Quinta-feira, 10 de Maio de 2012

#2. REALPOLITIK




PROTO-TEASER

Um espetáculo de teatro, ou seja, um vídeo-jogo, uma série de Ficção (científica) com 7 temporadas de 32 episódios cada, um filme de Hollywood sobre o Apocalipse, uma aplicação para o iPhone sobre a política (Real) da sobre-vivência. Um serviço ao serviço dos poderosos: só se salva quem pode. Uma corporação pós-humana para a mutação da teoria das cordas em teoria dos sopros. Como se o Fim do Mundo “as we (don’t) know it” implicasse um novo Adão e uma nova Eva, em estado gasoso, em molecular, em design. Dasein. “Realpolitik” é também um medicamento transgenérico e psicotrópico, a tomar antes do Embarque, contra enjoos quânticos e outras confusões comuns entre Arte e desporto. “Realpolitik” está assim para as indústrias criativas como os nocebos estão para a farmacologia: só provoca os efeitos secundários (os óculos 27-D são oferecidos pela produção). Do Outro Lado, seremos todos Anjos. Em Português,  significa ‘erradicação da espécie’. Em código numérico: ‘2012’.


Texto & Encenação: Rogério Nuno Costa. Assistência de Encenação: Roger Madureira. Interpretação & Co-criação: João Ferreira da Silva, Nilce Vicente Carvalho, Pedro Fernandes, Vanessa Teixeira. Participação Especial: João Viegas. Música: Peter Shuy. Desenho & Operação de Luz: Paula Gaitas. Vídeo-promo: Leandro Silva. Movimento & Coreografia: David dos Santos. Cabelos & Maquilhagem: Cátia Manso. Design: Roger & Roger, Inc. Produção Executiva: Anabela Ribeiro, Cátia Manso, Nilce Vicente Carvalho, Patrícia Antunes. Produção: CITAC 2012. Financiamento: Fundação Calouste Gulbenkian. Apoios: Câmara Municipal de Coimbra, Persona Non Grata, Máfia, SASUC, Casa da Cultura, TAGV.


EMBARQUE:
7 a 14 de Junho de 2012
Teatro-Estúdio do CITAC, Coimbra

Quarta-feira, 14 de Março de 2012

#1. RESIDÊNCIA (ARTÍSTICA)




Sobre um espaço onde se habita temporariamente. Sobre a angústia de ter que preencher esse espaço com momentos significativos. Sobre a vontade de não fazer nada. Sobre o síndrome de Bartleby aplicado à vida (não à arte). Sobre a preguiça como novo avant-garde.


“Residência (Artística)” começou numa "residência artística" (primeiro em Torres Vedras, depois em Montemor-o-Novo, durante todo o mês de Fevereiro de 2012); como nada mudou desde então, então a "residência artística" subiu à categoria de título. Só pusemos o "artístico" entre parêntesis pois sabemos que nem sempre a qualidade apocalíptica de um EPIC FAIL é tida em consideração por mentes menos bravas. Queremos muito que este espetáculo seja o pior de 2012. Queremos muito que este espetáculo seja o fim do Mundo as we know it e das nossas carreiras as we want them to be. "Residência (Artística)" é por isso um encontro insólito (porque real) entre a vontade de fazer o/um espetáculo e a vontade de não o fazer (ou de fazer “nada”), entre a gratuitidade do gesto inconsequente e a obsessão pela busca de sentidos (logo, de “consequências”), entre a nostalgia de um século XX que nos deu a pior herança artística de sempre (‘Be Yourself!’) e a vontade de já só existirmos na forma/força imaterial de inteligência cyborguiana. "Residência (Artística)" é uma apologia ‘hipsterizada’ da banalidade e representa a nossa fé inconsolável numa atitude que queremos est(eticamente) criminosa e politicamente demissionária: estamo-nos mesmo a cagar para o Mundo. E isto não é retórica, é Amor. Ou então a arte de reconhecer que o copo nem está meio cheio nem está meio vazio; é só um copo com água.


