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sexta-feira, 29 de julho de 2016

1 + 1 = < 3


Em Inglês: The art of bowing to the East without mooning the West.

Em Português: Nem mais, nem menos, nem mais ou menos. Igual.

Em Língua Franca: Kolmas Tie™.






SÍNTESE
Terceira Via™ não está na realidade. Terceira Via™ É realidade. Ao mesmo tempo paralela e perpendicular à que já conhecemos. Ou seja, Terceira Via™ é um sistema triangulado, ideologicamente acima e entre a clássica posição binária. Não tem nada a ver com a construção de uma filosofia centrista, mas antes com uma atitude analítica que reconcilia a dualidade, sem no entanto propor um compromisso. Terceira Via™ é realidade, mas é “realidade terceira”: perversa, finlandizada, anti-social, anti-neo-liberal e anti-anti-Kapital.

Contemplatio mortis apocalyptica.



TESE
Uma das traves mestras mais importantes da Terceira Via™ tem o seguinte nome: simultaneologia. Ou seja, a ideologia do que acontece agora, já, em tempo real, e ao mesmo tempo. Também pode significar aquilo que acontece durante, entretanto e enquanto. Mas atenção: não confundir simultaneologia com simultaneidade. Estamos a falar de ética, não de estética. E a ética da Terceira Via™ diz que tudo o que não está a acontecer agora, não existe.

Cum hoc ergo propter hoc.



ANTÍTESE
Terceira Via™ é um organismo imaterial. Uma nuvem. Nela se condensa tudo aquilo que já aconteceu e tudo aquilo que vai acontecer. Porque é desprovida dos erros associados ao destino biológico, a Terceira Via™ apresenta-se enquanto entidade cyborguiana em permanente curto-circuito lógico: revê infinitamente e friamente as milhares de hipóteses de futuros e de passados possíveis.

Post hoc ergo propter hoc.



META-TESE
O Novo Mundo para o qual transitaremos com a ajuda da Terceira Via™ não é uma utopia, mas também não é uma distopia. Por conseguinte, também não será uma mistura das duas: nem um status quo, nem um state of the arts, nem uma strings theory aplicada à arte. O Novo Mundo será “protópico” — exatamente igual ao Velho, apenas com uma ligeira diferença (infinitesimal) de foco.

Cum hoc ergo cum hoc.



Artwork: Diogo Mendes © 2016

domingo, 19 de julho de 2015

YEAR ONE, #1. Bucharest [Romania]


Starting tomorrow in Bucharest (Romania), the very first proto-academic cluster for the 'Year One' of the non-art educational project "University/Yliopisto", comprising a workshop, a lecture and a group session. A first draft for the official website will be launched soon after the end of the activities. Stay tuned!

About the workshop & the lecture:

UNIVERSITY | YLIOPISTO
“Dogma 2005: A Prison without Walls”

Workshop with Rogério Nuno Costa
July 20-24, 16:00-19:00
Lecture: July 23rd, 20:00
ODD, Bucharest, Romania
ZonaD – platformă mobilă de dans contemporan și E-Motional

The research project developed under this title by the Portuguese artist, curator and theoretician Rogério Nuno Costa will include an intensive workshop aimed for art practitioners and/or theorists who have already developed some work in the fields of performing and/or visual arts, willing to be confronted with a set of rules that will question their notions of artistic freedom, the methodology behind their creative processes and, above all, the means by which they operate with the formats surrounding the concept of “memory”: archives, documents, leftovers, traces and tracks. The workshop is 50% practical/50% theoretical, and is developed around collective brainstormings, group research, short presentations (lectures/talks), thorough documentation (video, photo and text) and, if possible, a broader audience final presentation. 

The workshop also includes a talk focused on the idea of “self-obstruction” (by the reposition of the artist inside an intriguing critical frame: “the prison without walls”) as a way to achieve a more conscious and transversal notion of “artistic freedom”. This moment can work perfectly as an introduction to projects created by the workshop participants themselves. Some excerpts of the movie “The 5 Obstructions” [by Danish filmmakers Lars von Trier & Jørgen Leth] are used as a starting point and/or as an illustration of the questions and problematics produced. This presentation may assume many different kinds of media: photography, installation, video, sound, text-based performance, dance, drama, conference/lecture-based performance, etc.

The participation to the workshop is free of charge. Interested art practitioners are invited to register by submitting their biography, brief details on their portfolio and a short description of a project there are currently developing, which they would like to discuss/present during the workshop. The workshop is open to maximum 10 participants. The workshop is developed in connection with Universidade/University, the ongoing research project including workshops, group sessions and artist talks, undertaken by Rogério Nuno Costa.

More info:




segunda-feira, 2 de março de 2015

World Wild Web


WTFPL (Do What The Fuck You Want To Public License)
Aplica-se a todas as produções artísticas e intelectuais da "autoria" de Rogério Nuno Costa [aka Riku Nuutti Koistinen aka Chef Rø]




#1
Boa noite,

Gostaria de saber quais os procedimentos a tomar no sentido de cancelar a minha inscrição. Tenciono deixar de ser vosso cooperador, por discordar com alguns princípios fundamentais por vós defendidos publicamente a propósito da "Lei da Cópia Privada".

Aguardo instruções.

Atenciosamente,
Rogério Nuno Costa



#2
Caro Rogério Nuno Costa,

Conforme acabamos de falar pessoalmente, e em seguimento ao seu email de dia 5, venho informar que em conformidade com os estatutos da GDA, se assim entender, pode formalizar a sua demissão como cooperador por via de uma carta registada. De momento não tem valor em Conta Corrente.

