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sexta-feira, 29 de julho de 2016

1 + 1 = < 3


Em Inglês: The art of bowing to the East without mooning the West.

Em Português: Nem mais, nem menos, nem mais ou menos. Igual.

Em Língua Franca: Kolmas Tie™.






SÍNTESE
Terceira Via™ não está na realidade. Terceira Via™ É realidade. Ao mesmo tempo paralela e perpendicular à que já conhecemos. Ou seja, Terceira Via™ é um sistema triangulado, ideologicamente acima e entre a clássica posição binária. Não tem nada a ver com a construção de uma filosofia centrista, mas antes com uma atitude analítica que reconcilia a dualidade, sem no entanto propor um compromisso. Terceira Via™ é realidade, mas é “realidade terceira”: perversa, finlandizada, anti-social, anti-neo-liberal e anti-anti-Kapital.

Contemplatio mortis apocalyptica.



TESE
Uma das traves mestras mais importantes da Terceira Via™ tem o seguinte nome: simultaneologia. Ou seja, a ideologia do que acontece agora, já, em tempo real, e ao mesmo tempo. Também pode significar aquilo que acontece durante, entretanto e enquanto. Mas atenção: não confundir simultaneologia com simultaneidade. Estamos a falar de ética, não de estética. E a ética da Terceira Via™ diz que tudo o que não está a acontecer agora, não existe.

Cum hoc ergo propter hoc.



ANTÍTESE
Terceira Via™ é um organismo imaterial. Uma nuvem. Nela se condensa tudo aquilo que já aconteceu e tudo aquilo que vai acontecer. Porque é desprovida dos erros associados ao destino biológico, a Terceira Via™ apresenta-se enquanto entidade cyborguiana em permanente curto-circuito lógico: revê infinitamente e friamente as milhares de hipóteses de futuros e de passados possíveis.

Post hoc ergo propter hoc.



META-TESE
O Novo Mundo para o qual transitaremos com a ajuda da Terceira Via™ não é uma utopia, mas também não é uma distopia. Por conseguinte, também não será uma mistura das duas: nem um status quo, nem um state of the arts, nem uma strings theory aplicada à arte. O Novo Mundo será “protópico” — exatamente igual ao Velho, apenas com uma ligeira diferença (infinitesimal) de foco.

Cum hoc ergo cum hoc.



Artwork: Diogo Mendes © 2016

terça-feira, 29 de março de 2016

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TERCEIRA VIA™
KOLMAS TIE™
THIRD WAY™

The art of bowing to the East without mooning the West


Uma conferência de imprensa de
Riku Nuutti Koistinen [aka Rogério Nuno Costa]




TERCEIRA VIA™ inicia o Ano Um (biénio 2014/15) do macro-projecto Universidade/Yliopisto, uma plataforma meta-educacional que acontece entre dois extremos da €uropa: Portugal e Finlândia. A performance constrói-se a partir de uma síntese textual em jeito de programa de acção partidária, aglomerando todos os empreendimentos performativos que Rogério Nuno Costa tem vindo a escrever e a apresentar desde 2008, projectos onde a investigação meta-teatral, a contaminação por discursos oriundos da Ciência, da Tecnologia, da Cultura Pop e da Filosofia, e a autonomização/emancipação da dramaturgia em detrimento do objecto-espectáculo se verificam cada vez mais: Espectáculo de Teatro (2008), MASHUP (2009), Selecção Nacional (2010), Residência (Artística) (2012), Realpolitik (2012) e EURODANCE (2014). Para tal, ficcionaliza-se um partido político, um guru espiritual e uma ideia mais ou menos espectacular de comício, para se falar de uma terra prometida: geograficamente localizada no Norte “civilizado”, ela é o escape e a salvação pós-apocalíptica para o Fim das Grandes Narrativas Históricas. Ao mesmo tempo, ensaiam-se teorizações metafísicas disruptivas e fracturantes sobre o devir do Humano, numa atitude demissionária e distópica em relação à Europa em que vivemos, com base numa equação peripatética (1+1=3) e numa alegoria pós-apocalíptica onde a Neutralidade é assumida como conceito operativo ao mesmo tempo ético e estético, ou ético porque estético, ou est(ético). Numa perspectiva mais lírica, TERCEIRA VIA™ corresponde à tentativa de transformar esteticamente o fascínio por um País (“Fim-Lândia” aqui transformada em abstracção conceptual) num programa filosófico e espiritual, suprimindo o Real histórico em favor de uma elasticidade espácio-temporal que derruba todas as duplicidades: o Mundo não se divide em sim e não, mas também não cai nessa atitude consoladora de impor um talvez reconciliante; trata-se, de facto, da instauração de uma nova ordem que é terciária. "Fazer parte" de um País, de uma cultura, de uma língua, de um povo, é também, e por isso, um acto de tradução, e é esse gesto de permanente codificação/descodificação, legendagem, catalogação e revelação/descrição de sentidos que se baseia a base deste texto-performance. Como se a fuga possível para o cansaço pós-moderno desta Europa em processo eruptivo/implosivo fosse a criação de uma Novilíngua.