Estreia:

27 de Março de 2012, 21:30
Teatro-Cine de Torres Vedras


Simultaneamente à apresentação do espetáculo, será realizado no mesmo espaço um workshop com Rogério Nuno Costa, nos dias 22, 23, 29 e 30 de Março. Os participantes poderão, caso seja do seu interesse, integrar posteriormente o espetáculo. Mais informações e inscrições aqui.






[Atenção! Este espetáculo não tem luzes strob, mas é Kopimista. É a sua religião: ética e estética. Não aconselhado a espetadores que sofrem de epilepsia romântica.]




[espetáculo]
[workshop]




Direção de Projeto/Encenação
Rogério Nuno Costa

Intérpretes/Co-Criadores
André Santos, David Bernardes, Diana Coelho
Marta Coelho, Roger Madureira, Tânia Figueiras Ribeiro

Styling/Produção de Moda
Tiago Loureiro

Fotografia/Design
António Palma

Música Hipster
Peter Shuy

Consultoria Filosófico-Apocalíptica
Nuno Miguel

Fanzine
Roger & Roger, Inc.

Co-Produção
O Espaço do Tempo

Produção Executiva
Raquel Matos





"Residência (Artística)" é o primeiro evento inserido no 'Ano Zero' do macro-projeto "Universidade". Mais informações das atividades programadas para 2012 aqui.

Domingo, 15 de Janeiro de 2012

newsletter

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TWENTY TWELVE
#01.




2012 instaura uma nova mudança de paradigma: o Rogério vai-a-tua-casa pertence agora ao regime antigo, que é como quem diz, só será possível visualizar via micro-chip nos locais e datas assinalados. Ao invés, 2012 será da Terceira Via™, cujo estágio inaugural de 3 anos, não remunerado, acabou agora mesmo de expirar, e com ele a era do "talvez" (cujo estágio inaugural de 2 mil anos, sobre-remunerado, deverá implodir lá para Dezembro). No entretanto, o Rogério nem-vai-nem-deixa-de-ir — fica onde está que está muito bem: pós-Dogma, pós-dualidade, pós-documentalidade, pós-processo, pós-projecto, pós-meta-qualquer-coisa, pós-questionamento. No regime novo, a política é a do real (não confundir com Real), ou seja, porque já todas as esferas se elevaram à categoria de Arte (da gastronomia à música pop), o Rogério que nem-vai-nem-deixa-de-ir só quer é ficar. A ver. Próximos eventos preparatórios do Armagedão:



I
PROJECTO DE DOCUMENTAÇÃO
[Vou A Tua Casa — catálogo + documentário]



Uma trilogia teatral em forma de mapa-percurso: o ponto 'A' é a tua casa, o ponto 'C' é a minha, o ponto 'B' é aquele sítio impossível onde por ti sou apanhado no meio. Em Lisboa e noutros sítios.
























©Nuno Coelho

Projecto transdisciplinar que compila uma panóplia de materiais documentais oriundos da trilogia “Vou A Tua Casa” (2003/2006), conjunto de três performances (a primeira na casa dos espectadores, a segunda em espaços públicos à escolha do espectador, a terceira na casa do criador) num catálogo e num vídeo-documentário. Mais do que uma prospecção sobre materiais residuais de uma performance circunscrita a um tempo e um espaço específicos, o projecto alicerça-se numa reflexão sobre a própria prática documental quando aplicada às artes performativas, operando criticamente em conceitos como os da efemeridade, memória, intimidade/privacidade e discurso autobiográfico. À distância de 5 anos, o catálogo revê o trajecto geo-emocional e performativo percorrido por um artista, uma peça e os seus espectadores, visitando Lisboa, Torres Vedras, Londres, Porto, Hamburgo, Covilhã, Berlim, Braga, Caldas da Rainha, Évora, Arnhem e Amares.



Pré-publicação online: AQUI.
Lançamento oficial (livro + DVD): Abril 2012.