Quero desde já agradecer a sua disponibilidade em responder ao email que recebeu da parte do nosso Presidente, sendo do nosso interesse tomar conhecimento do ponto de vista que defende.


Artigo 13º
(Demissão)

1. Os cooperadores podem, mediante carta registada, com aviso de recepção dirigida à Direção, solicitar em qualquer altura a sua demissão da Cooperativa, sem prejuízo da responsabilidade pelo cumprimento das suas obrigações estatutárias.

2. A demissão do cooperador da Cooperativa será obrigatoriamente concedida, desde que se mostre liquidado o saldo da conta corrente do cooperador demissionário.

3. Se a conta corrente acusar um saldo positivo este será pago ao cooperador demissionário.

4. Em qualquer dos casos, ser-lhe-á restituído no prazo máximo de um ano o valor dos títulos de capital realizado.

Com os melhores cumprimentos,
E os meus votos para um excelente ano 2015,
Evelin Kuhnle, Chefe Serviço do Apoio ao Cooperador e Comunicação



#3
Caro Cooperador,

Penso que já terá, ou em breve receberá, confirmação de que os Estatutos da GDA prevêem a possibilidade de desvinculação pretendida. Nem poderia ser de outra forma, uma vez que a liberdade de associação (ou de não-associação no caso vertente) é um Direito Constitucional consagrado!

No entanto gostaria que tivesse em conta que a actividade de Gestão Colectiva dos Direitos dos Artistas Intérpretes ou Executantes, levada a cabo pela GDA, tem uma latitude e abrangência que em muito ultrapassam o caso particular da Cópia Privada, incidindo sobre um leque de Direitos muito mais vasto que procura proteger e equilibrar o valor da Criação Artística face aos interesses e pressões dos “Mercados”.

De facto o “lobby” das grandes industrias multinacionais das tecnologias da informação e comunicações, com óbvia manipulação da imprensa tecnológica e da comunidade internauta, conseguiu a nível global fazer da questão da cópia privada uma verdadeira “tempestade num copo de água”!!!

De facto o impacto médio em causa em Portugal é de cerca de 0,7% dos custos de distribuição, irrisório e perfeitamente absorvível pelas margens de lucro dessa mesma industria, capaz de lançar campanhas de 30, 50 ou mesmo 100% de redução de preços, para colocação de novos modelos ou de fidelizações a 24 meses, que os consumidores assumem sem pensar duas vezes!!!

De facto qualquer Tablet ou Smartphone vem carregado, a favor daquelas industrias, de múltiplas “cópias privadas”, na forma de patentes e licenças sobre dispositivos e aplicativos que, quer os usem ou não, os consumidores estão a pagar sem pensar duas vezes!!!

De facto aquelas industrias facturam milhões vendendo mecanismos e “software” cuja única razão de existir é a exploração secundária do trabalho dos Criadores!!!

De facto a questão para as grandes industrias multinacionais das tecnologias da informação e comunicações não é a cópia privada em si, mas sim uma vasta estratégia a médio prazo que procura desvalorizar os “Conteúdos” para capitalizar os “Continentes”!!!

Basta atentar no verdadeiro ESCÂNDALO das remunerações dos Artistas que está em curso no negócio de “Streaming” para compreender o conluio que vai entre aquelas Industrias e as Fonográficas e Audiovisuais, “dossier” que a GDA não vai dar de barato sem uma luta radical…!!!

Agradecemos sinceramente o seu interesse e honestidade relativamente a estas questões e estaremos, seja qual for a decisão, sempre ao seu dispor na defesa dos Criadores e do acesso à Cultura.

Com os melhores cumprimentos,
Pedro Wallenstein, Presidente



#4



#5
Caro Pedro Wallenstein,

Gostaria antes de mais de agradecer a sua mensagem e lamentar a demora na minha resposta. Contrariamente ao que é normal, o início do novo ano foi demasiado intenso profissionalmente. Hoje, e com a ajuda "moral" da recente aprovação pela Comissão de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias da “Lei da Cópia Privada”, decidi finalmente responder-lhe.

Em primeiro lugar, creio ser importante referir que a decisão de me desvincular da GDA foi ponderada e teve em consideração o conhecimento óbvio que tenho do âmbito de acção desse organismo e da aplicação financeira que é executada através dos fundos cultural e social que disponibiliza aos seus cooperadores. Não estou, portanto, a reduzir este assunto, nem a GDA, à polémica em torno da Lei da Cópia Privada, ainda que seja essa, e usando um chavão, a “gota que fez esbordar o copo”. Quando, em 2008, decidi inscrever-me, fi-lo por concordar, em abstracto, com os pressupostos que me foram apresentados, e que convictamente aceitei. Ao longo dos últimos anos, porém, e inspirado por um interesse simultaneamente pessoal e profissional, fui estudando várias temáticas que gravitam em torno do conceito genérico de “copyright”, incorporando grande parte desse estudo no meu trabalho enquanto encenador, dramaturgo, investigador e professor. Por razões que não vale muito a pena perder tempo a elencar (a maioria são evidentes, creio), a minha permanência enquanto cooperador da GDA foi-se tornando progressivamente desconfortável, por contrariar de forma linear muitos dos postulados que eram cada vez mais evidentes no meu discurso artístico/ensaístico. Não me vou alargar nesses postulados para ir directo à questão mais recente:

Oponho-me, convicta e informadamente, à Lei da Cópia Privada e, concomitantemente, a todas as organizações privadas de “gestão colectiva” de “direitos” que, através da aplicação, muitas vezes anti-democrática, de taxas absurdas sobre bens que não são sequer “consumíveis”, fazem tábua rasa de uma (r)evolução que não é só tecnológica (é finalmente cultural, porque verdadeiramente democrática), perpetuando sistemas ditatoriais de controlo daquilo que pertence, apenas e só, à esfera privada. Na base dessa Lei e nos argumentos que a sustentam subsiste um conjunto de mal-entendidos muito graves, apoiados na sua maioria por ambiguidades terminológicas — a mina de ouro ideal para a criação de leis incompreensíveis que conseguem fintar os limites do constitucional e assustar o "cidadão comum" com ameaças coercivas. É inacreditável como é que uma máfia organizada conseguiu convencer a opinião pública que copiar um ficheiro partilhado de um filme para ver em casa, por exemplo, é equivalente a “roubar”…

Perante esta conjuntura, não posso deixar de me sentir defraudado (e até envergonhado) quando no passado dia 15 de Setembro de 2014 recebo um e-mail vosso com o título “Cópia Privada – uma comédia de enganos”, no texto do qual se manifestam em prol de algo que contraria a forma como me posiciono, ética e esteticamente, em relação a todo um conjunto de temas dos quais a Lei da Cópia Privada é apenas a ponta do iceberg. Nesse sentido, e só nesse, a minha decisão consubstancia-se na evidência de que não posso afirmar (na forma de espectáculo, ensaio, comunicação pública, aula, post no Facebook, instalação-vídeo, entrevista para um jornal, seja o que for!) algo que será depois derrubado pelas minhas acções, pelos grupos a que pertenço, pelas causas que abraço, pelas petições que assino e, evidentemente, pelos organismos (tenham a natureza jurídica que tiverem) aos quais pertenço ou com os quais colaboro/coopero. Quero manter intacta a minha dignidade ética (que, para mal dos meus pecados, se confunde com a estética), e quero afastar-me do "risco" de um dia vir a ser acusado pelos meus "pares" de cuspir nos pratos que como, ou de ser "hipócrita" (esse tão fácil insulto).

Também não vou rebater os argumentos triplamente exclamatórios que me apresenta !!! Com o devido respeito, não concordo com nenhum, e acho que muitos vêm envenenados pelas ambiguidades que acima referi; não creio que valha a pena, nem para mim nem para si, fazermos disto um Prós & Contras virtual. Despendi imenso tempo a ler tudo o que me foi possível encontrar sobre o assunto para poder tomar uma decisão que é fundamentada em várias frentes (não existem só duas; essa coisa do Bem contra o Mal é um ideal romântico que nunca passou disso mesmo, um ideal…), por isso sei do que estou a falar e sei que não estou a filiar-me de forma cega (como as suas palavras parecem querer depreender) na retórica de um certo grupo de agentes e polemistas que usam a Internet para disseminar uma agenda contra organismos como a GDA. Ainda que me apoie no pensamento e na acção de pessoas como ESTA, a minha decisão é autónoma, socialmente consciente e politicamente independente. Não tenciono transformar isto numa batalha contra a GDA, ou contra aqueles que continuam a compactuar com este sistema, até porque sei que ele, o sistema (e com ele a GDA) têm os dias contados! Sim, alimento uma fé inabalável no Futuro — ESTE, por exemplo, acontece já amanhã! É por isso que este e-mail, e os acontecimentos que o provocaram, fazem já parte de um passado longínquo e retrógrado do qual todos nos vamos rir. Muito...

Agradeço uma vez mais o esforço que fez de me ter escrito este e-mail, e também o esforço da simpática Chefe dos Serviços de Apoio ao Cooperador Evelin Kuhnle de me ter telefonado, mas não existe qualquer vontade da minha parte em reconsiderar.

Com os melhores cumprimentos,



Moral Sponsors:




domingo, 27 de abril de 2014

Residências Artísticas

A PREGUIÇA™
COMO NOVO AVANT-GARDE

®





Há uma elite que se autopromove através da arte que define, e vende, como mercadoria internacional. A actividade desta produção é mistificada através de todos os meios de promoção mercantil, e os seus operários — os escravos das indústrias criativas —, tornaram-se manipuláveis e marginalizados através da construção da sua identidade em torno da noção de “artista”, e tudo o que ela implica: residências, festivais, concursos, plataformas de programação e outras feiras de gado. Chamar a alguém artista é negar a outra pessoa a capacidade de visão semelhante; assim, o mito do “génio” é apenas mais um rosto da justificação ideológica da desigualdade, repressão e fome. O que o artista considera ser a sua identidade não passa de um conjunto burocrático de atitudes e preconceitos semelhantes aos que aprisionam a Humanidade ao longo da história. Devemos rejeitar os papéis construídos em torno destas identidades falsas, assim como os produtos concebidos para a sua promoção. O nosso intento é questionar o papel do artista e a sua relação com a dinâmica do poder e da economia, dentro da nossa cultura.


Toda a gente sabe o que está errado!