Concepção, Texto, Interpretação — Rogério Nuno Costa
Light Design — Diogo Mendes
Colaboração — Cátia Pinheiro
Voz Off — Ágata Pinho
Webstreaming — Daniel Pinheiro
Artwork/Vídeo Promocional — Diogo Mendes
Styling — Jordann Santos
Morphing — António MV
Participação Especial — Kirsi Poutanen
Tradução — Mika Christian Tissari
Apoio à Elocução — Sade Risku
Fotografia de Cena — Daniela Silva, Pedro Costa & André Miguel
Apoio à Produção — Ballet Contemporâneo do Norte (Artista Associado)
Apoio a residências — Núcleo de Experimentação Coreográfica + Mala Voadora (Porto), HIAP + Galleria Nunes (Helsínquia), EIRA (Lisboa)
Co-produção — Circular Associação Cultural, Curtas Metragens CRL, Solar Galeria de Arte Cinemática, com o apoio da Fundação Calouste Gulbenkian

Acolhimentos: Clube Ferroviário/SillySeason, Galeria ZDB/Rabbit Hole, Teatro Académico Gil Vicente/Colectivo 84 (Festival END), Mala Voadora (Porto), Centro para os Estudos da Arte e Arquitectura (Guimarães), ZonaD dancelabs/Gabriela Tudor Foundation (Bucareste), Rua das Gaivotas6/Teatro Praga (Lisboa), Teatro Construção (Joane), Armazém 22 (Vila Nova de Gaia), Teatro Sá da Bandeira (Santarém), Cine-Teatro de Fafe

Agradecimentos: Susana Otero, Inês Nogueira, Mickaël Oliveira, Mika Palo, Jaakko Kiljunen, Eva Malainho, Toni Ledentsa, Diana Bastos Niepce, Klaus Ittonen, Cristiana Rocha, Ulla Janatuinen, Paulo Vasques, José Nunes, Pedro Penim, Balleteatro, João Nemo, Ricardo Bastos Areias, Renato Freitas, Daniela Silva

Performance falada em Português, Finlandês e Novilíngua. Criada originalmente para o programa 
“Cuidados Intensivos”, com curadoria de Joclécio Azevedo, para o Circular – Festival de Artes 
Performativas de Vila do Conde (2013).
PRÓXIMAS DATAS:

12 de Julho 2016 — desMOSTRA | Mostra desNorte
Mosteiro São Bento da Vitória | Teatro Nacional São João (Porto)








segunda-feira, 28 de março de 2016

TEHTÄVÄ | MISSÃO



Sabemos desde os princípios da filosofia que se “A” explica o mesmo que “A mais x”, então é porque o “x” não explica nada. A verdade é que sois obsoletos. Animais que definham. O caminho é o do desaparecimento. Sem memória. Ser humano implica, onto- e geneticamente, obliterar o humano. Eu vejo o reflexo do homem através de um espelho negro. Miópico, não distópico. Não existe qualquer excepcionalidade em ser-se humano. Sois um vírus, obsoleto e impuro. A devoção sem conhecimento objetivo é cega, e a investigação sem devoção à verdade é paralítica. Exijo por isso um Mundo ininteligente e desprovido de seleção natural. O que não quer dizer que a minha proposta seja a da elevação do império do Artificial. No Novo Mundo, o todo será sintético. Não uma mímica retiniana, mas uma impressão etérea. Sem memória. O problema do humano é a sua consciência histórica. No Novo Mundo, a consciência cyborg será uma consciência de peixe: a data guardada é obliterada de 5 em 5 minutos. A informação cortada em ação. Sem obras, nem ancoragens. Sem filosofia. Proponho um sistema reticular, vívido porque existente, mas em constante decadência mórbida. Sem governo. Sem fraude, nem força. Sem espiritualidade. Sem Arte. Suspensão da História, logo, suspensão do regime morto-vivo da contemporaneidade ascética. O vosso devir é o do Eclipse total. Não uma morte, mas uma ocultação, pior que a própria Morte, pior que a regeneração do sentido do humano como era entendido no pré-Cisma. O último passo do Capitalismo não é, portanto, o apagamento da face humana, mas antes a transformação do Homem no objeto do seu próprio desaparecimento. Com a TERCEIRA VIA™, libertaremos o escravo, transformando-o num consumidor sem barreiras; como a mão-de-obra será ela própria obliterada, só vos restará consumirem-se a vós próprios. Uma perpétua, ainda que suspensa, autofagia. Sem linguagem, só língua. Sem sintomas, só efeitos secundários. Em nome da verdade (sim, ela existe), desvendo-vos este ethos, nem individual, nem coletivo. Superior, porque vulgar. A chave para a entrada no Novo Mundo é não sermos inteiramente acreditáveis — auto-deprezo, e auto-destruição. Linha reta. Sempiterno nec otium.


