terça-feira, 6 de janeiro de 2009

UNIVERSITAS MAGISTRORUM AC SCHOLARIUM

RESOLUÇÕES DE 2009
[remisturadas para 2011]
[concretizadas em 2013]


Digo:
  • ...Que em 2009 não me vou calar; 
  • Que em 2009 vou levar dois pares de estalos a ver se acordo (para a vida!, não para a arte...); 
  • Que em 2009 vou continuar a "fazer"; 
  • Ou seja, que em 2009 também vou continuar a "não fazer"; 
  • O que significa que em 2009 há coisas que "não vou fazer mais". Por exemplo:

Vou fazer: 
  • Outros espectáculos, espectáculos outros, ou então só espectáculos (sem aspas, nem itálicos ou qualquer outra simbologia ortográfica mais ou menos sublinhante/desviante). Espectáculos a fazer:
  • [...] 
  • "UNIVERSIDADE", primeiro ano lectivo de uma coisa que é uma pergunta (porque já toda a gente sabe que não há respostas...). Pergunta: 'E se todas as pessoas do mundo esperassem por mim em suas casas numa atitude sindromática de "segundo dia"?' (Sabem perfeitamente que o "primeiro" é sempre melhor, mas também sabem que há-de chegar o dia em que a regra terá a sua excepção...) — um "Vou A Tua Casa" à escala planetária? Sim. Pediram, eu vou fazer: de um particular para um universal (ou não). Finalmente! Porque 2009 quer-se pop. Não da art; mas da vid! Enough pop-art; we want pop-vid! 

Vou deixar de fazer (leia-se: inventar):
  • "Espectáculos", ou 'espectáculos', ou «espectáculos», ou (espectáculos), ou [espectáculos], ou *espectáculos*, ou !espectáculos!, ou seja, qualquer espectáculo do tipo itálico que é espectáculo mas que pode muito bem ser outra coisa qualquer sem que ninguém com meio dedo de testa precise de ter um AVC psico-semântico antes ainda de sair de casa para ir assistir. Porque eu digo: ENOUGH ESPECTÁCULOS SOBRE! ...SOBREtudo porque tudo o que fiz até hoje se enquadra na tipologia genérica do "espectáculo itálico", e porque tudo o que fiz até hoje foi sempre sobre alguma coisa (em última análise, terá sido sempre sobre o próprio espectáculo), então acabo. Mas para poder continuar! Tenho cá umas ganas de uma terceira viazita de limão... 

Vou continuar:
  • A arranjar mais lenha para me queimar; 
  • A perder tempo a dizer aos idiotas que são idiotas; 
  • A pregar a minha nova religião — o EMO-FINLANDISMO — e a ser cada vez mais gelado que nem um fiorde, e cada vez mais neutro que nem um partido do centro, e cada vez tão carismático quanto uma amiba morta, e cada vez mais alheado não do mundo onde vivo, mas do mundo onde querem que eu esteja — I cut myself 'cause the pain keeps me alive! Deixem-se de tretas, ó velhas carpideiras! Não é para morrer, é só para chamar a atenção: COMUNICAÇÃO! Da social, da pessoal, da privada e da íntima. É pecado dizer "sim", é pecado dizer "não". ENOUGH DIALECTICS! Eu só quero é agradecer: a todos aqueles (e aquilos) que me deram matéria para eu poder fazer e dizer o que fiz, e para eu continuar a fazer e a dizer o que faço. Porque não se pode só dizer, porque não se pode só fazer. Porque não se pode só dizer que se faz e fazer-se a seguir. Há que dizer, fazer, explicar porque se disse e se fez e a seguir desdizer tudo e nunca mais fazer. Parar! Porque eu quero outra coisa: Terceira Via, empate técnico, emo-finlandização...
  • Ou seja: irritar os amigos e os "amigos" [velhas carpideiras!] com afirmações retóricas do tipo "não faço mais". 'Mas não fazes mais o quê?...' — gostava tanto que me perguntassem! Mas não, desata tudo a ter AVC's psico-semânticos... 
  • ...coisas (arrufos!) facilmente resumíveis no seguinte sketch:



...sendo que eu sou claramente a pessoa que não sabe "cantar", mas também sou claramente a pessoa que emo-finlandizadamente "dá a volta" (não por cima, isso garantidamente não sei; mas por "baixo", porque é na "base" que está o segredo!): frango será sempre frango, ananás será sempre ananás, pepperoni será sempre pepperoni; o segredo, esse, está na massa; o segredo, esse, está na "base"! Porque eu sou do ontológico, não quero o antológico. E isto chama-se EMO-FINLANDIZAÇÃO: terceira via, empate técnico... E é aqui que eu quero estar. Em 2009, ou noutro ano qualquer. NO PASARAN! Sou eu que digo...



sábado, 29 de novembro de 2008

U-turn

Tudo sobre o renascer pós-artístico, pós-moderno e pós-mortem do Rogério Nuno Costa after Kant after Duchamp. Das cinzas. E das ideias. Soluções devidamente finlandizadas para a próxima década. Sem artes. Nem ofícios. Só virtualidades. Só Ubiquidades. Não queremos mais existir. Queremos e-xistir: empate técnico. Terceira Via™. O verdadeiro fim do fim.


Universidade:
A partir de 2012, noutro sítio que não este.





SINTOMAS EM ERUPÇÃO, NESTE BLOG, E NESTE.




sábado, 11 de outubro de 2008

PROTOACADEMIA MEDIEVO-CONTEMPORÂNEA



NEM NEGAÇÃO, NEM ACEITAÇÃO; GRATIDÃO!



A Magna Reitoria da Protoacademia Medievo-Contemporânea "The Curator's School" informa que o seu principal mentor e instrutor, Rogério Nuno Costa, estará nos próximos dias 13, 14 e 15 de Outubro na cidade holandesa de Arnhem, a dirigir um curso inserido no master program em Coreografia da escola ArtEZ, Dance Unlimited. Será esta mais uma experiência-piloto com vista à instauração da "Universidade" [projecto universal, universitário e universalizante], com arranque previsto para o ano lectivo 2011/2012. Todas as informações relativas ao "Processo de Vila do Conde", proposta para uma reforma estrutural do ensino meta-artístico, será tornada pública ainda este ano. a "Universidade" não é um projecto artístico. Não nega, nem aceita; agradece! Bem-vindos à Terceira Via™; bem-vindos à era do empate técnico. Brevemente, num ecrã perto de si...


NEM NEGAÇÃO, NEM ACEITAÇÃO; GRATIDÃO!

 
 


quarta-feira, 16 de abril de 2008

VIGIAR E PUNIR

©Ange Leccia, "Arrangement Stasi", 1990


(...) Ora, o estudo desta microfísica supõe que o poder nela exercido não seja concebido como uma propriedade, mas como uma estratégia, que seus efeitos de dominação não sejam atribuídos a uma "apropriação", mas a disposições, a manobras, a tácticas, a técnicas, a funcionamentos; que se desvende nele antes uma rede de relações sempre tensas, sempre em actividade, que um privilégio que se pudesse deter; que lhe seja dado como modelo antes a batalha perpétua que o contrato que faz uma cessão ou a conquista que se apodera de um domínio. Temos em suma que admitir que esse poder se exerce mais que se possui, que não é o "privilégio" adquirido ou conservado da classe dominante, mas o efeito de conjunto de suas posições estratégicas — efeito manifestado e às vezes reconduzido pela posição dos que são dominados. Esse poder, por outro lado, não se aplica pura e simplesmente como uma obrigação ou uma proibição, aos que "não têm"; ele investe-os, passa por eles e através deles; apoia-se neles, do mesmo modo que eles, na sua luta contra esse poder, apoiam-se por sua vez nos pontos em que este os alcança. O que significa que essas relações aprofundam-se dentro da sociedade, que não se localizam nas relações do estado com os cidadãos ou na fronteira das classes e que não se contentam em reproduzir ao nível dos indivíduos, dos corpos, dos gestos e dos comportamentos, a forma geral da lei ou do governo; que se há continuidade (realmente elas articulam-se bem, nessa forma, de acordo com toda uma série de complexas engrenagens), não há analogia nem homologia, mas especificidade do mecanismo e de modalidade. Finalmente, não são unívocas; definem inúmeros pontos de luta, focos de instabilidade comportando cada um seus riscos de conflito, de lutas e de inversão pelo menos transitória da relação de forças. A derrubada desses "micropoderes" não obedece portanto à lei do tudo ou nada; ele não é adquirido de uma vez por todas por um novo controle dos aparelhos nem por um novo funcionamento ou uma destruição das instituições; em compensação, nenhum de seus episódios localizados pode ser inscrito na história senão pelos efeitos por ele induzidos em toda a rede em que se encontra. Seria talvez preciso renunciar também a toda uma tradição que deixa imaginar que só pode haver saber onde as relações de poder estão suspensas e que o saber só pode desenvolver-se fora das suas injunções, das suas exigências e dos seus interesses. Seria talvez preciso renunciar a crer que o poder enlouquece e que, em compensação, a renúncia ao poder é uma das condições para que se possa tornar-se sábio. Temos antes que admitir que o poder produz saber (e não simplesmente favorecendo-o porque o serve ou aplicando-o porque é útil); que poder e saber estão directamente implicados; que não há relação de poder sem constituição correlata de um campo de saber, nem saber que não suponha e não constitua ao mesmo tempo relações de poder. Essas relações de "poder-saber" não devem então ser analisadas a partir de um sujeito do conhecimento que seria ou não livre em relação ao sistema do poder; mas é preciso considerar, ao contrário, que o sujeito que conhece, os objectos a conhecer e as modalidades de conhecimento são outros tantos efeitos dessas implicações fundamentais do poder-saber e de suas transformações históricas. Resumindo, não é a actividade do sujeito de conhecimento que produziria um saber, útil ou arredio ao poder, mas o poder-saber, os processos e as lutas que o atravessam e que o constituem, que determinam as formas e os campos possíveis do conhecimento.

[Michel Foucault, in "Vigiar e Punir", 1975]