Projecto financiado pela Direcção-Geral das Artes/Ministério da Cultura em 2006. Co-produção: Transforma AC. Apoio: Advancing Performing Arts Project. Direcção de projecto de Rogério Nuno Costa. Coordenação editorial de Mónica Guerreiro. Design gráfico de Nuno Coelho. Em colaboração com diversos artistas e teóricos: Luís Firmo, Nelson Guerreiro, José Luís Neves, Verónica Metello, Cláudia Madeira, André Guedes, Carlos Bunga, Teresa Prima, Ramiro Guerreiro, Jeremy Xido, Maria Lemos, Maria de Assis, Ana Pais, Cláudia Jardim, André e. Teodósio, João Carneiro, Beatriz Cantinho, Natacha Paulino, Rui Ribeiro, Franz Anton Cramer, DJ Next Track, Ana Cardim, Pierre von Kleist Editions (André Príncipe & José Pedro Cortes), Luísa Casella & um grupo selecto de ex-espectadores.

Mais info AQUI.



II.
CONVERSAS NO TANQUE

Ciclo "Artistas Sem Disciplina"
19 de Janeiro, 21:45

A convite da Velha-a-Branca, estarei em Braga a lavar a roupa suja de 2011 num tanque. Aquando do convite, pediram-me uma biografia. Transcrevo aqui o que escrevi na altura, pois será essa a minha proposta de discussão:

Rogério Nuno Costa (Amares, 1978). Artista, investigador, professor, produtor, curador e escritor em vários projectos artísticos e para-artísticos com limites disciplinares bastante definidos formalmente (espectáculos, conferências, performances, workshops, jantares, palestras, master classes, exposições, instalações, concertos, anúncios publicitários, programas de televisão, livros, rádios online, desfiles de moda, etc.), mas conceptualmente inter(in)disciplinares, dogmáticos e cinicamente altermodernos. Com formação académica nas áreas da Comunicação Social, História da Arte e Cultura Contemporânea e Novas Tecnologias, considera-se um observador (participante) com uma curiosidade mórbida pelo universo das artes, e só devolve o resultado das suas investigações porque é o que manda o Código Deontológico dos Jornalistas. Na persona do Chef Ró, tem elaborado inúmeros cruzamentos da Cozinha Conceptual™ com as artes performativas e os novos media, pretendendo com isso que a Arte se eleve à categoria de Gastronomia (pois o contrário já foi feito). Não é actor. Considera também que todos os trabalhos nas áreas do teatro/dança que realizou em colaboração com diversos artistas e companhias (Teatro Praga, Patrícia Portela, Sónia Baptista. Lúcia Sigalho, Cão Solteiro, Nelson Guerreiro, Estrutura, Teresa Prima, entre outros) foram trabalhos de consultoria. Prepara para 2012 a publicação do livro/DVD “Vou A Tua Casa — Projecto de Documentação”, um evento preparatório do fim do Mundo chamado “Realpolitik”, um disco de originais tecnobrega chamado “€TRASH” e a construção (from scratch) de uma “Universidade”. 



III.
UNIVERSIDADE
[YLIOPISTO]


The art of bowing to East without mooning to West, or about Third Way™ ethics and aesth(ethics).




















©Cátia Cóias

[...] Nem se diz que sim, nem se diz que não; agradece-se! Fica-se caladinho à espera de melhores dias e tenta-se passar despercebido. Um País (ou Nação) “finlandizado” [ou em processo de “finlandização”] é aquele que aceita sem discussão as directivas que lhe chegam de uma super-potência [mais ou menos vizinha, mais ou menos corrupta], sem contudo perder a sua soberania. Numa perspectiva geral, “finlandização” é coisa má: passividade cínica a querer passar por neutralidade “politicamente” correcta. Numa perspectiva finlandesa [logo, não-pejorativa], a “finlandização” prende-se com pressupostos basilares da Realpolitik: sobreviver. [...]

UNIVERSIDADE é o único (sinónimo de último) projecto de Rogério Nuno Costa pós-2012. Este mês iniciam-se as hostilidades para o ANO ZERO, cuja primeira acção, intitulada "Residência (Artística)", arranca já em Fevereiro próximo, com trabalhos em Torres Vedras, Montemor-o-Novo e Caldas da Rainha. Mais informações  brevemente...






IV.
VOU À TUA MESA
DO SENSUAL ABSOLUTO E OUTRAS ESTÉTICAS TECNO-EMOCIONAIS









©Binaural


O restaurante com uma mesa só do Chef Ró está fechado para manutenção durante o mês de Janeiro. Reabre em Fevereiro, com novidades assustadoras! Até lá, podem ir seguindo as movimentações virtuais:


Quarta-feira, 11 de Janeiro de 2012

Terça-feira, 10 de Janeiro de 2012

[ u ]

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UNIVERSIDADE
/2012—Ano Zero












©Cátia Cóias

I.
RESIDÊNCIA (ARTÍSTICA) [Março]
Uma oficina e um espectáculo alusivos ao tema da preguiça enquanto novo avant-garde.


II.

REALPOLITIK [Junho]
Um vírus apocalíptico (offline) que antecipará o fim do Mundo, ou seja, aquele momento em que a Humanidade vai aprender a agradecer.



III.

TERCEIRA VIA™ [reloaded] [Outubro]
Uma conferência de imprensa sobre "a outra coisa" que falta.





UNIVERSIDADE é um projecto Dogma'05, finlandizado e feliz.



Sábado, 14 de Agosto de 2010

[ u ]

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FINLANDIZAÇÃO:
possível entrada para o dicionário da
UNIVERSIDADE.


[Helsínquia, Agosto 2010]



[Texto escrito para os tutoriais do documentário em vídeo do projecto "Espectáculo de Teatro"]:

 
Nem se diz que sim, nem se diz que não; agradece-se! Fica-se caladinho à espera de melhores dias e tenta-se passar despercebido. Um País (ou Nação) “finlandizado” [ou em processo de “finlandização”] é aquele que aceita sem discussão as directivas que lhe chegam de uma super-potência [mais ou menos vizinha, mais ou menos corrupta], sem contudo perder a sua soberania. Numa perspectiva geral, “finlandização” é coisa má: passividade cínica a querer passar por neutralidade “politicamente” correcta. Numa perspectiva finlandesa [logo, não-pejorativa], a “finlandização” prende-se com pressupostos basilares da Realpolitik: sobreviver. Para tal, o País (ou Nação) mantém-se mais neutro e gelado que um fiorde e segue feliz a triste sina de quem precisa de ter as costas quentes [...pois que na Escandinávia o frio é mesmo a sério...], parecendo no entanto não dever nada a ninguém. “Parecendo”... É que isto não tem nada a ver com diplomacia; é demagogia mesmo! Mas com distanciamento crítico; jamais brechtiano... Ou seja, um espectáculo é “finlandizado” quando aceita sem discussão as directivas que lhe chegam de cima, ou então que lhe caem em cima, ou então que estão tão (a)cima que é impossível lá chegar. Sem contudo perder a sua soberania! Um espectáculo “finlandizado” é, portanto, um espectáculo “arcticamente” infeliz [...congelado no seu próprio tempo, não aspira a futuro nenhum...], e hormonalmente desequilibrado e queixoso [...“porque é que os nossos antepassados não escolheram um sítio mais quente para se instalarem?”, the Helsinki Complaints Choir would say...]. Porque não chega a ganhar nada, também nada irá perder, e porque em arte nada se transforma, o espectáculo “finlandizado” é aquele que fica entalado num certo “meio” onde a virtude, definitivamente, não está. É por isso que é um espectáculo frustrado: nem dialéctica positiva, nem dialéctica negativa; e “não-dialéctica” é coisa que não-existeRealpolitikamente, o espectáculo “finlandizado” assina, assim, a sua própria certidão de óbito no exacto minuto em que nasce; é um nado-morto. E isto não tem nada a ver com suicídio; trata-se apenas de uma manobra de charme para chamar a atenção — show off, a querer ser show out. Nunca show on! Porque o espectáculo “finlandizado” só se vê por fora [...tire-me é esses óculos 3D da cara, por amor de Deus!...]; por dentro, a leitura será sempre enviesada... O espectáculo “finlandizado” também não é um género [...porque ‘géneros’ não fazem o nosso género...], e só existe um espectáculo “finlandizado” dentro do género: ESTE. Acto único — morre logo mal nasce. Não existem mais; não existem outros. É triste? É.