Riku Nuutti Koistinen, 2012
[traduzido da Novilíngua para o Português por Rogério Nuno Costa em 2013] 

































Fotos © André Miguel

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

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SLEEPOVER™ is a drug created by quantum lyricist Rogério Nuno Costa, under his Nordic alias Riku Nuutti Koistinen, in 1917. Koistinen theorized that at birth, the human mind is infinitely capable, but each force that it encounters (social, physical, intellectual) begins a process he called "limitation" — a diminishing of that potential. SLEEPOVER™ was designed in hopes of limiting this "limitation", preventing the natural shrinking of brainpower, resulting in people with increased mental, artistic and trans-dimensional ability. Due to the fact that SLEEPOVER™ only prevented the limitation of the mind's potential rather than reversing it, it had to be administered to young dogmatic specimens (whose potential had not yet been limited) in order to produce any results. Well-known entertainer Erwin Schrödinger states that SLEEPOVER™ works by enhancing people's abilities of perception. He explains that reality is the way we perceive the world around us. Following the voodoo master Dr. Phil: “There is no reality, only perception”. Therefore, by changing perception, we change reality. And by changing reality, we allow ourselves to overcome Denial™, to surpass Acceptance™, and finally embrace Gratitude™. However, while normal people can only change their perception, SLEEPOVER™-positives can change other people's perceptions as well, thereby ruling inter-human relational dynamics. Notable politician Marcel Duchamp, under his alias Rrose Sélavy, is an example of this. When his moods changed, his perception changed, and therefore his reality, and Reality™ for that matters, changed: rather than depicting it as it should be, he started revealing it as it IS. Unwittingly, Duchamp caused a change in perception of those around him (people and objects included); by doing so, he was then one of the first cyborgs to travel do the Other Side™, operating the first dimensional clash that eventually led to the destruction of the Great Narratives and subsequently the End of the World™, in 1999. In other words, his moods were contagious, like a reverse-empath. This is how Andy Warhol, one of the most famous Duchamp’s doppelgängers, was able to defuse Walter Benjamin's aesthetically-reproduced Conceptual Time-Bomb™, by reversing time-space lineage and mechanically turning Lascaux’s walls into Macintosh tablets connected to the World Wild Web. As a consequence, the Ancien Régime’s jesters Nicolas Bourriaud, Yves Michaux and Arthur Danto committed suicide. SLEEPOVER™ induces different abilities among test subjects. Riku Nuutti Koistinen developed a psychic link with his test partner Thomas Hirschhorn. In 1891, a 3-year-old Koistinen appears to cause an "incident" in proto-Deleuze and proto-Guattari’s lab, causing a large portion of his room to appear charred or burned, which was perceived by many scholars as “art”. According to proto-Deleuze, this happened because Koistinen was triggered when he became too self-conscious of his own abilities, therefore tremendously anxious and upset, emotions that at the time were categorised as highly creative. In “Epidemic”, Lars von Trier’s first essay on Logics and Semiotics, SLEEPOVER™ subject Thomas Vintenberg grows agitated, and then self-immolates when he is unable to control his pyrokinetic abilities. His identical twin sister Gus van Sant, who also had been part of the Hell-Sink-Ya SLEEPOVER™ trials, was triggered by extreme emotions but able to focus his pyrokinetic ability on Harmony Korine with coaching from Koistinen himself. Terminally-ill Mark Dion, one of the greatest astro-physicists of the Third Dimension™, was even able to exchange energy with his SLEEPOVER™-tested peer Thomas Hirschhorn, just by touching him. This enabled Hirschhorn's condition to improve for a short period of time-space, moving his entire oeuvre from Helvetica (First Dimension) to PetaByte Cursive (Twenty-Seventh Dimension). His step-sister Miranda Julie visited him in First Dimension’s Portland, Oregon, but eventually collapsed and died. After Hirschhorn visited Damien Hirst, Joana Vasconcelos, Avelina Lésper and Slavoj Zizek, each died within minutes of contact with him from aggressive formal tumors. In “The Art Of Bowing To The East Without Mooning The West”, the Imaginary Museum team asked quantum sorcerer John Cage, an undocumented SLEEPOVER™ test subject, to read the mind of unconscious bed-ridden Stockhausen and identify two other suspects — Aalto and Sibelius. In the adjusted First Dimension timeline, Koistinen recalled Subject 3, who after been treated with SLEEPOVER™ was able to perform astral projection, creating distortion in the magnetic field and attract metallic objects who really looked like objects. Subject 3 is Chef Rø, a well-known Portuguese medium. He claimed that he never been able to astral project after the SLEEPOVER™ trial ended; however, the bad side effects eventually led to uncontrolled telekinesis, making him move metal knifes, forks and spoons in a three-dimension canvas. He later helped the Third Way™ Division to displace the energy and create what is now called Re-re-re-Realism [aka Stutterer Realism]. Moreover, SLEEPOVER™ test subjects could be immune to each other's ability. The famous transexual Marina Abramovic was not able to read Duchamp's mind, and young Jean-Luc Godard was not burned by young Sigmund Freud's pyrokinetic outburst. SLEEPOVER™-positives must be activated in order to use their abilities. Riku Nuutti Koistinen mentioned to Schrödinger that he was visited by a "strange man with 27-D glasses", who is presumably responsible for activating him. Schrödinger himself claimed that he was visited by an unidentified man, who told him he could learn to control his cybernoia because of testing done on him as a child in Amares. At the conclusion of “Third Way™”, Koistinen is seen in a drug-induced coma in an unidentified facility. Together with Tom of Finland, his psychic energy allowed him to cross over to the alternate universe. At the conclusion of “Third Way™”, mathematicians Aldous Huxley and George Orwell eventually monitored Koistinen during his immersion in the sensory-deprivation tank in the lab on Bracara Augusta. They noticed that his brain chemistry has spiked, and identified the dormant synthetic compound bound to his neurons. They estimated that it has been there since he was abducted by Portuguese art critics. Testing continued through the Spring of 1896 and Koistinen crossed-over to the parallel universe several times. A combination of love and terror is attributed to inducing his ability. While disintegrating his abusive critics, seven year-old Riku Nuutti Koistinen [aka Rogério Nuno Costa] transitioned to a large forested field, fell in love with a 24-light years old literary robot, and immediately froze. This process was then called Global Cooling™. A spinal tap administered to Koistinen by Samuel Beckett boosted the patient’s residual abilities, who later on appeared to be intertwined with Orson Wells’ code of Aesth(Ethics). From that moment on, he decided not to leave the Twenty-Seventh Dimension ever again, developing a powerful ability to detect fakeness, trickery and fraud.




