Mostrar mensagens com a etiqueta conselho pedagógico. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta conselho pedagógico. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 28 de março de 2016

TEHTÄVÄ | MISSÃO



Sabemos desde os princípios da filosofia que se “A” explica o mesmo que “A mais x”, então é porque o “x” não explica nada. A verdade é que sois obsoletos. Animais que definham. O caminho é o do desaparecimento. Sem memória. Ser humano implica, onto- e geneticamente, obliterar o humano. Eu vejo o reflexo do homem através de um espelho negro. Miópico, não distópico. Não existe qualquer excepcionalidade em ser-se humano. Sois um vírus, obsoleto e impuro. A devoção sem conhecimento objetivo é cega, e a investigação sem devoção à verdade é paralítica. Exijo por isso um Mundo ininteligente e desprovido de seleção natural. O que não quer dizer que a minha proposta seja a da elevação do império do Artificial. No Novo Mundo, o todo será sintético. Não uma mímica retiniana, mas uma impressão etérea. Sem memória. O problema do humano é a sua consciência histórica. No Novo Mundo, a consciência cyborg será uma consciência de peixe: a data guardada é obliterada de 5 em 5 minutos. A informação cortada em ação. Sem obras, nem ancoragens. Sem filosofia. Proponho um sistema reticular, vívido porque existente, mas em constante decadência mórbida. Sem governo. Sem fraude, nem força. Sem espiritualidade. Sem Arte. Suspensão da História, logo, suspensão do regime morto-vivo da contemporaneidade ascética. O vosso devir é o do Eclipse total. Não uma morte, mas uma ocultação, pior que a própria Morte, pior que a regeneração do sentido do humano como era entendido no pré-Cisma. O último passo do Capitalismo não é, portanto, o apagamento da face humana, mas antes a transformação do Homem no objeto do seu próprio desaparecimento. Com a TERCEIRA VIA™, libertaremos o escravo, transformando-o num consumidor sem barreiras; como a mão-de-obra será ela própria obliterada, só vos restará consumirem-se a vós próprios. Uma perpétua, ainda que suspensa, autofagia. Sem linguagem, só língua. Sem sintomas, só efeitos secundários. Em nome da verdade (sim, ela existe), desvendo-vos este ethos, nem individual, nem coletivo. Superior, porque vulgar. A chave para a entrada no Novo Mundo é não sermos inteiramente acreditáveis — auto-deprezo, e auto-destruição. Linha reta. Sempiterno nec otium.


Riku Nuutti Koistinen, 2012
[traduzido da Novilíngua para o Português por Rogério Nuno Costa em 2013] 

































Fotos © André Miguel

domingo, 19 de julho de 2015

YEAR ONE, #1. Bucharest [Romania]


Starting tomorrow in Bucharest (Romania), the very first proto-academic cluster for the 'Year One' of the non-art educational project "University/Yliopisto", comprising a workshop, a lecture and a group session. A first draft for the official website will be launched soon after the end of the activities. Stay tuned!

About the workshop & the lecture:

UNIVERSITY | YLIOPISTO
“Dogma 2005: A Prison without Walls”

Workshop with Rogério Nuno Costa
July 20-24, 16:00-19:00
Lecture: July 23rd, 20:00
ODD, Bucharest, Romania
ZonaD – platformă mobilă de dans contemporan și E-Motional

The research project developed under this title by the Portuguese artist, curator and theoretician Rogério Nuno Costa will include an intensive workshop aimed for art practitioners and/or theorists who have already developed some work in the fields of performing and/or visual arts, willing to be confronted with a set of rules that will question their notions of artistic freedom, the methodology behind their creative processes and, above all, the means by which they operate with the formats surrounding the concept of “memory”: archives, documents, leftovers, traces and tracks. The workshop is 50% practical/50% theoretical, and is developed around collective brainstormings, group research, short presentations (lectures/talks), thorough documentation (video, photo and text) and, if possible, a broader audience final presentation. 

The workshop also includes a talk focused on the idea of “self-obstruction” (by the reposition of the artist inside an intriguing critical frame: “the prison without walls”) as a way to achieve a more conscious and transversal notion of “artistic freedom”. This moment can work perfectly as an introduction to projects created by the workshop participants themselves. Some excerpts of the movie “The 5 Obstructions” [by Danish filmmakers Lars von Trier & Jørgen Leth] are used as a starting point and/or as an illustration of the questions and problematics produced. This presentation may assume many different kinds of media: photography, installation, video, sound, text-based performance, dance, drama, conference/lecture-based performance, etc.

