar ao corpo, os dois a tentar encontrar o desencontro, a des-aproximarem-se. No fundo, no fundo, é uma história de amor.

J: Porquê Super-Pop?

R: Porque é um super-poder. A máquina tem sempre razão. Nós somos a máquina. Logo, nós temos sempre razão. Já dizia o Aristóteles…

J: Sublimação?

R: O palco é um interface, uma janela não para mas do universo paralelo. Há uma noção muito interessante, quase caleidoscópica, de que tu e o Flávio estão a ser observados de vários ângulos. Não há contemplação possível. Temos que estar dentro e fora ao mesmo tempo. E à volta também. Por cima, sempre. A tua peça não está para lá da Pop. Está por cima dela. Camadas sobre camadas. É uma cena quase geológica. A cidade sonora que tu queres construir já está a ser desenterrada no Futuro. E é lá, no Futuro, que a tua peça se passa. 

J: Estamos a voltar à festa temática com o dress code cyborg…

R: (meter aqui um smiley assustado) Não! Tu resolves isso muito bem no Fim... Repara que escrevi a palavra Fim com maiúscula, para acentuar a sua dimensão teatral. O Fim é uma “pessoa” na tua peça. É a única que fala, aliás. É uma força centrípeta e centrífuga ao mesmo tempo. É ela que te puxa para a boca de cena e te obriga a abraçar o tragicómico que é comunicar, olhos nos olhos, com o público. E a comunicação, sobretudo quando imposta…

J: Todos os espectáculos são imposições!

R: …encerra em si uma guerra. Uma guerra absolutamente patética. No teu palco, essa guerra é anterior ao wireless, precisa da ligação por fios, precisa da disquete de arranque, precisa de um Regresso ao Futuro. E o Futuro é retro! É anos 80, é consola Nintendo, é cubo mágico. Basta visitarmos as catedrais do hi(p)sterismo do Porto e de Lisboa (lojas, cafés, teatros, museus, etc…) para vermos o digital a querer mimetizar o analógico — a camisola de lã tricotada pela avó de 90 anos só que desenhada em Photoshop e replicada em massa para ser vendida na Vida Portugueza…

J: E isso é bom ou mau?

R: Nem uma coisa nem outra. Tínhamos prometido abolir a dualidade, lembras-te?

J: Então se a tecnologia não é um prolongamento do humano, pode ser um amplificador da própria noção de humano, uma lupa?

R: Sim, mas uma lupa retrovisora. O universo está em expansão permanente. Mas para trás. Como que a ganhar espaço ao Espaço, e com isso a “perder” Tempo. Isto não é poesia, sabes? Isto é a guerra das guerras. E devia afectar mais pessoas e mais artistas como tu e como eu. Porque se o Universo não tem início nem fim, então não faz sentido falarmos em História. Então a pós-modernidade nem sequer uma condição é. Então devíamos parar de acreditar na supremacia do Humano e aconchegarmo-nos na nossa própria insignificância cósmica. E devíamos definitivamente impedir que a Arte se transforme em Design. Isto não é de todo derrotista. Isto é a nossa tábua de salvação.

J: Ou seja, há esperança?

R: Nunca houve mais nada a não ser isso.


Rogério Nuno Costa, a partir de Joana Castro
Ou então Joana Castro, a partir de Rogério Nuno Costa
Porto, Março de 2015




Concepção, direcção e interpretação: Joana Castro
Música ao vivo: Flávio Rodrigues e Joana Castro
Desenho de luz: Alexandre Vieira
Figurinos e cenografia: Joana Castro
Texto e Documentação: Rogério Nuno Costa
Imagem: Lino Cabral

Fotografias de Cena: José Caldeira
Agradecimentos: Fábio Lopes, F. Ribeiro, Nuno Preto e Raquel Ferreira
Residência: Palcos Instáveis