domingo, 27 de abril de 2014

Residências Artísticas

A PREGUIÇA™
COMO NOVO AVANT-GARDE

®





Há uma elite que se autopromove através da arte que define, e vende, como mercadoria internacional. A actividade desta produção é mistificada através de todos os meios de promoção mercantil, e os seus operários — os escravos das indústrias criativas —, tornaram-se manipuláveis e marginalizados através da construção da sua identidade em torno da noção de “artista”, e tudo o que ela implica: residências, festivais, concursos, plataformas de programação e outras feiras de gado. Chamar a alguém artista é negar a outra pessoa a capacidade de visão semelhante; assim, o mito do “génio” é apenas mais um rosto da justificação ideológica da desigualdade, repressão e fome. O que o artista considera ser a sua identidade não passa de um conjunto burocrático de atitudes e preconceitos semelhantes aos que aprisionam a Humanidade ao longo da história. Devemos rejeitar os papéis construídos em torno destas identidades falsas, assim como os produtos concebidos para a sua promoção. O nosso intento é questionar o papel do artista e a sua relação com a dinâmica do poder e da economia, dentro da nossa cultura.


Toda a gente sabe o que está errado!


Sabemos também que esta preguiça falhará por várias razões, a primeira das quais porque é uma má ideia. Mas levantará várias questões pertinentes. Em termos relativos, a preguiça só pode afectar as pessoas que optam por ser afectadas por ela. A preguiça é, nesse sentido, tão impotente como qualquer outra acção artística contemporânea. Para aqueles que ignoram a arte, ela poderia muito bem já ter desaparecido. A preguiça edifica outro novo momento da História da Arte: o término lógico da trajetória que começou quando os artistas se afastaram do universo ao qual pertenciam, e conseguiram não apenas alienar a maior parte da população em relação às artes, mas também alienar as artes em relação à cultura. A preguiça como novo avant-garde pretende penetrar no último acto desta comédia auto-destrutiva. Nós não podemos viver preguiçosamente neste mundo sem falar sobre isso. Cabe-nos comentar longamente a tentativa vã de justificar a nossa posição em relação à preguiça criativa, ao ócio antónimo de negócio, mas isso equivale à tentativa de justificar a nossa contínua "criatividade". O que permanece obscuro em tudo isto consiste em não requerermos qualquer tipo de justificação; SER é para nós suficiente. A necessidade de expressão parece-nos apenas sintoma da mais terrível insegurança. Através das mais variadas expressões artísticas, apenas procurámos a relação perdida, porque toda a nossa expressão natural foi destruída (por inúmeras razões civilizacionais). É esta ânsia de conexão com o outro que impulsiona a expressão. Mas que conexão real existe entre o artista e o público, ou entre as pessoas, de forma a justificar a arte, quando o alheamento entre o artista, o público e a sua cultura se tornou tão completo? Todos nós queremos ser amados. Mas consideramos a arte coisa inútil para esse fim. Exigimos pois que a “preguiça d’arte” se torne unânime e permanente.


Texto-manifesto escrito por Nuno Miguel para o programa do espectáculo "Residência (Artística)", em Março de 2012, e assinado pelos seus criadores: Rogério Nuno Costa, André Santos, David Bernardes, Diana Coelho, Marta Coelho, Roger Madureira e Tânia Figueiras Ribeiro.




quarta-feira, 25 de setembro de 2013

TERCEIRA VIA™/KOLMAS TIE™






































The art of bowing to the East
Without mooning the West

Or about Third Way™ Ethics & Aesth(Ethics)



Visita e-guiada aos Headquarters do Partido + Conferência de Imprensa




Projecto inserido no programa "Cuidados Intensivos - Tempo e Fricção"
Curadoria: Joclécio Azevedo



“Para uma nova ordem ética, estética, política, sociológica e filosófica global, a Terceira Via™ erradica a ética do gosto, a ambiguidade, a narrativa (des)instituída, a criatividade, a originalidade, a ironia, a tretologia, todos os coming backs, "trendsectarisms" e respectivos novos pretos, a gaseificação da arte, a solidificação industrial da mesma, o conceito genérico (logo, comercial) de "performatividade", a hipsterização das práticas artísticas (ou seja, a redução da arte, e do resto, à disciplina do Design), a responsabilização do espectador, o sistema de "castas", a relação do eu com o outro, a confusão secular entre Arte e Desporto (também conhecida por "medalhização" mediática do art-leta), a arte que se parece com arte e a que se parece com coisas que não são Arte e, de um modo geral, todas as práticas para-artísticas (da recepção à crítica, da produção à promoção) que se inscrevem em regimes de primeira ou de segunda via. Ou seja, a Terceira Via™ erradica o Século XX. E todos os séculos para trás. E todos os séculos para a frente. A Terceira Via™ também erradica o Presente — é quanticamente a-temporal, a-espacial, a-histórica e a-moral. Ou seja, a Terceira Via™ é a-estética, porque est(ética): o copo não está nem meio cheio nem meio vazio — é só um copo! A Terceira Via™ subscreve uma triplicidade céptica e desacreditada. Céptica e desacreditadamente.”