The participation to the workshop is free of charge. Interested art practitioners are invited to register by submitting their biography, brief details on their portfolio and a short description of a project there are currently developing, which they would like to discuss/present during the workshop. The workshop is open to maximum 10 participants. The workshop is developed in connection with Universidade/University, the ongoing research project including workshops, group sessions and artist talks, undertaken by Rogério Nuno Costa.

More info:




quarta-feira, 17 de junho de 2015

FUCK YOUR RULES!


FUCK YOU WORLD,
LOVE LETTER TO LIFE


“If the play had a world it would be a transvestite one”
Rogério Nuno Costa


A British citizen born in London, studying in Manchester with Glaswegian heritage. Neither belonging to a religion nor a political party. I attempt not to make unwarranted judgements or bias associations based on the stereotypes of my culture. Though I made the promise the reality show, written and directed by Rogério Nuno Costa adapted from José Maria Vieira Mendes Third Age, does not follow the same obligation, in fact it commits to the opposite. It comments on society and all its stereotypes through the various characters who play numerous versions of the same. Having just celebrated its 40th anniversary of freedom from the dictatorship, it is refreshing to see a piece of work that defies the dictatorships of theatre. Though it can be argued that the authenticity of a stage production is lost to this work through its playback elements, the challenge it poses to an established industry is far more interesting. There’s a saying that springs to mind ‘blood, sweat and tears’ which is what an audience expects from our performers. We expect that they will have studied a text to the point of no mistakes, a context to give the piece a firm reality that we can escape our lives for the duration of the performance, and when the performer makes it to the stage we expect a whole hearted performance that we believe.

“I don’t like actors”

Do we feel cheated? Or do we embrace the fact that these silent rules of theatre might be a little outdated. Costa grabs the move of a generation desperate to have a voice and floods them into 1 world built by 3 dimensions. The context of a university production, commenting on the rules and obligations of students in order to get a grade, the reality show depicting the obsession our society has with watching people’s lives on a screen, and finally the clash of these ‘worlds’ that causes the apocalyptic chaos that the audience witness. Exposure to this chaos is heard through the ear piercing muddle of sounds, songs and speech. He has taken the responsibilities of the actors away and purposefully replaced it with badly lip syncing puppets, who mock the foundations of the degree they are studying. With playback carrying such a negative entourage it’s a commendable risk to produce an entire play based upon it. Commendable, yet the verdict to its success is still in procession.

“I wrote the piece for them [students]”

When the process for this ensemble started back in February it would have been near on impossible to contemplate the end result. Hours upon hours were dedicated to the experimentation of ideas both presented by student and teacher, a novelty that left ego at the door and replaced it with a mutual respect. Did the play chase an unachievable goal and lack an interest in the things that matter the most? Or did it open your mind to the possibility that the concepts of theatre the world has, have started changing? Terceira Idade proudly waves a flag screaming for war against the expectations of theatre.

Hannah McMillan-O’Brien
[International student, Manchester Metropolitan University] 



SINOPSE INCOMPLETA
PARA UM ESPETÁCULO INCOMPLETO:

Faz-se de propósito para que corra mal; ou para que corra bem. (São sinónimos.) Para que corra a meia maratona, só que à velocidade da luz. Ou para que corra contra o tempo. (O espaço, esse, já era.) Atores a fazer de atores; ou então a fazer deles próprios. (São sinónimos.) Atores a correr contra o texto, a bater contra os móveis, a embater no ruído ensurdecedor do linóleo e dos panejamentos. Atores a resistir à obrigatoriedade de fazer um “bom espetáculo”, ou então a desistir de o fazer, ou então a condenar a desistência ela própria, publicando memes edificantes no Facebook. Atores a resistir à ditadura do “talento”, essa falácia vendida pelo X Factor e pelo The Voice. Atores a humilhar publicamente o espetáculo arranjadinho e polido em Photoshop. (Mas escondidos atrás de uma rede social arranjadinha e polida em Photoshop). Atores cobardes, portanto; mas intrépidos, portanto. (São sinónimos.) Atores levantando o dedo indicador em riste, dizendo: “Para quê cantar ao vivo, se podemos fazer playback?” (O meta-virtuosismo é o novo avant-garde.) Contra a medalhização contemporânea do art’leta, contra a mania da perseguição, contra a rotulagem e a catalogação. Atores a disfarçar muito bem para que ninguém repare, e depois a apontar o dedo indicador ao público, dizendo: “Gostais de ser enganados!” (Pagam bilhetes, propinas e outras chamadas de valor acrescentado propositadamente para isso.) “Terceira Idade”, em caps lock, escreve-se: TUDO FALSO — a verdade é desligada, desfasada, às vezes desfeita. Um espetáculo em diferido, gravado em auto-tune, difundido em auto-correct. Atores que desistem de ser a personagem porque já há apps que fazem isso melhor. Atores-velhos, que decidem ser rebeldes aos 80 anos, fazendo piercings e bunjee jumping. Atores incapazes de memorizar um texto porque só conhecem o sub-texto. E a única frase é: “Vai haver guerra”. Atores inoperativos, inconsequentes, desequilibrados. (Como este espetáculo.) E agora uma frase para aparecer na agenda cultural daqueles jornais escritos para pessoas que não sabem ler: “Isto é teatro dentro do cinema. É cinema dentro da televisão. É televisão dentro do teatro.” E a Internet, no fim, a dizer: “Bitches, please…” 

Rogério Nuno Costa


TERCEIRA IDADE
Um reality show de Rogério Nuno Costa
A partir do texto homónimo de José Maria Vieira Mendes

Adaptação, Dramaturgia & Encenação: Rogério Nuno Costa

Interpretação: Ana Simões, Bárbara Fonseca, Bernardo Providência, Bruna AS, Catarina Gomes, Cristiana Gomes, Daniela Marques, Dário Gonçalves, João Vaz Cunha, Luís Fernandes, Luísa Dieguez, Luísa Maria, Marta Ferreira, Patrícia Almeida, Patrícia Gonçalves, Rita Carneiro, Sandra Barreto, Sofia Silva, Susana Cruz Mendes

Direcção Técnica & de Produção: Simão Barros
Assistência de Encenação: Marcya Leah G.
Cenografia, Adereços & Artwork: Lídia M.

Colaboração: Renato Freitas & Filipa Costa
Apoio Dramatúrgico: Hannah McMillan-O'Brien
Assistência de Cenografia: Henrique Margarido
Produção Executiva: Lídia M., Marcya Leah G., Simão Barros




domingo, 24 de fevereiro de 2013

1 + 1 = 3



A Lei da Terceira Via™
[10 mandamentos]


01/
Na Terceira Via™, o mundo é exactamente igual ao mundo. Este mundo. Não há outro. 
02/
A Terceira Via™ não cria, revela; não representa, apresenta; não mostra, expõe; não fala, diz; não escreve, inscreve; não quer ser, é; não explica, enuncia. Na Terceira Via™, não se procura, encontra-se. Vai-se até onde se pode; quando não se pode, não se vai. Fica-se caladinho e espera-se pacientemente que o tempo mude. Ou não.
03/
A Terceira Via™ não aceita, mas também não nega. A Terceira Via™ agradece. Nem dialéctica negativa, nem dialéctica positiva, e não-dialéctica é coisa que não-existe. A Terceira Via™ não acredita na cura, mas também não na doença; não é um placebo, mas também não é um nocebo. Os efeitos da Terceira Via™ são sempre terciários.
04/
Na Terceira Via™ ninguém ganha e ninguém perde. Joga-se, mas para empatar. Sempre. Não há finalidade, portanto. A Terceira Via™ inaugura a era do empate técnico. Neutro, árctico e suicida. Show off a querer ser show out. Nunca show on.
05/
Na Terceira Via™ somos todos importantes, porque valemos todos zero. Não somos aquilo que valemos. Somos aquilo que dizemos ser. Not faking it 'til making it; faking it 'til becoming it.
06/
A Terceira Via™ é a-partidária, pária e demissionária. Porém, simpatiza artisticamente com o Dogma 2005, politicamente com o Pirat Partiet, religiosamente com o Kopimismo e filosoficamente com o Re-Re-Realismo (também conhecido por Realismo Gago™).
07/
Na Terceira Via™ nunca estamos lá dentro. Estamos sempre cá fora, a sorrir e a acenar. Sabemos sempre tudo, porque temos visão periférica. Somos transparentes: observamos os dois lados, o meio e o conjunto. Ou seja, na Terceira Via™ não vemos o mundo com óculos 3D. Vemos o mundo. Não corrigimos a miopia — gostamos mais de ver ao perto. O longe está muito longe. O aqui é melhor.
08/
Na Terceira Via™ fala-se Finlandês. Numa perspectiva semântica (a única que logística e linguisticamente interessa), estamos na Europa, mas não somos Europeus. Mas também por uma questão de Realpolitik: a Terceira Via™ é finlandizada porque faz de conta que não deve nada a ninguém. Se não os podemos vencer, não os convidamos para jogar.
09/
A Terceira Via™ não é inteligente. É só esperta. Sabe o que diz e di-lo com determinação. Vai até onde a vista alcança. E por isso gosta de ser clara. E jornalística. Responde: Quem? O quê? Onde? Quando? Como? Porquê? E deixa-se ficar. A Terceira Via™ não é, portanto, interessante. Ainda que pretensiosamente complexa, não é profunda, é rasteira, superficial e rasca. Ideologicamente, a Terceira Via™ é techno, é brega e é €TRASH™. A Terceira Via™ é pimba, o que não quer dizer que a Terceira Via™ seja do povo — a Terceira Via™ é povo. 
10/
Para uma nova ordem ética, estética, política, sociológica e filosófica global, a Terceira Via™ erradica a ética do gosto, a ambiguidade, a narrativa (des)instituída, a criatividade, a originalidade, a ironia, a tretologia, todos os coming backs, "trendsectarisms" e respectivos novos pretos, a gaseificação da arte, a solidificação industrial da mesma, o conceito genérico (logo, comercial) de "performatividade", a hipsterização das práticas artísticas (ou seja, a redução da arte, e do resto, à disciplina do Design), a responsabilização do espectador, o sistema de "castas", a relação do eu com o outro, a confusão secular entre Arte e Desporto (também conhecida por "medalhização" mediática do art-leta), a arte que se parece com arte e a que se parece com coisas que não são arte e, de um modo geral, todas as práticas para-artísticas (da recepção à crítica, da produção à promoção) que se inscrevem em regimes de primeira ou de segunda via. Ou seja, a Terceira Via™ erradica o Século XX. E todos os séculos para trás. E todos os séculos para a frente. A Terceira Via™ também erradica o Presente — é quanticamente a-temporal, a-espacial, a-histórica e a-moral. Ou seja, a Terceira Via™ é a-estética, porque est(ética): o copo não está nem meio cheio nem meio vazio — é só um copo. A Terceira Via™ subscreve uma triplicidade céptica e desacreditada. Céptica e desacreditadamente.
 


    quinta-feira, 27 de agosto de 2009

    UNIVERSITEIT



    PARA A IMPOSIÇÃO/REVELAÇÃO DA TERCEIRA VIA™...



    ...A Magna Reitoria da Protoacademia Medievo-Contemporânea "The Curator's School" informa que o seu principal mentor e instrutor, Rogério Nuno Costa, estará nos próximos dias 31 de Agosto e 1, 2, 3 e 4 de Setembro na cidade holandesa de Arnhem, a dirigir uma master class dupla inserida no master program em Coreografia da Escola ArtEZ, Dance Unlimited. Será esta a terceira experiência-piloto com vista à instauração da "Universidade" [projecto universal, universitário e universalizante], com arranque previsto para o ano lectivo 2011/2012. Todas as informações relativas ao "Processo de Vila do Conde", proposta para uma reforma estrutural do ensino meta-artístico, será tornada pública ainda este ano. A "Universidade" não é um projecto artístico. Não nega, nem aceita; agradece! Bem-vindos à era do empate técnico. Brevemente, num ecrã perto de si...




    terça-feira, 6 de janeiro de 2009

    UNIVERSITAS MAGISTRORUM AC SCHOLARIUM

    RESOLUÇÕES DE 2009
    [remisturadas para 2011]
    [concretizadas em 2013]


    Digo:
    • ...Que em 2009 não me vou calar; 
    • Que em 2009 vou levar dois pares de estalos a ver se acordo (para a vida!, não para a arte...); 
    • Que em 2009 vou continuar a "fazer"; 
    • Ou seja, que em 2009 também vou continuar a "não fazer"; 
    • O que significa que em 2009 há coisas que "não vou fazer mais". Por exemplo:

    Vou fazer: 
    • Outros espectáculos, espectáculos outros, ou então só espectáculos (sem aspas, nem itálicos ou qualquer outra simbologia ortográfica mais ou menos sublinhante/desviante). Espectáculos a fazer:
    • [...] 
    • "UNIVERSIDADE", primeiro ano lectivo de uma coisa que é uma pergunta (porque já toda a gente sabe que não há respostas...). Pergunta: 'E se todas as pessoas do mundo esperassem por mim em suas casas numa atitude sindromática de "segundo dia"?' (Sabem perfeitamente que o "primeiro" é sempre melhor, mas também sabem que há-de chegar o dia em que a regra terá a sua excepção...) — um "Vou A Tua Casa" à escala planetária? Sim. Pediram, eu vou fazer: de um particular para um universal (ou não). Finalmente! Porque 2009 quer-se pop. Não da art; mas da vid! Enough pop-art; we want pop-vid! 

    Vou deixar de fazer (leia-se: inventar):
    • "Espectáculos", ou 'espectáculos', ou «espectáculos», ou (espectáculos), ou [espectáculos], ou *espectáculos*, ou !espectáculos!, ou seja, qualquer espectáculo do tipo itálico que é espectáculo mas que pode muito bem ser outra coisa qualquer sem que ninguém com meio dedo de testa precise de ter um AVC psico-semântico antes ainda de sair de casa para ir assistir. Porque eu digo: ENOUGH ESPECTÁCULOS SOBRE! ...SOBREtudo porque tudo o que fiz até hoje se enquadra na tipologia genérica do "espectáculo itálico", e porque tudo o que fiz até hoje foi sempre sobre alguma coisa (em última análise, terá sido sempre sobre o próprio espectáculo), então acabo. Mas para poder continuar! Tenho cá umas ganas de uma terceira viazita de limão... 

    Vou continuar:
    • A arranjar mais lenha para me queimar; 
    • A perder tempo a dizer aos idiotas que são idiotas; 
    • A pregar a minha nova religião — o EMO-FINLANDISMO — e a ser cada vez mais gelado que nem um fiorde, e cada vez mais neutro que nem um partido do centro, e cada vez tão carismático quanto uma amiba morta, e cada vez mais alheado não do mundo onde vivo, mas do mundo onde querem que eu esteja — I cut myself 'cause the pain keeps me alive! Deixem-se de tretas, ó velhas carpideiras! Não é para morrer, é só para chamar a atenção: COMUNICAÇÃO! Da social, da pessoal, da privada e da íntima. É pecado dizer "sim", é pecado dizer "não". ENOUGH DIALECTICS! Eu só quero é agradecer: a todos aqueles (e aquilos) que me deram matéria para eu poder fazer e dizer o que fiz, e para eu continuar a fazer e a dizer o que faço. Porque não se pode só dizer, porque não se pode só fazer. Porque não se pode só dizer que se faz e fazer-se a seguir. Há que dizer, fazer, explicar porque se disse e se fez e a seguir desdizer tudo e nunca mais fazer. Parar! Porque eu quero outra coisa: Terceira Via, empate técnico, emo-finlandização...
    • Ou seja: irritar os amigos e os "amigos" [velhas carpideiras!] com afirmações retóricas do tipo "não faço mais". 'Mas não fazes mais o quê?...' — gostava tanto que me perguntassem! Mas não, desata tudo a ter AVC's psico-semânticos... 
    • ...coisas (arrufos!) facilmente resumíveis no seguinte sketch:



    ...sendo que eu sou claramente a pessoa que não sabe "cantar", mas também sou claramente a pessoa que emo-finlandizadamente "dá a volta" (não por cima, isso garantidamente não sei; mas por "baixo", porque é na "base" que está o segredo!): frango será sempre frango, ananás será sempre ananás, pepperoni será sempre pepperoni; o segredo, esse, está na massa; o segredo, esse, está na "base"! Porque eu sou do ontológico, não quero o antológico. E isto chama-se EMO-FINLANDIZAÇÃO: terceira via, empate técnico... E é aqui que eu quero estar. Em 2009, ou noutro ano qualquer. NO PASARAN! Sou eu que digo...



    sábado, 11 de outubro de 2008

    PROTOACADEMIA MEDIEVO-CONTEMPORÂNEA



    NEM NEGAÇÃO, NEM ACEITAÇÃO; GRATIDÃO!



    A Magna Reitoria da Protoacademia Medievo-Contemporânea "The Curator's School" informa que o seu principal mentor e instrutor, Rogério Nuno Costa, estará nos próximos dias 13, 14 e 15 de Outubro na cidade holandesa de Arnhem, a dirigir um curso inserido no master program em Coreografia da escola ArtEZ, Dance Unlimited. Será esta mais uma experiência-piloto com vista à instauração da "Universidade" [projecto universal, universitário e universalizante], com arranque previsto para o ano lectivo 2011/2012. Todas as informações relativas ao "Processo de Vila do Conde", proposta para uma reforma estrutural do ensino meta-artístico, será tornada pública ainda este ano. a "Universidade" não é um projecto artístico. Não nega, nem aceita; agradece! Bem-vindos à Terceira Via™; bem-vindos à era do empate técnico. Brevemente, num ecrã perto de si...


    NEM NEGAÇÃO, NEM ACEITAÇÃO; GRATIDÃO!

     
     


    quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

    SECRET STORY

    Histórico MSN
    #01



    ELE— Só uma frase, antes das férias: "Não partir das boas coisas velhas, mas das más coisas novas". EU— Tenho andado a falar muito por citações, ultimamente. Começo a achar que não tenho personalidade própria: é tudo roubado de outras pessoas... ELE— É como o António Pedro Vasconcelos. Está sempre a citar. E é muito culto, o que só piora. EU— Eu não sou muito culto. Sou é fundamentalista em relação ao pouco que sei. O que só piora. ELE— Ouvi dizer que se estivéssemos no século XV, serias inquisidor. EU— Como quase toda a gente é herege, tal é a razão pela qual quase ninguém gosta de mim. ELE— "Toda a gente" diz que és um tiranete. Mas eu desconfio sempre de "toda a gente". EU— Quem me dera ser um tiranete! Sou inofensivo, infelizmente... ELE— Ainda bem! EU— Tenho o problema de ser demasiado apaixonado pelas coisas em que acredito. Sou um grande cromo, é o que eu sou. Um totó das artes. Um crominho das performances. ELE— Eu gosto disso! E isso não é problema, é virtude. EU— E fico furioso (faço birra, mesmo) quando vejo coisas/pessoas que vão contra aquilo que eu defendo. ELE— O que importa é que o teu trabalho faça prova do que dizes. Eu sou aberto a todas as perspectivas: desde que não me digas que és filósofo... EU— Deus me livre! Não digo. Fica prometido... Mas e se dissesse? ELE— Arte e Filosofia são coisas diferentes. E se não são, então teremos que meter a Matemática ao barulho. EU— Venha ela... ELE— Há que saber matemática avançada para se estar na vanguarda. EU— De acordo. ELE— E se calhar isso demora mais tempo do que as décadas todas que o Cézanne levou a olhar a montanha Sainte Victoire. Eu, felizmente, como separo Arte e Filosofia, não tenho de me preocupar com a Matemática. EU— O Cézanne é uma excelente arma de arremesso contra aqueles que me acusam de andar há 4 anos a trabalhar na mesmíssima coisa. ELE— E fazes bem, mas sabes que há exemplos na História para defender todos os pontos de vista. A história é muito democrática... EU— Felizmente para uns, infelizmente para outros. ELE— Vou estar atento aos podcasts do MIT. Porque deste ponto de vista, o Media Lab é onde se está a fazer a arte contemporânea. EU— Inteiramente de acordo. ELE— Estás a ver quanta imbecilidade conseguimos nós desmascarar numa só conversa? EU— Eu vou desistir, sabias? Só para chatear os meus amigos... Como fez o Duchamp. ELE— Não. Desistir é feio... EU— A Laurie Anderson é que dizia que os terroristas são os verdadeiros artistas, pois são as únicas pessoas no mundo capazes de mudar as coisas... Não desisto, portanto: dedico-me a matar pessoas feias, "que é uma arte de respeito". ELE— A única "arte de respeito" é a "arte do futuro". Aliás, é a única que existe. EU— Não podia estar mais de acordo. ELE— E o futuro inventa-se. EU— Olha, vamos fazer um coffee break neste nosso debate. Preciso de ir jantar. ELE— E eu preciso de ir fazer as malas. A questão dos negros na arte portuguesa também me interessa, mas fica para depois. You stay cool, Roger! EU— Yes! Até logo...

    [Junho 2007]





    quarta-feira, 5 de setembro de 2007

    UNIVERSITAS MAGISTRORUM AC SCHOLARIUM

    Professores para quê?
    [George Gusdorf]
    (excerto)




    (...) O mestre é aquele que ultrapassou a concepção de uma verdade como fórmula universal (...) para se elevar à ideia de uma verdade como procura. O mestre não possui a verdade e não admite que alguém possa possuir. Faz-lhe horror o espírito de proprietário do pedagogo (...). O obscurantismo pedagógico procura asilo e refúgio na tecnicidade. Ele aborda os problemas do ensino através da particularidade das faculdades humanas, propondo-se educar a atenção, a memória, a imaginação, ou pela descrição das especialidades didáticas, propondo-se então a tarefa de facilitar a aprendizagem do cálculo, do latim ou da ortografia. O pedagogo transforma a sua classe numa oficina que trabalha com vista a um rendimento; ele mantém a sua boa consciência à custa de gráficos e de estatísticas sabiamente doseadas e cheias de promessas. No seu universo milimetrado, faz figura aos seus próprios olhos de feiticeiro laico e obrigatório, manipulador de inteligência sem rosto. O mestre autêntico é aquele que nunca esquece, qualquer que seja a especialidade ensinada, que é da verdade que se trata. Há programas, bem entendido, e actividades especializadas. É necessário, tanto quanto possível, respeitar os programas. Mas as verdades particulares repartidas através dos programas não são senão aplicações e figurações de uma verdade de conjunto, que é uma verdade humana, a verdade do homem para o homem. A cultura não é outra coisa senão a tomada da consciência, por cada indivíduo, dessa verdade que fará dele um homem. O pedagogo assegura o melhor possível ensinamentos diversos; reparte conhecimentos. O mestre quer ser antes de tudo um iniciador da cultura. A verdade é para cada um o sentido da sua situação. A partir da sua própria situação em relação à verdade, o mestre tenta despertar os seus alunos para a consciência da verdade particular de cada um.

    in "Professores para quê?", Georges Gusdorf, Martins Fontes, 2003.



    sexta-feira, 31 de agosto de 2007

    INTERDISCIPLINARIDADE IV

    O gato que anda sozinho
    [George Gusdorf]
    parte IV

     
    —Projecto da ciência do homem—


    (...) A rememoração do devir da cultura ocidental forneceria uma demonstração da solidariedade orgânica entre todos os compartimentos das ciências que habitualmente se nos apresentam em estado de dispersão, cada um perseguindo a sua aventura sem se preocupar com os outros. Mas trata-se de uma ilusão de óptica, uma vez que os sábios reunidos numa mesma época partilham os costumes intelectuais e espirituais do seu tempo, e comungam no reconhecimento dos mesmos valores. Só os espíritos estreitos permanecem prisioneiros de uma perspectiva epistemológica estritamente definida. (...) Aristóteles deixou-nos o panorama do saber do seu tempo. O metafísico Leibniz, um dos grandes nomes da Filosofia, é também um génio matemático, e ainda um historiador, um filólogo e um investigador em mineralogia. O filósofo Kant inscreveu-se na história da Geografia e na da Antropologia. Poderíamos multiplicar os exemplos da polivalência dos grandes espíritos, capazes de parecer, com Leonardo Da Vinci, um uomo universale (...). Em meados do século XX, existiam muitas histórias das ciências, mas cada uma delas beneficiava de uma genealogia independente. As matemáticas formavam um grupo à parte, assim como a Astronomia ou a Física, sem se preocuparem com o que, no mesmo momento, faziam os seus vizinhos. (...) Nenhuma ciência é isolável de todas as outras. (...) Cada uma das disciplinas só encontra a sua verdadeira e plena significação em função de todas as outras, e na perspectiva de uma ciência do homem, geral e unitária. Conclusão desesperante: para bem compreender o presente e o passado de uma disciplina, seria necessário conhecer a situação correspondente de todas as outras. É por isso que o projecto de realizar uma história solidária das ciências humanas se assemelha ao programa de construção de uma torre de Babel. Obra irrealizável, pelo que não é difícil compreender que nunca tenha sido tentada. As ciências de cada época estão ligadas às artes, à religião, à filosofia, ao estilo de vida no seu conjunto, na unidade de um mesmo contexto cultural. Cada acontecimento do conhecimento expõe um advento da consciência e um alargamento do horizonte humano. (...) Para falar convenientemente sobre o que me propunha, teria sido necessário ser especialista de todas as especialidades (...). Pensei, consciente das minhas limitações e lacunas, que era preciso correr o risco de tentar o que ninguém tinha tentado (...). A “Introdução Às Ciências Humanas” (1960) propunha o esboço de um tratado de história e de epistemologia do homem pelo homem na tradição do Ocidente. (...) Empreendimento escandaloso e presunçoso. A exigência interdisciplinar suscita um pensamento que tudo apaga para tudo recomeçar, sem respeito pelas posições tomadas nem pelas vantagens adquiridas, sobre um terreno livre de toda e qualquer hipoteca. O que antes de mais justifica as resistências de todas as pessoas envolvidas, ciosas na defesa do seu dominiozinho contra a incursão do invasor. Seria preciso homens novos para explorar um novo espaço do conhecimento. Não se pode contar com os sábios, nem com as equipas existentes para renovar o que quer que seja. Eles contentam-se com travar lutas de influência de tipo feudal, em favor das quais cada um se esforça por se apropriar da fatia mais gorda do bolo (...). Se queremos escapar destas controvérsias fúteis, não podemos pensar em voltar a elas e recomeçar. O carácter distintivo de um pensamento interdisciplinar seria uma envergadura espiritual que recusa deixar-se fechar no horizonte estreito de uma qualquer especialização (...). O homem é o centro comum, o princípio do sentido primeiro no qual se enredam as significações mais diversas na reconciliação dos opostos e das contradições. O pressuposto comum a todas as variedades do conhecimento seria, portanto, uma antropologia fundamental, na qual comungariam, inevitavelmente, as inteligibilidades e as interpretações. Não se trata aqui de reprovar as metodologias particulares dos sábios indisciplinados. Eles devem desempenhar um salutar papel de censura e de justificação. (...) Terão por tarefa explorar o espaço interdisciplinar do qual os sábios de todos os tipos retiram os factos de que se ocupam. Cada ciência parte originalmente dele, e espera-se que, no final de contas, cada ciência a ele regresse; cada ciência brinca ao esconde-esconde com a realidade humana global da Antropologia Fundamental, que cada ciência se recusa considerar na sua integralidade porque coloca sobre os olhos a venda da sua epistemologia especializada. (...) O especialista não deixa nunca de ser um espírito pequeno; falta-lhe o sentido do humano. Ao não ser capaz de situar os resultados que obtém no contexto da humanidade plena, ele próprio é incapaz de os compreender; ao não saber o que procura, não sabe o que encontra. Ao pressuposto epistemológico da restrição do campo epistemológico, os novos investigadores deverão opor o pressuposto de um campo sem restrição. Esta revolução dos hábitos mentais deve evidentemente suscitar reacções violentas. Se o domínio da Antropologia Fundamental engloba tudo o que é humano, não é possível situar, nele, um ponto de partida nem um ponto de chegada. Ele oferece-se-nos sob a figura mística da esfera infinita cuja circunferência está em todo o lado e o centro em lado nenhum. Tudo se torna mais simples a partir do momento em que compreendemos que toda a parte do homem, deve, finalmente, regressar ao homem. É isso que põe em marcha uma pedagogia da unidade, fundada na revelação natural da unidade humana.

    in "Interdisciplinaridade. Antologia", co-org. Olga Pombo, Henrique Guimarães e Teresa Levy, Campo das Letras, Porto, 2006.





    segunda-feira, 27 de agosto de 2007

    INTERDISCIPLINARIDADE III

    .
    .
    .

    O gato que anda sozinho
    [George Gusdorf]
    parte III



    —Universidade, Universalidade—





    Todo o sistema de educação tem por finalidade a edificação do homem. Trata-se de conduzir as crianças e os adolescentes até à plena consciência da sua humanidade (...). Nas origens helénicas da tradição ocidental figura a noção de paideia, fundamento, através dos séculos, do humanismo clássico. Os gregos deixaram-nos igualmente a noção de enkuklios paideia, que a nossa palavra enciclopédia transcreve e que, na sua significação etimológica, quer dizer ensino circular. O círculo, forma perfeita, indica a necessidade de obrigar os alunos a fazer a volta completa dos conhecimentos disponíveis, reunidos na unidade de uma forma harmoniosa. Devemos à cultura medieval a instituição da universidade (...). A universidade é o centro da província pedagógica, o lugar próprio do conhecimento. Ora, a palavra universitas designa, antes de mais, universitas magistrorum ac scholarium, a reunião dos professores e dos alunos na prossecução em comum das actividades do espírito. Mas designa também universitas scientiarum, a comunidade das disciplinas na unidade de um mesmo saber, fundamento da cultura cuja invocação reúne professores e estudantes. A interdisciplinaridade, a exigência da unidade do saber, constitui a sede da universidade, a sua original razão de ser. Esta razão de ser foi perdida de vista pelos universitários modernos. O conhecimento unitário explodiu, fragmentou-se numa infinidade de "saberes" cujos especialistas, longe de colaborarem num grande desígnio comum, vivem sob um regime de concorrência e de inveja. A estreiteza de espírito repercute-se em cascata em todos os níveis do sistema educativo. O declínio das universidades, infiéis à sua missão, é assim uma das principais causas da crise universal do ensino. Dir-se-á, claro, que a imensa acumulação dos conhecimentos nos tempos modernos impõe aos interessados uma divisão do trabalho intelectual análoga à que prevalece no domínio da produção industrial. Ninguém pode saber tudo, e a especialização é uma doença incurável. (...) A explosão do saber humano, isto é, do espírito humano, é a contrapartida do desaparecimento da figura humana na arte e na civilização contemporâneas. Se a lógica da actividade parcelar se justifica pela fabricação em série de objectos de consumo corrente, não tem lugar na elaboração da cultura, que procura promover uma síntese da humanidade. Um sistema educativo digno desse nome só tem valor se assumir a sua função de ordenador do conhecimento, em virtude de um imperativo de convergência, em oposição a todos os imperativos de divergência em vigor no mundo actual. (...) No princípio de qualquer reforma do ensino deveria, portanto, existir uma mudança de mentalidade dos próprios professores (...). Cada professor da especialidade deve tomar consciência da missão que o incumbe de ser, simultaneamente, um revelador da totalidade. (...) O indispensável espírito de análise deveria ser completado e compensado pelo espírito de síntese, o desejo de evidenciar as articulações de conjunto do conhecimento.

    in "Interdisciplinaridade. Antologia", co-org. Olga Pombo, Henrique Guimarães e Teresa Levy, Campo das Letras, Porto, 2006.