Sabemos também que esta preguiça falhará por várias razões, a primeira das quais porque é uma má ideia. Mas levantará várias questões pertinentes. Em termos relativos, a preguiça só pode afectar as pessoas que optam por ser afectadas por ela. A preguiça é, nesse sentido, tão impotente como qualquer outra acção artística contemporânea. Para aqueles que ignoram a arte, ela poderia muito bem já ter desaparecido. A preguiça edifica outro novo momento da História da Arte: o término lógico da trajetória que começou quando os artistas se afastaram do universo ao qual pertenciam, e conseguiram não apenas alienar a maior parte da população em relação às artes, mas também alienar as artes em relação à cultura. A preguiça como novo avant-garde pretende penetrar no último acto desta comédia auto-destrutiva. Nós não podemos viver preguiçosamente neste mundo sem falar sobre isso. Cabe-nos comentar longamente a tentativa vã de justificar a nossa posição em relação à preguiça criativa, ao ócio antónimo de negócio, mas isso equivale à tentativa de justificar a nossa contínua "criatividade". O que permanece obscuro em tudo isto consiste em não requerermos qualquer tipo de justificação; SER é para nós suficiente. A necessidade de expressão parece-nos apenas sintoma da mais terrível insegurança. Através das mais variadas expressões artísticas, apenas procurámos a relação perdida, porque toda a nossa expressão natural foi destruída (por inúmeras razões civilizacionais). É esta ânsia de conexão com o outro que impulsiona a expressão. Mas que conexão real existe entre o artista e o público, ou entre as pessoas, de forma a justificar a arte, quando o alheamento entre o artista, o público e a sua cultura se tornou tão completo? Todos nós queremos ser amados. Mas consideramos a arte coisa inútil para esse fim. Exigimos pois que a “preguiça d’arte” se torne unânime e permanente.


Texto-manifesto escrito por Nuno Miguel para o programa do espectáculo "Residência (Artística)", em Março de 2012, e assinado pelos seus criadores: Rogério Nuno Costa, André Santos, David Bernardes, Diana Coelho, Marta Coelho, Roger Madureira e Tânia Figueiras Ribeiro.




terça-feira, 7 de maio de 2013

YHTEISKIELI — LINGUA FRANCA




So, why join the navy if I can be a pirate? 


I.e.: the annulment of every sterile interrogation concerning Art and the art’s practice — ”originality” being the most important (and irritating) of them all! Hence, my work is about the dialectical destruction of millennial binomials and other false issues: form vs content, process vs result, good vs evil. It proposes, instead, a romanticized tripartition of the “Real”: utopian, yet concrete; insistently announced, never attainable… My work is an everlasting bande-annonce. It is about being eternally in-progress, so it doesn’t matter where the process started and/or when it’s gonna end. That means this text, actually this list, is permanently under construction and constantly being changed. My work is about making lists. Furthermore, my work is about having ideas, and never care if they will ever be achievable. The process is already a result. The project is always better than its concretion. Because there is no film, only the making of (of that same film!). My work is about adding accurate prefixes to the word “realism”, endlessly: New-Realism, Proto-Realism, Sub-Realism, Hyper-Realism, Avant-Realism, Meta-Realism, Über-Realism, A-Realism, Alter-Realism, Infra-Realism, Inter-Realism, Intra-Realism, Re-re-re-Realism [aka Stutterer Realism]. My work is about documents, archives, categorizations, labels, taxonomies, plug-ins & plug-outs, inside-the-boxes & outside-the-boxes. My work is more ontological than anthological, which means it cares less about History, and more about his’story: the best story to be told is the one related to the project itself. My work is about meta-discursivity: the scientific method turning into an art’s dogma — Molecular Art. My work is about being a fan, loving things, hating things, praising things, following/unfollowing things, such as: reality shows, german techno, rural terrorism, blank pages, IKEA ethics & aesthetics, Spanish delicatessens, Portuguese schlagerism, relish’ious dogmas, extreme makeovers, teen-emo-culture, finlandized political science, happy hardcore, non-artistic artists, notebooks, trash-tastic philosophy, megalo-physics, progressive folklore, power ballads, Scandinavian weirdism, Oprah-look-a-likes & Big-Brother-wannabes, cook books & cook looks, blood-based food recipes, recycle bins, colored paper, mashup culture, science fiction, national anthems, emotional geography, informational architecture, quantum psychology, dinner parties, rave parties, birthday parties, Eurovision Song Contest parties, Jeux Sans Frontières parties, eurotrash parties & political parties, i.e., the 1990s’ Stuckism corrupted by 2000′s Idiotism™. My work is about the creation of one (or more) -isms for each new project. Idiotism™ is also known as Roger That!’ism [in Portuguese: "rogerices"]. My work is about considering Laziness™ the new Avant-Garde. And about elevating Art to the level of Gastronomy (the opposite has already been done). My work is about F for Faking and about F for Fooding. Sometimes, it is about T for True’ing. My work is about telling the truth, even if by means of coercion. My work is about surveillance systems, invasion of privacy, Bentham-Orwellian philosophy, dictatorial curatorship, art manifestos, self-imposed obstructions, alter-egos and altercations. My work is about reaching art without using the means of art itself. My work is about social communication, social networks and social policies, but in a sociopathic kind of manner. My work is not poetic, it is journalistic. I follow the “Code of Ethics for Journalists” strictly and blindly. Because my work is about formulating the right questions: What? Who? When? Where? How? Why? Without expecting any answer whatsoever. My work is about trickery and fraud, appropriations and confiscations, reinterpretations and re-enactements, readymades and other artistic prêt-à-porter’s, so it steals directly from the oeuvres of Abramovic, Acconci, Baudrillard, Beckett, Benjamin, Beuys, Debord, Duchamp, Emin, Foucault, Godard, Hegel, Heidegger, Hsieh, Huxley, Jakobson, Kosuth, LeWitt, McCarthy, McLuhan, Nauman, Orwell, Sade, Schwitters, Sekula, Shelley, Sierra, Sloterdijk, Smithson, Trier, Van Sant, Vila-Matas, Virilio, Wagner, Warhol, Wells, Zizek [the order is alphabetical]. Along with Hirschhorn, my work usually states: “The best is not necessarily good”. So far, all the “best things” I’ve ever been in touch with are actually not “good”. My favourite artist, however, is Mark Dion, not because of the things he does, not even because of the things he says, surely because of he’s being an obsessive-compulsive hermeneutical freak. My work is about being a nerdy child who never grows old. My work is obviously about procrastination. My work is about despising all the misleading confusions between Art and Tourism, but also Sports, Culture (and Cultural Heritage), Aesthetics, Design, Anthropology, Sociology, Museology, Art History, Art Criticism, Curatorship, Handicraft, Childcare, Spirituality, Religion, Therapy, Pedagogy, Engineering, Psychology, Drama, Economy, Gender Studies, Political Propaganda, Merchandising or Advertising. By despising the aforementioned, my work is usually confused with them. My work is not “conceptual”. My work is about conceptualization, that is, my work is conceptual. And undisciplined. And unformatted. And cynical. And altermodernist. And post-relational. My work is about the ethics of participation, that is, about the ethics of the observer. Along with the ghost of Marcel Duchamp, my work usually states: “The work of art is 100% made by the spectator“. My work is about finding points in a world’s map where 3 or more countries meet. My work is about cooking, food essentially. That is, my work is about despising all metaphors, specially the literary ones. My work is about creating trademarks, at least one for each Project™; that is, my work is about the building of a Macro-Irony™ operating on the concepts of copyright, intellectual property, piracy, and “freedom”, or Freedom™. My work is about building prisons with no walls. Universitas magistrorum et scholarium. Also, my work is about the creation of titles that are trademarks. Titles™. In my work, the title usually says everything. In my work, the title is usually more important than the project itself. My work is about memory. Better said, my work is about remembering. In other words, my art is about the negation of art itself [along with De Duve and other bored theorists]. My work was born in 1917. Better said, my work is about enunciation. Although, my work is an excuse for something that needs to be done, which has absolutely nothing to do with Art, or art, or whatever. It’s a PRETEXT, that is, something that comes before the -text. My work is highly collaborative, but never in a pacific way. My work is about war. A war made from scratch. My work is about corruption, fear, arrogance and opportunism. My work is about everything that should not be done/said. Nevertheless, my work is about being happy. My work is neither “real” or “politic”; my work is Realpolitik. But it is also about human encounters, little secrets, love letters, home cooking and unexpected daily-life events. My work is about the superiority of the ephemeral. My work is not about intimacy, but it appears that nudity plays a major role in my performances, for one reason only: pure onanist exhibitionism. Better said, my work is about egocentrism, but sometimes also about egoperipheralism. In that sense, my work is ‘auto’, and ‘bio’ and ‘graphical’, but never ‘autobiographical’. My work is truly about the universalization of the particular and the particularization of the universal. Back and forth. My work never accepts; still, my work never denies. It thanks. My work is about assuming Gratitude™ as a new avant-garde. My work is about Third Way™ ethics and aesth(ethics). My work is about Finland, the best country in the world. About bowing to the East without mooning to West. My work has no specificity, but it is highly specific, and Specification is one of its main subjects. My work is not specialized, but it deals with Specialization, and the Epistemology of the Specialization. My work specializes in such subjects as: Anti-Anti-Pop Culture, Airs du Temps, Autophagy, Viral Culture, Finlandization, Applied Interdisciplinarity, “Lo-Fi Sophy“, ‘Making Of’ Aesthetics, ‘Mash Up’ Ethics, End of History, Parcs Humains, Non-Artistic Pedagogy, Petabyte Age, Non-Human Creativity, Post-Human Medievalism, Proto-Academic Studies, 21st Centuries, among others. My work is about word games. My work is about “using your mentality, waking up to reality”. My work is nouveau. And portable. And shareable. And spreadable. My work is about finding sexiness in being an underdog. Is about cheeziness, and pretentiousness, and boredom. My art is about everything that doesn’t look like Art. My art doesn’t look like “art”. Or “Art”. Its major inspiration comes from Scooter’s music, Girl Talk’s mashups, Banksy’s terrorism, Brazilian tecnobrega, Japanese synthesized pop stars, anti-fashion brigades, hipster lexicon, and the ultimate televised shameful attempts to be cool. My art beats more than 150 PM! To cut this long story short: I truly believe that my work is the art povera of the future. It is always about my Name, and the infinite possibilities of someone like me “naming” Art after every move, every word, every gaze, every breath I take: 



FASTER, HARDER, ROGER! 







domingo, 24 de fevereiro de 2013

1 + 1 = 3



A Lei da Terceira Via™
[10 mandamentos]


01/
Na Terceira Via™, o mundo é exactamente igual ao mundo. Este mundo. Não há outro. 
02/
A Terceira Via™ não cria, revela; não representa, apresenta; não mostra, expõe; não fala, diz; não escreve, inscreve; não quer ser, é; não explica, enuncia. Na Terceira Via™, não se procura, encontra-se. Vai-se até onde se pode; quando não se pode, não se vai. Fica-se caladinho e espera-se pacientemente que o tempo mude. Ou não.
03/
A Terceira Via™ não aceita, mas também não nega. A Terceira Via™ agradece. Nem dialéctica negativa, nem dialéctica positiva, e não-dialéctica é coisa que não-existe. A Terceira Via™ não acredita na cura, mas também não na doença; não é um placebo, mas também não é um nocebo. Os efeitos da Terceira Via™ são sempre terciários.
04/
Na Terceira Via™ ninguém ganha e ninguém perde. Joga-se, mas para empatar. Sempre. Não há finalidade, portanto. A Terceira Via™ inaugura a era do empate técnico. Neutro, árctico e suicida. Show off a querer ser show out. Nunca show on.
05/
Na Terceira Via™ somos todos importantes, porque valemos todos zero. Não somos aquilo que valemos. Somos aquilo que dizemos ser. Not faking it 'til making it; faking it 'til becoming it.
06/
A Terceira Via™ é a-partidária, pária e demissionária. Porém, simpatiza artisticamente com o Dogma 2005, politicamente com o Pirat Partiet, religiosamente com o Kopimismo e filosoficamente com o Re-Re-Realismo (também conhecido por Realismo Gago™).
07/
Na Terceira Via™ nunca estamos lá dentro. Estamos sempre cá fora, a sorrir e a acenar. Sabemos sempre tudo, porque temos visão periférica. Somos transparentes: observamos os dois lados, o meio e o conjunto. Ou seja, na Terceira Via™ não vemos o mundo com óculos 3D. Vemos o mundo. Não corrigimos a miopia — gostamos mais de ver ao perto. O longe está muito longe. O aqui é melhor.
08/
Na Terceira Via™ fala-se Finlandês. Numa perspectiva semântica (a única que logística e linguisticamente interessa), estamos na Europa, mas não somos Europeus. Mas também por uma questão de Realpolitik: a Terceira Via™ é finlandizada porque faz de conta que não deve nada a ninguém. Se não os podemos vencer, não os convidamos para jogar.
09/
A Terceira Via™ não é inteligente. É só esperta. Sabe o que diz e di-lo com determinação. Vai até onde a vista alcança. E por isso gosta de ser clara. E jornalística. Responde: Quem? O quê? Onde? Quando? Como? Porquê? E deixa-se ficar. A Terceira Via™ não é, portanto, interessante. Ainda que pretensiosamente complexa, não é profunda, é rasteira, superficial e rasca. Ideologicamente, a Terceira Via™ é techno, é brega e é €TRASH™. A Terceira Via™ é pimba, o que não quer dizer que a Terceira Via™ seja do povo — a Terceira Via™ é povo. 
10/
Para uma nova ordem ética, estética, política, sociológica e filosófica global, a Terceira Via™ erradica a ética do gosto, a ambiguidade, a narrativa (des)instituída, a criatividade, a originalidade, a ironia, a tretologia, todos os coming backs, "trendsectarisms" e respectivos novos pretos, a gaseificação da arte, a solidificação industrial da mesma, o conceito genérico (logo, comercial) de "performatividade", a hipsterização das práticas artísticas (ou seja, a redução da arte, e do resto, à disciplina do Design), a responsabilização do espectador, o sistema de "castas", a relação do eu com o outro, a confusão secular entre Arte e Desporto (também conhecida por "medalhização" mediática do art-leta), a arte que se parece com arte e a que se parece com coisas que não são arte e, de um modo geral, todas as práticas para-artísticas (da recepção à crítica, da produção à promoção) que se inscrevem em regimes de primeira ou de segunda via. Ou seja, a Terceira Via™ erradica o Século XX. E todos os séculos para trás. E todos os séculos para a frente. A Terceira Via™ também erradica o Presente — é quanticamente a-temporal, a-espacial, a-histórica e a-moral. Ou seja, a Terceira Via™ é a-estética, porque est(ética): o copo não está nem meio cheio nem meio vazio — é só um copo. A Terceira Via™ subscreve uma triplicidade céptica e desacreditada. Céptica e desacreditadamente.
 


    sexta-feira, 6 de julho de 2012

    LO-FI -SOPHY

    REALPOLITIK
    UMA CORPORAÇÃO PÓS-HUMANA AO SERVIÇO DO AVANÇO
    DA BIOQUÍMICA MEDICINAL, DO TRANSPORTE AEROESPACIAL,
    DO ENTRETENIMENTO META-TRÓPICO E DA ENGENHARIA MEGALOFÍSICA.







    PARTE 1 — EMBARQUE

    “Cinema is the ultimate pervert art. It doesn’t give you what you desire — it tells you how to desire.” [Slavoj Žižek]

    Bem-vindo! Obrigado por ter escolhido a Realpolitik Inc. para o seu embarque no Novo Mundo. Antes de iniciarmos o Oscilador Harmónico, pedíamos que confirmasse que não tem em seu poder quaisquer objetos do Velho Mundo; eles serão completamente inúteis à construção do regime pós-humano. Todo e qualquer objeto deverá ser colocado no desfibrilhador quântico para ser automaticamente desintegrado. Tome algum tempo para consultar o Libreto de Embarque; vai reparar que ele está recheado de informações preciosas que o ajudarão a melhor compreender as ações pós-dramáticas da nossa tripulação; assim, em caso de dúvida, saberá o que pensar. O seu código genético está escrito nas costas da cadeira para, em caso de turbulência quântica, conseguir voltar a encontrar o seu lugar. Faz parte da política de segurança da Realpolitik, Inc. que os pré-cyborgs permaneçam conectados à nossa malha quântica durante toda a viagem purgatória. No caso de uma descompressão de emergência, retire cuidadosamente os elétrodos sofismais do seu corpo. No caso de uma perturbação amniótica disruptiva, as costas da sua cadeira poderão deslocar-se para trás, transformando-se em divã. Basta pressionar o botão F, e um holograma de Sigmund Freud estará pronto para o ajudar a recomprimir. Se o seu regime psikê for lacaniano, basta pressionar o botão vermelho, ou então, simplesmente, esfregar a lamparina cósmica para libertar o Génio. Durante os blackouts, coloque as mãos sobre a zona occipital da sua cabeça para libertar a endorfina somática, de maneira a fazê-lo sonhar com espetáculos do Velho Mundo. Se sentir que duas ações pós-dramáticas se sobrepõem, uma ubiquidade de fibra ótica cairá imediatamente à frente dos seus olhos, de maneira a fazê-lo ver as duas ações ao mesmo tempo. Se reparar que o espécime humano ao seu lado não possui um mestrado em Cultura Contemporânea, faça questão de o ajudar a compreender a incoerência pós-dramática de uma ação antes de visualizar a seguinte. Em matéria de pontos de fuga às ações principais, irá notar que nos interstícios aeroespaciais que intermedeiam os lugares existem inúmeras saídas de emergência para o Real ficcionado. Olhe à sua volta: uma câmara de videovigilância pode estar mesmo atrás de si! A Realpolitik Inc. só permite drogas nootrópicas a bordo. A ingestão de toda e qualquer substância alienante produzida no Velho Mundo é estritamente proibida dentro da Arca. Queira também aceitar a nossa prorrogativa que impede todo e qualquer tipo de comportamento nostálgico e/ou saudosista em relação ao Velho Mundo, para não interferir com a nossa missão colonizadora. Agora que já está inteirado da Deontologia Realpolítika, sente-se confortavelmente, relaxe, e seja um agente passivo! Em nome da Realpolitik Inc., desejamos-lhe uma agradável transição.




    PARTE 2 — ONTOTECNOLOGIA

    Em Ciência, significa diplomacia não ideológica, política coerciva, filosofia maquiavélica, sobrevivência a-moral. Em Teatro, significa demagogia triplamente realista, ou seja, re-re-re-realismo, também conhecido por Realismo Gago: nem diz ‘sim’, nem diz ‘não’, mas também não diz ‘talvez’. Reticente... Por uma questão de sobrevivência, Realpolitik encosta-se perigosamente a dois dos conceitos mais non grati da contemporaneidade: a VERDADE como ato revolucionário (que roubámos a Orwell) e a GENERALIZAÇÃO como atividade primeira do pensamento (que roubámos a Hegel). Em modo cartoon: “The art of bowing to East without mooning to West” (que roubámos à Pátria Finlandesa).

    SÍNTESE: Realpolitik não está na realidade. É realidade. Ao mesmo tempo paralela e perpendicular à que já conhecemos. Ou seja, Realpolitik é um sistema “triangulado”, ideologicamente “acima” e “entre” a clássica posição binária. Não tem nada a ver com a construção de uma filosofia “centrista”, mas antes com uma atitude analítica que reconcilia a dualidade, sem no entanto propor um compromisso. Ou seja, Realpolitik é realidade, mas é “realidade terceira”: perversa, finlandizada, anti-social, anti-neo-liberal e anti-anti-Kapital. Contemplatio mortis apocalyptica.

    PARTE 3 — HERMENÊUTICA (BÍBLICA)

    TESE: Uma das traves mestras mais importantes da filosofia Realpolitik tem o seguinte nome: “simultaneologia”. Ou seja, a ideologia do que acontece agora, já, em tempo real, e ao mesmo tempo. Também pode significar tudo aquilo que acontece durante, entretanto e enquanto. Não confundir, porém, “simultaneologia” com “simultaneidade”. Estamos a falar de ética, não de estética. E a ética “realpolítica” diz que tudo o que não está a acontecer agora, não existe. Cum hoc ergo propter hoc.

    ANTÍTESE: Realpolitik é uma corporação. Pós-humana e imaterial. Uma nuvem. Nela se condensa tudo aquilo que já aconteceu e tudo aquilo que vai acontecer. Porque é desprovida dos erros associados ao destino biológico, a Realpolitik apresenta-se enquanto entidade cyborguiana em permanente curto-circuito lógico: revê infinitamente e friamente as milhares de hipóteses de futuros e de passados possíveis. Post hoc ergo propter hoc.







    PARTE 4 — GÉNESIS

    Um espetáculo de teatro, ou seja, um vídeo-jogo, uma série de Ficção (científica) com 7 temporadas de 32 episódios cada, um filme de Hollywood sobre o Apocalipse, uma aplicação para o iPhone sobre a política (Real) da sobre-vivência. Um serviço ao serviço dos poderosos: só se salva quem pode. Uma corporação pós-humana para a mutação da teoria das cordas em teoria dos sopros. Como se o Fim do Mundo “as we (don’t) know it” implicasse um novo Adão e uma nova Eva, em estado gasoso, em molecular, em design. DAsein. Realpolitik é também um medicamento transgenérico e psicotrópico, a tomar antes do Embarque, contra enjoos quânticos e outras confusões comuns entre Arte e desporto. Realpolitik está assim para as indústrias criativas como os nocebos estão para a farmacologia: só provoca os efeitos secundários (os óculos 27-D são oferecidos pela produção). Do Outro Lado, seremos todos Anjos. Em Português,  significa ‘erradicação da espécie’. Em código numérico: ‘2012’.



    PARTE 5 — ÊXODO

    META-TESE: O Novo Mundo para o qual transitaremos com a ajuda da Realpolitik, Inc. não é uma utopia, mas também não é uma distopia; por conseguinte, também não será uma mistura das duas: nem um status quo, nem um state of the arts, nem uma strings theory aplicada à arte. O Novo Mundo pós-Apocalipse será “protópico” — exatamente igual ao Velho, apenas com uma ligeira diferença (infinitesimal) de foco. Cum hoc ergo cum hoc.



    PARTE 6 — DESEMBARQUE

    Morreram durante a construção da Arca os seguintes espécimes pré-humanos (a quem a Realpolitik, Inc. agradece):

    Rogério Nuno Costa | encenação/texto/espaço cénico.
    Roger Madureira | assistência de encenação.
    Nilce Vicente Carvalho | no papel de Híbrido NVC-AF ’83 Ctx.
    João Ferreira Silva | no papel de Híbrido JFS-WB ’88 Co.
    Pedro Fernandes | no papel de Híbrido PF-PB ’84 Pt.
    Vanessa Teixeira | no papel de Híbrido VT-OD ’89 VRl.
    João Viegas | no papel de Grande Outro.
    Patrícia Antunes | no papel de Segunda-Feira, 1.º Observador.
    Fábio Martins | no papel de Terça-Feira, 2.º Observador.
    Guilherme Pompeu | no papel de Quarta-Feira, 3.º Observador.
    Anabela Ribeiro | no papel de Quinta-Feira, 4.º Observador.
    Paula Gaitas | no papel de Sexta-Feira, 5.º Observador.
    João Nemo | no papel de Sábado, 6.º Observador.
    Liliane Guerrano papel de Domingo, Observador Psíquico.
    Rogério Nuno Costa | no papel de Slavoj Žižek.
    Paula Gaitas | desenho e operação de luz.
    Leandro Silva | vídeo promocional.
    Roger & Roger Inc. | grafismo, art work & vídeo-jogos.
    Cátia Manso & Liliane Guerra | cabelos/make-up/vestuário).
    Anabela Ribeiro/Cátia Manso/Nilce V. Carvalho/Patrícia Antunes | prod. executiva.
    CITAC 2012produção.



    Financiou a Arca e toda a investigação megalophysica:
    Fundação Calouste Gulbenkian.


    Contribuíram logisticamente para a exterminação da raça:
    Câmara Municipal de Coimbra, Persona Non Grata, Máfia, SASUC, Casa da Cultura, TAGV, Estrutura, Grupo de Teatro da Nova, A Escola da Noite, Orfeon Académico de Coimbra, TEUC, TAUC, AAC, RUC, TVAAC.



    Honoris causas (catedráticos do empreendimento colonizador):
    Cátia Pinheiro, José Nunes, Mariana Tengner Barros, Mickael Oliveira, Nuno Miguel, André Santos, Marta Coelho, David Bernardes, Diana Coelho, Tânia Figueiras Ribeiro, Peter Shuy, Emmanuel Veloso, Pedro Penim, Gil Mac, Isabel Ramos, Helena Teixeira, Leandro Monteiro, Maria Luísa Pinto da Costa, Rui Cardoso, Marcelo Laguna.


    Mais:


    sábado, 14 de agosto de 2010

    [ u ]

    FINLANDIZAÇÃO
    SUOMETTUMINEN


    [possível entrada para o dicionário da UNIVERSIDADE]



    Nem se diz que sim, nem se diz que não; agradece-se! Fica-se caladinho à espera de melhores dias e tenta-se passar despercebido. Um País (ou Nação) “finlandizado” [ou em processo de “finlandização”] é aquele que aceita sem discussão as directivas que lhe chegam de uma super-potência [mais ou menos vizinha, mais ou menos corrupta], sem contudo perder a sua soberania. Numa perspectiva geral, “finlandização” é coisa má: passividade cínica a querer passar por neutralidade “politicamente” correcta. Numa perspectiva finlandesa [logo, não-pejorativa], a “finlandização” prende-se com pressupostos basilares da Realpolitik: sobreviver. Para tal, o País (ou Nação) mantém-se mais neutro e gelado que um fiorde e segue feliz a triste sina de quem precisa de ter as costas quentes [...pois que na Escandinávia o frio é mesmo a sério...], parecendo no entanto não dever nada a ninguém. “Parecendo”... É que isto não tem nada a ver com diplomacia; é demagogia mesmo! Mas com distanciamento crítico; jamais brechtiano... Ou seja, um espectáculo é “finlandizado” quando aceita sem discussão as directivas que lhe chegam de cima, ou então que lhe caem em cima, ou então que estão tão (a)cima que é impossível lá chegar. Sem contudo perder a sua soberania! Um espectáculo “finlandizado” é, portanto, um espectáculo “arcticamente” infeliz [...congelado no seu próprio tempo, não aspira a futuro nenhum...], e hormonalmente desequilibrado e queixoso [...“porque é que os nossos antepassados não escolheram um sítio mais quente para se instalarem?”, the Helsinki Complaints Choir would say...]. Porque não chega a ganhar nada, também nada irá perder, e porque em arte nada se transforma, o espectáculo “finlandizado” é aquele que fica entalado num certo “meio” onde a virtude, definitivamente, não está. É por isso que é um espectáculo frustrado: nem dialéctica positiva, nem dialéctica negativa; e “não-dialéctica” é coisa que não-existeRealpolitikamente, o espectáculo “finlandizado” assina, assim, a sua própria certidão de óbito no exacto minuto em que nasce; é um nado-morto. E isto não tem nada a ver com suicídio; trata-se apenas de uma manobra de charme para chamar a atenção — show off, a querer ser show out. Nunca show on! Porque o espectáculo “finlandizado” só se vê por fora [...tire-me é esses óculos 3D da cara, por amor de Deus!...]; por dentro, a leitura será sempre enviesada... O espectáculo “finlandizado” também não é um género [...porque ‘géneros’ não fazem o nosso género...], e só existe um espectáculo “finlandizado” dentro do género: ESTE. Acto único — morre logo mal nasce. Não existem mais; não existem outros. É triste? É.

    [Texto escrito para os tutoriais do documentário em vídeo do projecto Espectáculo de Teatro (2008) e reescrito para a conferência-performance Terceira Via™ | Kolmas Tie™ (2013)]