in ‘A Lei da Terceira Via™’


Depois de "Residência (Artística)" e "Realpolitik" (2012), "Terceira Via™" fecha oAno Zero (biénio 2012/13) do macro-projecto "Universidade/Yliopisto". Estreia final em Dezembro de 2013, com lançamento do Plano de Intervenção para o Ano Um (biénio 2013/14). Esta será a segunda intervenção pública, logo política, do projecto “Terceira Via™”; a primeira ocorreu no passado mês de Março, enquanto resultado da residência 6x6 proposta pelo Núcleo de Experimentação Coreográfica (Porto). Nessa altura, a intervenção constitui-se enquanto “instauração de um macro-partido trans-universal, pós-dogmático e finlandizado, com epicentro no Báltico e abalos mais significativos na €uropa Periférica”. Agora, no contexto do projecto “Cuidados Intensivos”, o atendimento a futuros simpatizantes (instalação) será e-personalizado e duracional; paralelamente, três conferências de imprensa serão apresentadas ao vivo e difundidas via satélite para Helsínquia.

TERCEIRA VIA™ propõe um saneamento est(ético), logo profil(árctico), da "doença mediterrânea" (em Latim: Azeitegeist™). Para assistir às conferências, solicita-se a apresentação de um qualquer elemento de identificação do tipo PIIGS e a leitura atenta das normas de higiene (ISO 1+1=3) contidas no seguinte link.


[Performance falada em Português, Inglês e Finlandês]


TERCEIRA VIA™/KOLMAS TIE™

Instalação/Performance: Rogério Nuno Costa
Colaboração: Cátia Pinheiro
Fotografia/Artwork: António MV
Apoio a residências: Núcleo de Experimentação Coreográfica (Porto), HIAP (Helsínquia) 

Agradecimentos: Joana Ribas, Mika Palo, Ana Fradique, Jaakko Kiljunen, Mika 
Christian Tissari, Eva Malainho, Toni Ledentsa, Diego Barros, Diana Bastos Niepce, Klaus Ittonen, José Capela, Susana Mendes Silva, Mickaël Oliveira, Cristiana Rocha, Ulla Janatuinen, Elina Satu Maria Manner, Mafalda Couto Soares, Filipa Alves, Paulo Vasques, Plano Geométrico, Vera Mota, Gabriela Vaz-Pinheiro, José Nunes, Paulo Mendes.

Co-produção: Circular Associação Cultural, Curtas Metragens CRL
Solar Galeria de Arte Cinemática
Apoio: Fundação Calouste Gulbenkian




Horário Exposição:
Terça-Sexta / 14h30-18h00
Sábado-Domingo / 10h00-12h30/14h30-18h00


Horário Performances:
21 Setembro | Sábado | 19:00-21:00
27 Setembro | Sexta | 22:00-00:00
4 Outubro | Sexta | 22:00-00:00






Mais info:



sábado, 2 de março de 2013

SUOMETTUMINEN™



TERCEIRA VIA™ / KOLMAS TIE™
The art of bowing to the East without mooning the West



Instalação Pedagógica + Ajuda Profissional


Dia 4 de Março de 2013
Horário de Atendimento: das 19:30 às 23:30


Avenida Rodrigues de Freitas, 164, 1.º, Porto


Primeira intervenção pública, logo política, do projecto que visa a instauração de um macro-partido trans-universal, pós-dogmático e "finlandizado", com epicentro em Helsínquia e abalos mais significativos na €uropa Periférica. Atendimento personalizado a futuros simpatizantes (Escritório, NEC) + visita des-guiada aosheadquarters temporários (Espaço 6x6, NEC). TERCEIRA VIA™ propõe um saneamento est(ético), logo profil(árctico), da "doença mediterrânica" (em Latim:Azeitegeist). Solicita-se a apresentação de um qualquer elemento de identificação do tipo PIIGS e a leitura atenta destas normas de higiene (ISO 1+1=3).





Secretário-Geral_Rogério Nuno Costa
Secretária-Adjunta_Cátia Pinheiro
Vogais_Cristiana Rocha, Mafalda Couto Soares


Kiitos Suomalaisille_Ana Fradique, Tuukka Tammisaari, Nuno Correia, Ulla Janatuinen, Diana de Sousa, Rita Vargas, Eva Malainho, Elina Satu Maria Manner, Mika Christian Tissari, Diana Niepce, Joana Ribas

...Portugali_Diana Coelho, Roger Madureira, Tânia Figueiras Ribeiro, David Bernardes, Marta Coelho, André Santos, Filipa Alves, Filipe Gomes, José Capela, Paulo Vasques, Vera Mota, Gabriela Vaz-Pinheiro, Mickaël Oliveira, José Nunes, Uíca, Estufa, CITAC, O Espaço do Tempo, TAGV, Núcleo de Experimentação Coreográfica.


Depois de "Residência (Artística)" e "Realpolitik", "Terceira Via™" fechará o 'Ano Zero' (biénio 2012/13) do macro-projecto "Universidade/Yliopisto". Estreia final em Novembro de 2013, com lançamento do Plano de Intervenção para o 'Ano Um' (biénio 2013/14).



Mais info:


domingo, 24 de fevereiro de 2013

1 + 1 = 3



A Lei da Terceira Via™
[10 mandamentos]


01/
Na Terceira Via™, o mundo é exactamente igual ao mundo. Este mundo. Não há outro. 
02/
A Terceira Via™ não cria, revela; não representa, apresenta; não mostra, expõe; não fala, diz; não escreve, inscreve; não quer ser, é; não explica, enuncia. Na Terceira Via™, não se procura, encontra-se. Vai-se até onde se pode; quando não se pode, não se vai. Fica-se caladinho e espera-se pacientemente que o tempo mude. Ou não.
03/
A Terceira Via™ não aceita, mas também não nega. A Terceira Via™ agradece. Nem dialéctica negativa, nem dialéctica positiva, e não-dialéctica é coisa que não-existe. A Terceira Via™ não acredita na cura, mas também não na doença; não é um placebo, mas também não é um nocebo. Os efeitos da Terceira Via™ são sempre terciários.
04/
Na Terceira Via™ ninguém ganha e ninguém perde. Joga-se, mas para empatar. Sempre. Não há finalidade, portanto. A Terceira Via™ inaugura a era do empate técnico. Neutro, árctico e suicida. Show off a querer ser show out. Nunca show on.
05/
Na Terceira Via™ somos todos importantes, porque valemos todos zero. Não somos aquilo que valemos. Somos aquilo que dizemos ser. Not faking it 'til making it; faking it 'til becoming it.
06/
A Terceira Via™ é a-partidária, pária e demissionária. Porém, simpatiza artisticamente com o Dogma 2005, politicamente com o Pirat Partiet, religiosamente com o Kopimismo e filosoficamente com o Re-Re-Realismo (também conhecido por Realismo Gago™).
07/
Na Terceira Via™ nunca estamos lá dentro. Estamos sempre cá fora, a sorrir e a acenar. Sabemos sempre tudo, porque temos visão periférica. Somos transparentes: observamos os dois lados, o meio e o conjunto. Ou seja, na Terceira Via™ não vemos o mundo com óculos 3D. Vemos o mundo. Não corrigimos a miopia — gostamos mais de ver ao perto. O longe está muito longe. O aqui é melhor.
08/
Na Terceira Via™ fala-se Finlandês. Numa perspectiva semântica (a única que logística e linguisticamente interessa), estamos na Europa, mas não somos Europeus. Mas também por uma questão de Realpolitik: a Terceira Via™ é finlandizada porque faz de conta que não deve nada a ninguém. Se não os podemos vencer, não os convidamos para jogar.
09/
A Terceira Via™ não é inteligente. É só esperta. Sabe o que diz e di-lo com determinação. Vai até onde a vista alcança. E por isso gosta de ser clara. E jornalística. Responde: Quem? O quê? Onde? Quando? Como? Porquê? E deixa-se ficar. A Terceira Via™ não é, portanto, interessante. Ainda que pretensiosamente complexa, não é profunda, é rasteira, superficial e rasca. Ideologicamente, a Terceira Via™ é techno, é brega e é €TRASH™. A Terceira Via™ é pimba, o que não quer dizer que a Terceira Via™ seja do povo — a Terceira Via™ é povo. 
10/
Para uma nova ordem ética, estética, política, sociológica e filosófica global, a Terceira Via™ erradica a ética do gosto, a ambiguidade, a narrativa (des)instituída, a criatividade, a originalidade, a ironia, a tretologia, todos os coming backs, "trendsectarisms" e respectivos novos pretos, a gaseificação da arte, a solidificação industrial da mesma, o conceito genérico (logo, comercial) de "performatividade", a hipsterização das práticas artísticas (ou seja, a redução da arte, e do resto, à disciplina do Design), a responsabilização do espectador, o sistema de "castas", a relação do eu com o outro, a confusão secular entre Arte e Desporto (também conhecida por "medalhização" mediática do art-leta), a arte que se parece com arte e a que se parece com coisas que não são arte e, de um modo geral, todas as práticas para-artísticas (da recepção à crítica, da produção à promoção) que se inscrevem em regimes de primeira ou de segunda via. Ou seja, a Terceira Via™ erradica o Século XX. E todos os séculos para trás. E todos os séculos para a frente. A Terceira Via™ também erradica o Presente — é quanticamente a-temporal, a-espacial, a-histórica e a-moral. Ou seja, a Terceira Via™ é a-estética, porque est(ética): o copo não está nem meio cheio nem meio vazio — é só um copo. A Terceira Via™ subscreve uma triplicidade céptica e desacreditada. Céptica e desacreditadamente.
 


    quinta-feira, 6 de setembro de 2012

    #3. TERCEIRA VIA™

    Um tutorial, um disco externo, uma retrospetiva, um dogma 2012, um caderno de notas, um projeto site-specific, uma declaração de amor, um coletivo de artistas, uma mesa redonda, uma residência artística, um espaço devoluto, uma associação cultural, uma loja vintage, um clássico contemporâneo, uma música original, uma e-zine, um workshop, uma festa temática, um jantar performativo, um teatro político, uma arte urbana, um blog de tendências, uma viagem espiritual, um gender study, uma mixtape, uma rede cultural, um grupo de pressão, uma edição de autor.

    Ou seja, tudo o que é mau.






    Após "Residência (Artística)" e "Realpolitik", "Terceira Via™" fecha a trilogia "Universidade" (Ano Zero). Brevemente, num não-lugar qualquer (longe de si).




    sexta-feira, 6 de julho de 2012

    LO-FI -SOPHY

    REALPOLITIK
    UMA CORPORAÇÃO PÓS-HUMANA AO SERVIÇO DO AVANÇO
    DA BIOQUÍMICA MEDICINAL, DO TRANSPORTE AEROESPACIAL,
    DO ENTRETENIMENTO META-TRÓPICO E DA ENGENHARIA MEGALOFÍSICA.







    PARTE 1 — EMBARQUE

    “Cinema is the ultimate pervert art. It doesn’t give you what you desire — it tells you how to desire.” [Slavoj Žižek]

    Bem-vindo! Obrigado por ter escolhido a Realpolitik Inc. para o seu embarque no Novo Mundo. Antes de iniciarmos o Oscilador Harmónico, pedíamos que confirmasse que não tem em seu poder quaisquer objetos do Velho Mundo; eles serão completamente inúteis à construção do regime pós-humano. Todo e qualquer objeto deverá ser colocado no desfibrilhador quântico para ser automaticamente desintegrado. Tome algum tempo para consultar o Libreto de Embarque; vai reparar que ele está recheado de informações preciosas que o ajudarão a melhor compreender as ações pós-dramáticas da nossa tripulação; assim, em caso de dúvida, saberá o que pensar. O seu código genético está escrito nas costas da cadeira para, em caso de turbulência quântica, conseguir voltar a encontrar o seu lugar. Faz parte da política de segurança da Realpolitik, Inc. que os pré-cyborgs permaneçam conectados à nossa malha quântica durante toda a viagem purgatória. No caso de uma descompressão de emergência, retire cuidadosamente os elétrodos sofismais do seu corpo. No caso de uma perturbação amniótica disruptiva, as costas da sua cadeira poderão deslocar-se para trás, transformando-se em divã. Basta pressionar o botão F, e um holograma de Sigmund Freud estará pronto para o ajudar a recomprimir. Se o seu regime psikê for lacaniano, basta pressionar o botão vermelho, ou então, simplesmente, esfregar a lamparina cósmica para libertar o Génio. Durante os blackouts, coloque as mãos sobre a zona occipital da sua cabeça para libertar a endorfina somática, de maneira a fazê-lo sonhar com espetáculos do Velho Mundo. Se sentir que duas ações pós-dramáticas se sobrepõem, uma ubiquidade de fibra ótica cairá imediatamente à frente dos seus olhos, de maneira a fazê-lo ver as duas ações ao mesmo tempo. Se reparar que o espécime humano ao seu lado não possui um mestrado em Cultura Contemporânea, faça questão de o ajudar a compreender a incoerência pós-dramática de uma ação antes de visualizar a seguinte. Em matéria de pontos de fuga às ações principais, irá notar que nos interstícios aeroespaciais que intermedeiam os lugares existem inúmeras saídas de emergência para o Real ficcionado. Olhe à sua volta: uma câmara de videovigilância pode estar mesmo atrás de si! A Realpolitik Inc. só permite drogas nootrópicas a bordo. A ingestão de toda e qualquer substância alienante produzida no Velho Mundo é estritamente proibida dentro da Arca. Queira também aceitar a nossa prorrogativa que impede todo e qualquer tipo de comportamento nostálgico e/ou saudosista em relação ao Velho Mundo, para não interferir com a nossa missão colonizadora. Agora que já está inteirado da Deontologia Realpolítika, sente-se confortavelmente, relaxe, e seja um agente passivo! Em nome da Realpolitik Inc., desejamos-lhe uma agradável transição.




    PARTE 2 — ONTOTECNOLOGIA

    Em Ciência, significa diplomacia não ideológica, política coerciva, filosofia maquiavélica, sobrevivência a-moral. Em Teatro, significa demagogia triplamente realista, ou seja, re-re-re-realismo, também conhecido por Realismo Gago: nem diz ‘sim’, nem diz ‘não’, mas também não diz ‘talvez’. Reticente... Por uma questão de sobrevivência, Realpolitik encosta-se perigosamente a dois dos conceitos mais non grati da contemporaneidade: a VERDADE como ato revolucionário (que roubámos a Orwell) e a GENERALIZAÇÃO como atividade primeira do pensamento (que roubámos a Hegel). Em modo cartoon: “The art of bowing to East without mooning to West” (que roubámos à Pátria Finlandesa).

    SÍNTESE: Realpolitik não está na realidade. É realidade. Ao mesmo tempo paralela e perpendicular à que já conhecemos. Ou seja, Realpolitik é um sistema “triangulado”, ideologicamente “acima” e “entre” a clássica posição binária. Não tem nada a ver com a construção de uma filosofia “centrista”, mas antes com uma atitude analítica que reconcilia a dualidade, sem no entanto propor um compromisso. Ou seja, Realpolitik é realidade, mas é “realidade terceira”: perversa, finlandizada, anti-social, anti-neo-liberal e anti-anti-Kapital. Contemplatio mortis apocalyptica.

    PARTE 3 — HERMENÊUTICA (BÍBLICA)

    TESE: Uma das traves mestras mais importantes da filosofia Realpolitik tem o seguinte nome: “simultaneologia”. Ou seja, a ideologia do que acontece agora, já, em tempo real, e ao mesmo tempo. Também pode significar tudo aquilo que acontece durante, entretanto e enquanto. Não confundir, porém, “simultaneologia” com “simultaneidade”. Estamos a falar de ética, não de estética. E a ética “realpolítica” diz que tudo o que não está a acontecer agora, não existe. Cum hoc ergo propter hoc.

    ANTÍTESE: Realpolitik é uma corporação. Pós-humana e imaterial. Uma nuvem. Nela se condensa tudo aquilo que já aconteceu e tudo aquilo que vai acontecer. Porque é desprovida dos erros associados ao destino biológico, a Realpolitik apresenta-se enquanto entidade cyborguiana em permanente curto-circuito lógico: revê infinitamente e friamente as milhares de hipóteses de futuros e de passados possíveis. Post hoc ergo propter hoc.







    PARTE 4 — GÉNESIS

    Um espetáculo de teatro, ou seja, um vídeo-jogo, uma série de Ficção (científica) com 7 temporadas de 32 episódios cada, um filme de Hollywood sobre o Apocalipse, uma aplicação para o iPhone sobre a política (Real) da sobre-vivência. Um serviço ao serviço dos poderosos: só se salva quem pode. Uma corporação pós-humana para a mutação da teoria das cordas em teoria dos sopros. Como se o Fim do Mundo “as we (don’t) know it” implicasse um novo Adão e uma nova Eva, em estado gasoso, em molecular, em design. DAsein. Realpolitik é também um medicamento transgenérico e psicotrópico, a tomar antes do Embarque, contra enjoos quânticos e outras confusões comuns entre Arte e desporto. Realpolitik está assim para as indústrias criativas como os nocebos estão para a farmacologia: só provoca os efeitos secundários (os óculos 27-D são oferecidos pela produção). Do Outro Lado, seremos todos Anjos. Em Português,  significa ‘erradicação da espécie’. Em código numérico: ‘2012’.



    PARTE 5 — ÊXODO

    META-TESE: O Novo Mundo para o qual transitaremos com a ajuda da Realpolitik, Inc. não é uma utopia, mas também não é uma distopia; por conseguinte, também não será uma mistura das duas: nem um status quo, nem um state of the arts, nem uma strings theory aplicada à arte. O Novo Mundo pós-Apocalipse será “protópico” — exatamente igual ao Velho, apenas com uma ligeira diferença (infinitesimal) de foco. Cum hoc ergo cum hoc.



    PARTE 6 — DESEMBARQUE

    Morreram durante a construção da Arca os seguintes espécimes pré-humanos (a quem a Realpolitik, Inc. agradece):

    Rogério Nuno Costa | encenação/texto/espaço cénico.
    Roger Madureira | assistência de encenação.
    Nilce Vicente Carvalho | no papel de Híbrido NVC-AF ’83 Ctx.
    João Ferreira Silva | no papel de Híbrido JFS-WB ’88 Co.
    Pedro Fernandes | no papel de Híbrido PF-PB ’84 Pt.
    Vanessa Teixeira | no papel de Híbrido VT-OD ’89 VRl.
    João Viegas | no papel de Grande Outro.
    Patrícia Antunes | no papel de Segunda-Feira, 1.º Observador.
    Fábio Martins | no papel de Terça-Feira, 2.º Observador.
    Guilherme Pompeu | no papel de Quarta-Feira, 3.º Observador.
    Anabela Ribeiro | no papel de Quinta-Feira, 4.º Observador.
    Paula Gaitas | no papel de Sexta-Feira, 5.º Observador.
    João Nemo | no papel de Sábado, 6.º Observador.
    Liliane Guerrano papel de Domingo, Observador Psíquico.
    Rogério Nuno Costa | no papel de Slavoj Žižek.
    Paula Gaitas | desenho e operação de luz.
    Leandro Silva | vídeo promocional.
    Roger & Roger Inc. | grafismo, art work & vídeo-jogos.
    Cátia Manso & Liliane Guerra | cabelos/make-up/vestuário).
    Anabela Ribeiro/Cátia Manso/Nilce V. Carvalho/Patrícia Antunes | prod. executiva.
    CITAC 2012produção.



    Financiou a Arca e toda a investigação megalophysica:
    Fundação Calouste Gulbenkian.


    Contribuíram logisticamente para a exterminação da raça:
    Câmara Municipal de Coimbra, Persona Non Grata, Máfia, SASUC, Casa da Cultura, TAGV, Estrutura, Grupo de Teatro da Nova, A Escola da Noite, Orfeon Académico de Coimbra, TEUC, TAUC, AAC, RUC, TVAAC.



    Honoris causas (catedráticos do empreendimento colonizador):
    Cátia Pinheiro, José Nunes, Mariana Tengner Barros, Mickael Oliveira, Nuno Miguel, André Santos, Marta Coelho, David Bernardes, Diana Coelho, Tânia Figueiras Ribeiro, Peter Shuy, Emmanuel Veloso, Pedro Penim, Gil Mac, Isabel Ramos, Helena Teixeira, Leandro Monteiro, Maria Luísa Pinto da Costa, Rui Cardoso, Marcelo Laguna.


    Mais: