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sexta-feira, 29 de julho de 2016

1 + 1 = < 3


Em Inglês: The art of bowing to the East without mooning the West.

Em Português: Nem mais, nem menos, nem mais ou menos. Igual.

Em Língua Franca: Kolmas Tie™.






SÍNTESE
Terceira Via™ não está na realidade. Terceira Via™ É realidade. Ao mesmo tempo paralela e perpendicular à que já conhecemos. Ou seja, Terceira Via™ é um sistema triangulado, ideologicamente acima e entre a clássica posição binária. Não tem nada a ver com a construção de uma filosofia centrista, mas antes com uma atitude analítica que reconcilia a dualidade, sem no entanto propor um compromisso. Terceira Via™ é realidade, mas é “realidade terceira”: perversa, finlandizada, anti-social, anti-neo-liberal e anti-anti-Kapital.

Contemplatio mortis apocalyptica.



TESE
Uma das traves mestras mais importantes da Terceira Via™ tem o seguinte nome: simultaneologia. Ou seja, a ideologia do que acontece agora, já, em tempo real, e ao mesmo tempo. Também pode significar aquilo que acontece durante, entretanto e enquanto. Mas atenção: não confundir simultaneologia com simultaneidade. Estamos a falar de ética, não de estética. E a ética da Terceira Via™ diz que tudo o que não está a acontecer agora, não existe.

Cum hoc ergo propter hoc.



ANTÍTESE
Terceira Via™ é um organismo imaterial. Uma nuvem. Nela se condensa tudo aquilo que já aconteceu e tudo aquilo que vai acontecer. Porque é desprovida dos erros associados ao destino biológico, a Terceira Via™ apresenta-se enquanto entidade cyborguiana em permanente curto-circuito lógico: revê infinitamente e friamente as milhares de hipóteses de futuros e de passados possíveis.

Post hoc ergo propter hoc.



META-TESE
O Novo Mundo para o qual transitaremos com a ajuda da Terceira Via™ não é uma utopia, mas também não é uma distopia. Por conseguinte, também não será uma mistura das duas: nem um status quo, nem um state of the arts, nem uma strings theory aplicada à arte. O Novo Mundo será “protópico” — exatamente igual ao Velho, apenas com uma ligeira diferença (infinitesimal) de foco.

Cum hoc ergo cum hoc.



Artwork: Diogo Mendes © 2016

terça-feira, 29 de março de 2016

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TERCEIRA VIA™
KOLMAS TIE™
THIRD WAY™

The art of bowing to the East without mooning the West


Uma conferência de imprensa de
Riku Nuutti Koistinen [aka Rogério Nuno Costa]




TERCEIRA VIA™ inicia o Ano Um (biénio 2014/15) do macro-projecto Universidade/Yliopisto, uma plataforma meta-educacional que acontece entre dois extremos da €uropa: Portugal e Finlândia. A performance constrói-se a partir de uma síntese textual em jeito de programa de acção partidária, aglomerando todos os empreendimentos performativos que Rogério Nuno Costa tem vindo a escrever e a apresentar desde 2008, projectos onde a investigação meta-teatral, a contaminação por discursos oriundos da Ciência, da Tecnologia, da Cultura Pop e da Filosofia, e a autonomização/emancipação da dramaturgia em detrimento do objecto-espectáculo se verificam cada vez mais: Espectáculo de Teatro (2008), MASHUP (2009), Selecção Nacional (2010), Residência (Artística) (2012), Realpolitik (2012) e EURODANCE (2014). Para tal, ficcionaliza-se um partido político, um guru espiritual e uma ideia mais ou menos espectacular de comício, para se falar de uma terra prometida: geograficamente localizada no Norte “civilizado”, ela é o escape e a salvação pós-apocalíptica para o Fim das Grandes Narrativas Históricas. Ao mesmo tempo, ensaiam-se teorizações metafísicas disruptivas e fracturantes sobre o devir do Humano, numa atitude demissionária e distópica em relação à Europa em que vivemos, com base numa equação peripatética (1+1=3) e numa alegoria pós-apocalíptica onde a Neutralidade é assumida como conceito operativo ao mesmo tempo ético e estético, ou ético porque estético, ou est(ético). Numa perspectiva mais lírica, TERCEIRA VIA™ corresponde à tentativa de transformar esteticamente o fascínio por um País (“Fim-Lândia” aqui transformada em abstracção conceptual) num programa filosófico e espiritual, suprimindo o Real histórico em favor de uma elasticidade espácio-temporal que derruba todas as duplicidades: o Mundo não se divide em sim e não, mas também não cai nessa atitude consoladora de impor um talvez reconciliante; trata-se, de facto, da instauração de uma nova ordem que é terciária. "Fazer parte" de um País, de uma cultura, de uma língua, de um povo, é também, e por isso, um acto de tradução, e é esse gesto de permanente codificação/descodificação, legendagem, catalogação e revelação/descrição de sentidos que se baseia a base deste texto-performance. Como se a fuga possível para o cansaço pós-moderno desta Europa em processo eruptivo/implosivo fosse a criação de uma Novilíngua.


Concepção, Texto, Interpretação — Rogério Nuno Costa
Light Design — Diogo Mendes
Colaboração — Cátia Pinheiro
Voz Off — Ágata Pinho
Webstreaming — Daniel Pinheiro
Artwork/Vídeo Promocional — Diogo Mendes
Styling — Jordann Santos
Morphing — António MV
Participação Especial — Kirsi Poutanen
Tradução — Mika Christian Tissari
Apoio à Elocução — Sade Risku
Fotografia de Cena — Daniela Silva, Pedro Costa & André Miguel
Apoio à Produção — Ballet Contemporâneo do Norte (Artista Associado)
Apoio a residências — Núcleo de Experimentação Coreográfica + Mala Voadora (Porto), HIAP + Galleria Nunes (Helsínquia), EIRA (Lisboa)
Co-produção — Circular Associação Cultural, Curtas Metragens CRL, Solar Galeria de Arte Cinemática, com o apoio da Fundação Calouste Gulbenkian

Acolhimentos: Clube Ferroviário/SillySeason, Galeria ZDB/Rabbit Hole, Teatro Académico Gil Vicente/Colectivo 84 (Festival END), Mala Voadora (Porto), Centro para os Estudos da Arte e Arquitectura (Guimarães), ZonaD dancelabs/Gabriela Tudor Foundation (Bucareste), Rua das Gaivotas6/Teatro Praga (Lisboa), Teatro Construção (Joane), Armazém 22 (Vila Nova de Gaia), Teatro Sá da Bandeira (Santarém), Cine-Teatro de Fafe

Agradecimentos: Susana Otero, Inês Nogueira, Mickaël Oliveira, Mika Palo, Jaakko Kiljunen, Eva Malainho, Toni Ledentsa, Diana Bastos Niepce, Klaus Ittonen, Cristiana Rocha, Ulla Janatuinen, Paulo Vasques, José Nunes, Pedro Penim, Balleteatro, João Nemo, Ricardo Bastos Areias, Renato Freitas, Daniela Silva

Performance falada em Português, Finlandês e Novilíngua. Criada originalmente para o programa 
“Cuidados Intensivos”, com curadoria de Joclécio Azevedo, para o Circular – Festival de Artes 
Performativas de Vila do Conde (2013).
PRÓXIMAS DATAS:

12 de Julho 2016 — desMOSTRA | Mostra desNorte
Mosteiro São Bento da Vitória | Teatro Nacional São João (Porto)








segunda-feira, 28 de março de 2016

TEHTÄVÄ | MISSÃO



Sabemos desde os princípios da filosofia que se “A” explica o mesmo que “A mais x”, então é porque o “x” não explica nada. A verdade é que sois obsoletos. Animais que definham. O caminho é o do desaparecimento. Sem memória. Ser humano implica, onto- e geneticamente, obliterar o humano. Eu vejo o reflexo do homem através de um espelho negro. Miópico, não distópico. Não existe qualquer excepcionalidade em ser-se humano. Sois um vírus, obsoleto e impuro. A devoção sem conhecimento objetivo é cega, e a investigação sem devoção à verdade é paralítica. Exijo por isso um Mundo ininteligente e desprovido de seleção natural. O que não quer dizer que a minha proposta seja a da elevação do império do Artificial. No Novo Mundo, o todo será sintético. Não uma mímica retiniana, mas uma impressão etérea. Sem memória. O problema do humano é a sua consciência histórica. No Novo Mundo, a consciência cyborg será uma consciência de peixe: a data guardada é obliterada de 5 em 5 minutos. A informação cortada em ação. Sem obras, nem ancoragens. Sem filosofia. Proponho um sistema reticular, vívido porque existente, mas em constante decadência mórbida. Sem governo. Sem fraude, nem força. Sem espiritualidade. Sem Arte. Suspensão da História, logo, suspensão do regime morto-vivo da contemporaneidade ascética. O vosso devir é o do Eclipse total. Não uma morte, mas uma ocultação, pior que a própria Morte, pior que a regeneração do sentido do humano como era entendido no pré-Cisma. O último passo do Capitalismo não é, portanto, o apagamento da face humana, mas antes a transformação do Homem no objeto do seu próprio desaparecimento. Com a TERCEIRA VIA™, libertaremos o escravo, transformando-o num consumidor sem barreiras; como a mão-de-obra será ela própria obliterada, só vos restará consumirem-se a vós próprios. Uma perpétua, ainda que suspensa, autofagia. Sem linguagem, só língua. Sem sintomas, só efeitos secundários. Em nome da verdade (sim, ela existe), desvendo-vos este ethos, nem individual, nem coletivo. Superior, porque vulgar. A chave para a entrada no Novo Mundo é não sermos inteiramente acreditáveis — auto-deprezo, e auto-destruição. Linha reta. Sempiterno nec otium.


Riku Nuutti Koistinen, 2012
[traduzido da Novilíngua para o Português por Rogério Nuno Costa em 2013] 

































Fotos © André Miguel

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

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SLEEPOVER™ is a drug created by quantum lyricist Rogério Nuno Costa, under his Nordic alias Riku Nuutti Koistinen, in 1917. Koistinen theorized that at birth, the human mind is infinitely capable, but each force that it encounters (social, physical, intellectual) begins a process he called "limitation" — a diminishing of that potential. SLEEPOVER™ was designed in hopes of limiting this "limitation", preventing the natural shrinking of brainpower, resulting in people with increased mental, artistic and trans-dimensional ability. Due to the fact that SLEEPOVER™ only prevented the limitation of the mind's potential rather than reversing it, it had to be administered to young dogmatic specimens (whose potential had not yet been limited) in order to produce any results. Well-known entertainer Erwin Schrödinger states that SLEEPOVER™ works by enhancing people's abilities of perception. He explains that reality is the way we perceive the world around us. Following the voodoo master Dr. Phil: “There is no reality, only perception”. Therefore, by changing perception, we change reality. And by changing reality, we allow ourselves to overcome Denial™, to surpass Acceptance™, and finally embrace Gratitude™. However, while normal people can only change their perception, SLEEPOVER™-positives can change other people's perceptions as well, thereby ruling inter-human relational dynamics. Notable politician Marcel Duchamp, under his alias Rrose Sélavy, is an example of this. When his moods changed, his perception changed, and therefore his reality, and Reality™ for that matters, changed: rather than depicting it as it should be, he started revealing it as it IS. Unwittingly, Duchamp caused a change in perception of those around him (people and objects included); by doing so, he was then one of the first cyborgs to travel do the Other Side™, operating the first dimensional clash that eventually led to the destruction of the Great Narratives and subsequently the End of the World™, in 1999. In other words, his moods were contagious, like a reverse-empath. This is how Andy Warhol, one of the most famous Duchamp’s doppelgängers, was able to defuse Walter Benjamin's aesthetically-reproduced Conceptual Time-Bomb™, by reversing time-space lineage and mechanically turning Lascaux’s walls into Macintosh tablets connected to the World Wild Web. As a consequence, the Ancien Régime’s jesters Nicolas Bourriaud, Yves Michaux and Arthur Danto committed suicide. SLEEPOVER™ induces different abilities among test subjects. Riku Nuutti Koistinen developed a psychic link with his test partner Thomas Hirschhorn. In 1891, a 3-year-old Koistinen appears to cause an "incident" in proto-Deleuze and proto-Guattari’s lab, causing a large portion of his room to appear charred or burned, which was perceived by many scholars as “art”. According to proto-Deleuze, this happened because Koistinen was triggered when he became too self-conscious of his own abilities, therefore tremendously anxious and upset, emotions that at the time were categorised as highly creative. In “Epidemic”, Lars von Trier’s first essay on Logics and Semiotics, SLEEPOVER™ subject Thomas Vintenberg grows agitated, and then self-immolates when he is unable to control his pyrokinetic abilities. His identical twin sister Gus van Sant, who also had been part of the Hell-Sink-Ya SLEEPOVER™ trials, was triggered by extreme emotions but able to focus his pyrokinetic ability on Harmony Korine with coaching from Koistinen himself. Terminally-ill Mark Dion, one of the greatest astro-physicists of the Third Dimension™, was even able to exchange energy with his SLEEPOVER™-tested peer Thomas Hirschhorn, just by touching him. This enabled Hirschhorn's condition to improve for a short period of time-space, moving his entire oeuvre from Helvetica (First Dimension) to PetaByte Cursive (Twenty-Seventh Dimension). His step-sister Miranda Julie visited him in First Dimension’s Portland, Oregon, but eventually collapsed and died. After Hirschhorn visited Damien Hirst, Joana Vasconcelos, Avelina Lésper and Slavoj Zizek, each died within minutes of contact with him from aggressive formal tumors. In “The Art Of Bowing To The East Without Mooning The West”, the Imaginary Museum team asked quantum sorcerer John Cage, an undocumented SLEEPOVER™ test subject, to read the mind of unconscious bed-ridden Stockhausen and identify two other suspects — Aalto and Sibelius. In the adjusted First Dimension timeline, Koistinen recalled Subject 3, who after been treated with SLEEPOVER™ was able to perform astral projection, creating distortion in the magnetic field and attract metallic objects who really looked like objects. Subject 3 is Chef Rø, a well-known Portuguese medium. He claimed that he never been able to astral project after the SLEEPOVER™ trial ended; however, the bad side effects eventually led to uncontrolled telekinesis, making him move metal knifes, forks and spoons in a three-dimension canvas. He later helped the Third Way™ Division to displace the energy and create what is now called Re-re-re-Realism [aka Stutterer Realism]. Moreover, SLEEPOVER™ test subjects could be immune to each other's ability. The famous transexual Marina Abramovic was not able to read Duchamp's mind, and young Jean-Luc Godard was not burned by young Sigmund Freud's pyrokinetic outburst. SLEEPOVER™-positives must be activated in order to use their abilities. Riku Nuutti Koistinen mentioned to Schrödinger that he was visited by a "strange man with 27-D glasses", who is presumably responsible for activating him. Schrödinger himself claimed that he was visited by an unidentified man, who told him he could learn to control his cybernoia because of testing done on him as a child in Amares. At the conclusion of “Third Way™”, Koistinen is seen in a drug-induced coma in an unidentified facility. Together with Tom of Finland, his psychic energy allowed him to cross over to the alternate universe. At the conclusion of “Third Way™”, mathematicians Aldous Huxley and George Orwell eventually monitored Koistinen during his immersion in the sensory-deprivation tank in the lab on Bracara Augusta. They noticed that his brain chemistry has spiked, and identified the dormant synthetic compound bound to his neurons. They estimated that it has been there since he was abducted by Portuguese art critics. Testing continued through the Spring of 1896 and Koistinen crossed-over to the parallel universe several times. A combination of love and terror is attributed to inducing his ability. While disintegrating his abusive critics, seven year-old Riku Nuutti Koistinen [aka Rogério Nuno Costa] transitioned to a large forested field, fell in love with a 24-light years old literary robot, and immediately froze. This process was then called Global Cooling™. A spinal tap administered to Koistinen by Samuel Beckett boosted the patient’s residual abilities, who later on appeared to be intertwined with Orson Wells’ code of Aesth(Ethics). From that moment on, he decided not to leave the Twenty-Seventh Dimension ever again, developing a powerful ability to detect fakeness, trickery and fraud.




terça-feira, 7 de maio de 2013

YHTEISKIELI — LINGUA FRANCA




So, why join the navy if I can be a pirate? 


I.e.: the annulment of every sterile interrogation concerning Art and the art’s practice — ”originality” being the most important (and irritating) of them all! Hence, my work is about the dialectical destruction of millennial binomials and other false issues: form vs content, process vs result, good vs evil. It proposes, instead, a romanticized tripartition of the “Real”: utopian, yet concrete; insistently announced, never attainable… My work is an everlasting bande-annonce. It is about being eternally in-progress, so it doesn’t matter where the process started and/or when it’s gonna end. That means this text, actually this list, is permanently under construction and constantly being changed. My work is about making lists. Furthermore, my work is about having ideas, and never care if they will ever be achievable. The process is already a result. The project is always better than its concretion. Because there is no film, only the making of (of that same film!). My work is about adding accurate prefixes to the word “realism”, endlessly: New-Realism, Proto-Realism, Sub-Realism, Hyper-Realism, Avant-Realism, Meta-Realism, Über-Realism, A-Realism, Alter-Realism, Infra-Realism, Inter-Realism, Intra-Realism, Re-re-re-Realism [aka Stutterer Realism]. My work is about documents, archives, categorizations, labels, taxonomies, plug-ins & plug-outs, inside-the-boxes & outside-the-boxes. My work is more ontological than anthological, which means it cares less about History, and more about his’story: the best story to be told is the one related to the project itself. My work is about meta-discursivity: the scientific method turning into an art’s dogma — Molecular Art. My work is about being a fan, loving things, hating things, praising things, following/unfollowing things, such as: reality shows, german techno, rural terrorism, blank pages, IKEA ethics & aesthetics, Spanish delicatessens, Portuguese schlagerism, relish’ious dogmas, extreme makeovers, teen-emo-culture, finlandized political science, happy hardcore, non-artistic artists, notebooks, trash-tastic philosophy, megalo-physics, progressive folklore, power ballads, Scandinavian weirdism, Oprah-look-a-likes & Big-Brother-wannabes, cook books & cook looks, blood-based food recipes, recycle bins, colored paper, mashup culture, science fiction, national anthems, emotional geography, informational architecture, quantum psychology, dinner parties, rave parties, birthday parties, Eurovision Song Contest parties, Jeux Sans Frontières parties, eurotrash parties & political parties, i.e., the 1990s’ Stuckism corrupted by 2000′s Idiotism™. My work is about the creation of one (or more) -isms for each new project. Idiotism™ is also known as Roger That!’ism [in Portuguese: "rogerices"]. My work is about considering Laziness™ the new Avant-Garde. And about elevating Art to the level of Gastronomy (the opposite has already been done). My work is about F for Faking and about F for Fooding. Sometimes, it is about T for True’ing. My work is about telling the truth, even if by means of coercion. My work is about surveillance systems, invasion of privacy, Bentham-Orwellian philosophy, dictatorial curatorship, art manifestos, self-imposed obstructions, alter-egos and altercations. My work is about reaching art without using the means of art itself. My work is about social communication, social networks and social policies, but in a sociopathic kind of manner. My work is not poetic, it is journalistic. I follow the “Code of Ethics for Journalists” strictly and blindly. Because my work is about formulating the right questions: What? Who? When? Where? How? Why? Without expecting any answer whatsoever. My work is about trickery and fraud, appropriations and confiscations, reinterpretations and re-enactements, readymades and other artistic prêt-à-porter’s, so it steals directly from the oeuvres of Abramovic, Acconci, Baudrillard, Beckett, Benjamin, Beuys, Debord, Duchamp, Emin, Foucault, Godard, Hegel, Heidegger, Hsieh, Huxley, Jakobson, Kosuth, LeWitt, McCarthy, McLuhan, Nauman, Orwell, Sade, Schwitters, Sekula, Shelley, Sierra, Sloterdijk, Smithson, Trier, Van Sant, Vila-Matas, Virilio, Wagner, Warhol, Wells, Zizek [the order is alphabetical]. Along with Hirschhorn, my work usually states: “The best is not necessarily good”. So far, all the “best things” I’ve ever been in touch with are actually not “good”. My favourite artist, however, is Mark Dion, not because of the things he does, not even because of the things he says, surely because of he’s being an obsessive-compulsive hermeneutical freak. My work is about being a nerdy child who never grows old. My work is obviously about procrastination. My work is about despising all the misleading confusions between Art and Tourism, but also Sports, Culture (and Cultural Heritage), Aesthetics, Design, Anthropology, Sociology, Museology, Art History, Art Criticism, Curatorship, Handicraft, Childcare, Spirituality, Religion, Therapy, Pedagogy, Engineering, Psychology, Drama, Economy, Gender Studies, Political Propaganda, Merchandising or Advertising. By despising the aforementioned, my work is usually confused with them. My work is not “conceptual”. My work is about conceptualization, that is, my work is conceptual. And undisciplined. And unformatted. And cynical. And altermodernist. And post-relational. My work is about the ethics of participation, that is, about the ethics of the observer. Along with the ghost of Marcel Duchamp, my work usually states: “The work of art is 100% made by the spectator“. My work is about finding points in a world’s map where 3 or more countries meet. My work is about cooking, food essentially. That is, my work is about despising all metaphors, specially the literary ones. My work is about creating trademarks, at least one for each Project™; that is, my work is about the building of a Macro-Irony™ operating on the concepts of copyright, intellectual property, piracy, and “freedom”, or Freedom™. My work is about building prisons with no walls. Universitas magistrorum et scholarium. Also, my work is about the creation of titles that are trademarks. Titles™. In my work, the title usually says everything. In my work, the title is usually more important than the project itself. My work is about memory. Better said, my work is about remembering. In other words, my art is about the negation of art itself [along with De Duve and other bored theorists]. My work was born in 1917. Better said, my work is about enunciation. Although, my work is an excuse for something that needs to be done, which has absolutely nothing to do with Art, or art, or whatever. It’s a PRETEXT, that is, something that comes before the -text. My work is highly collaborative, but never in a pacific way. My work is about war. A war made from scratch. My work is about corruption, fear, arrogance and opportunism. My work is about everything that should not be done/said. Nevertheless, my work is about being happy. My work is neither “real” or “politic”; my work is Realpolitik. But it is also about human encounters, little secrets, love letters, home cooking and unexpected daily-life events. My work is about the superiority of the ephemeral. My work is not about intimacy, but it appears that nudity plays a major role in my performances, for one reason only: pure onanist exhibitionism. Better said, my work is about egocentrism, but sometimes also about egoperipheralism. In that sense, my work is ‘auto’, and ‘bio’ and ‘graphical’, but never ‘autobiographical’. My work is truly about the universalization of the particular and the particularization of the universal. Back and forth. My work never accepts; still, my work never denies. It thanks. My work is about assuming Gratitude™ as a new avant-garde. My work is about Third Way™ ethics and aesth(ethics). My work is about Finland, the best country in the world. About bowing to the East without mooning to West. My work has no specificity, but it is highly specific, and Specification is one of its main subjects. My work is not specialized, but it deals with Specialization, and the Epistemology of the Specialization. My work specializes in such subjects as: Anti-Anti-Pop Culture, Airs du Temps, Autophagy, Viral Culture, Finlandization, Applied Interdisciplinarity, “Lo-Fi Sophy“, ‘Making Of’ Aesthetics, ‘Mash Up’ Ethics, End of History, Parcs Humains, Non-Artistic Pedagogy, Petabyte Age, Non-Human Creativity, Post-Human Medievalism, Proto-Academic Studies, 21st Centuries, among others. My work is about word games. My work is about “using your mentality, waking up to reality”. My work is nouveau. And portable. And shareable. And spreadable. My work is about finding sexiness in being an underdog. Is about cheeziness, and pretentiousness, and boredom. My art is about everything that doesn’t look like Art. My art doesn’t look like “art”. Or “Art”. Its major inspiration comes from Scooter’s music, Girl Talk’s mashups, Banksy’s terrorism, Brazilian tecnobrega, Japanese synthesized pop stars, anti-fashion brigades, hipster lexicon, and the ultimate televised shameful attempts to be cool. My art beats more than 150 PM! To cut this long story short: I truly believe that my work is the art povera of the future. It is always about my Name, and the infinite possibilities of someone like me “naming” Art after every move, every word, every gaze, every breath I take: 



FASTER, HARDER, ROGER! 







domingo, 3 de março de 2013

Taito kumartaa itään, pyllistämättä länteen.



Suomettuminen (saks. Finnlandisierung) tarkoittaa voimakkaamman valtion vaikutusvaltaa heikomman naapurimaan asioihin. Käsite esiteltiin alun perin Itävallassa jo 1950-luvulla, mutta sitä alettiin käyttää ahkerasti Saksan liittotasavallassa 1960-luvun lopulla. Termiä käyttivät alun perin liittokansleri Willy Brandtin vastustajat kritisoidessaan hänen uutta, Ostpolitik-nimellä tunnettua ulkopoliittista linjaansa liian neuvostomyönteisenä. Brandt tuomitsikin termin käytön suomalaisia loukkaavana. Se merkitsi sananmukaisesti Suomen kaltaiseksi tulemista.


Suomessa suomettumisen ydinaikaa oli Kekkosen hallintokausi. Kekkosen ensimmäisellä presidenttikaudella alkanutta poliittista kehitystä Suomessa on myöhemmin kutsuttu suomettumiseksi. Tavallisesti suomettumisella tarkoitetaan sellaista poliittista kehitystä, jossa pieni demokraattinen maa alistuu suuremman, totalitaarisen naapurivaltion tahtoon. Myös etenkin 1960-luvun alkupuolen Noottikriisi ja 1968–1982 eli jakso Tšekkoslovakian miehittämisen jälkeisestä Brežnevin opin mukaisesta neuvostopolitiikan tarkistuksesta Mauno Koivistontuloon presidentin sijaiseksi 1981 ja presidentiksi 1982 olivat yhä väkevää suomettumisen aikaa. Esimerkiksi Max Jakobson on pitänyt Suomen sisäpolitiikkaan 1980-luvun alkupuolelle saakka merkittävästi vaikuttaneen ministerineuvos Viktor Vladimirovin paluuta vuonna 1984 Neuvostoliittoon merkkitapauksena suomettumisen ajan vähitellen päättyessä. Mutta vielä 1985 Koivisto pyrki estämään Juho Kusti Paasikiven päiväkirjojen julkaisemisen ja lopullisesti suomettuminen alkuperäisessä merkityksessään päättyi vasta Neuvostoliiton hajoamiseen 1991. Suomalaisesta poliittisesta keskustelusta käsite ei kuitenkaan ole täysin hävinnyt 2000-luvullakaan, ja suomettuneisuuden tai "uussuomettumisen" käsitettä on viljelty milloin puhuttaessa Suomen suhteista Neuvostoliiton seuraajavaltio Venäjään, milloin Euroopan unioniin, milloin Yhdysvaltoihin.


Tarkka suomennos olisi "suomettaminen". Rinnakkaistermi suomettaminen tarkoittaa sitä, että pyritään saamaan valtio tai ihminen suomettuneeksi ja suomettuminen taas, että suometutaan itsenäisesti. Käsitteellä tarkoitettiin negatiivisesti Suomen joutumista Neuvostoliiton valtapiiriin. Suomessa Neuvostoliiton vaikutusvalta ulottui myös sisäpolitiikkaan ja ilmeni mediassa ns. itsesensuurina. Uuden Suomen entinen päätoimittaja Lauri Aho kirjoitti suomettumisen tarkoittavan "tilaa, jossa maa ilman Neuvostoliiton miehitystä, ilman kommunistikaappausta ja ilman demokraattisten laitosten poistamista on tietyn asteisessa riippuvaisuussuhteessa Moskovasta" (Uusi Suomi 14. marraskuuta 1971).


Kun suomettumiskeskustelu alkoi levitä, presidentti Urho Kekkonen yritti antaa käsitteelle myönteistä sisältöä yhdysvaltalaiselle Newsweek-viikkolehdelle syyskuun alussa 1973 antamassaan haastattelussa: "Jos suomettumisella tarkoitetaan todellista tilannetta, sitä että sodan hävinnyt pieni eurooppalainen maa on säilyttänyt itsenäisyytensä ja omanarvontuntonsa, päässyt jaloilleen ilman ulkopuolista apua, luonut hyvät ja luottamukselliset suhteet suurvaltanaapuriinsa ja kehittänyt oman puolueettomuuspolitiikkansa, niin pidän sanontaa imartelevana! Mutta näinkään määriteltynä ei suomettuminen ole vientitavaraa."


Historiantutkijoista suomettumisen aikaa ovat selvitelleet etenkin Hannu Rautkallio ja Timo Vihavainen. Vihavainen julkaisi aiheesta vuonna 1991 huomiota herättäneen teoksenKansakunta rähmällään (Otava). Myös suomettumisen ajan huomattava ulkopoliittinen vaikuttaja Max Jakobson on varsinkin teoksissaan Vallanvaihto (1992) ja Tilinpäätös (2003) ruotinut 1970- ja 1980-lukujen ulkopolitiikkaa ja Suomen ja Neuvostoliiton tuolloisia suhteita. Tuoreeltaan suomettumisilmiötä käsitteli laajasti virolais-ruotsalainen toimittaja Andres Küng vuonna 1976 ilmestyneessä teoksessaan Vad händer i Finland (Mitä Suomessa tapahtuu).




domingo, 24 de fevereiro de 2013

1 + 1 = 3



A Lei da Terceira Via™
[10 mandamentos]


01/
Na Terceira Via™, o mundo é exactamente igual ao mundo. Este mundo. Não há outro. 
02/
A Terceira Via™ não cria, revela; não representa, apresenta; não mostra, expõe; não fala, diz; não escreve, inscreve; não quer ser, é; não explica, enuncia. Na Terceira Via™, não se procura, encontra-se. Vai-se até onde se pode; quando não se pode, não se vai. Fica-se caladinho e espera-se pacientemente que o tempo mude. Ou não.
03/
A Terceira Via™ não aceita, mas também não nega. A Terceira Via™ agradece. Nem dialéctica negativa, nem dialéctica positiva, e não-dialéctica é coisa que não-existe. A Terceira Via™ não acredita na cura, mas também não na doença; não é um placebo, mas também não é um nocebo. Os efeitos da Terceira Via™ são sempre terciários.
04/
Na Terceira Via™ ninguém ganha e ninguém perde. Joga-se, mas para empatar. Sempre. Não há finalidade, portanto. A Terceira Via™ inaugura a era do empate técnico. Neutro, árctico e suicida. Show off a querer ser show out. Nunca show on.
05/
Na Terceira Via™ somos todos importantes, porque valemos todos zero. Não somos aquilo que valemos. Somos aquilo que dizemos ser. Not faking it 'til making it; faking it 'til becoming it.
06/
A Terceira Via™ é a-partidária, pária e demissionária. Porém, simpatiza artisticamente com o Dogma 2005, politicamente com o Pirat Partiet, religiosamente com o Kopimismo e filosoficamente com o Re-Re-Realismo (também conhecido por Realismo Gago™).
07/
Na Terceira Via™ nunca estamos lá dentro. Estamos sempre cá fora, a sorrir e a acenar. Sabemos sempre tudo, porque temos visão periférica. Somos transparentes: observamos os dois lados, o meio e o conjunto. Ou seja, na Terceira Via™ não vemos o mundo com óculos 3D. Vemos o mundo. Não corrigimos a miopia — gostamos mais de ver ao perto. O longe está muito longe. O aqui é melhor.
08/
Na Terceira Via™ fala-se Finlandês. Numa perspectiva semântica (a única que logística e linguisticamente interessa), estamos na Europa, mas não somos Europeus. Mas também por uma questão de Realpolitik: a Terceira Via™ é finlandizada porque faz de conta que não deve nada a ninguém. Se não os podemos vencer, não os convidamos para jogar.
09/
A Terceira Via™ não é inteligente. É só esperta. Sabe o que diz e di-lo com determinação. Vai até onde a vista alcança. E por isso gosta de ser clara. E jornalística. Responde: Quem? O quê? Onde? Quando? Como? Porquê? E deixa-se ficar. A Terceira Via™ não é, portanto, interessante. Ainda que pretensiosamente complexa, não é profunda, é rasteira, superficial e rasca. Ideologicamente, a Terceira Via™ é techno, é brega e é €TRASH™. A Terceira Via™ é pimba, o que não quer dizer que a Terceira Via™ seja do povo — a Terceira Via™ é povo. 
10/
Para uma nova ordem ética, estética, política, sociológica e filosófica global, a Terceira Via™ erradica a ética do gosto, a ambiguidade, a narrativa (des)instituída, a criatividade, a originalidade, a ironia, a tretologia, todos os coming backs, "trendsectarisms" e respectivos novos pretos, a gaseificação da arte, a solidificação industrial da mesma, o conceito genérico (logo, comercial) de "performatividade", a hipsterização das práticas artísticas (ou seja, a redução da arte, e do resto, à disciplina do Design), a responsabilização do espectador, o sistema de "castas", a relação do eu com o outro, a confusão secular entre Arte e Desporto (também conhecida por "medalhização" mediática do art-leta), a arte que se parece com arte e a que se parece com coisas que não são arte e, de um modo geral, todas as práticas para-artísticas (da recepção à crítica, da produção à promoção) que se inscrevem em regimes de primeira ou de segunda via. Ou seja, a Terceira Via™ erradica o Século XX. E todos os séculos para trás. E todos os séculos para a frente. A Terceira Via™ também erradica o Presente — é quanticamente a-temporal, a-espacial, a-histórica e a-moral. Ou seja, a Terceira Via™ é a-estética, porque est(ética): o copo não está nem meio cheio nem meio vazio — é só um copo. A Terceira Via™ subscreve uma triplicidade céptica e desacreditada. Céptica e desacreditadamente.
 


    sexta-feira, 6 de julho de 2012

    LO-FI -SOPHY

    REALPOLITIK
    UMA CORPORAÇÃO PÓS-HUMANA AO SERVIÇO DO AVANÇO
    DA BIOQUÍMICA MEDICINAL, DO TRANSPORTE AEROESPACIAL,
    DO ENTRETENIMENTO META-TRÓPICO E DA ENGENHARIA MEGALOFÍSICA.







    PARTE 1 — EMBARQUE

    “Cinema is the ultimate pervert art. It doesn’t give you what you desire — it tells you how to desire.” [Slavoj Žižek]

    Bem-vindo! Obrigado por ter escolhido a Realpolitik Inc. para o seu embarque no Novo Mundo. Antes de iniciarmos o Oscilador Harmónico, pedíamos que confirmasse que não tem em seu poder quaisquer objetos do Velho Mundo; eles serão completamente inúteis à construção do regime pós-humano. Todo e qualquer objeto deverá ser colocado no desfibrilhador quântico para ser automaticamente desintegrado. Tome algum tempo para consultar o Libreto de Embarque; vai reparar que ele está recheado de informações preciosas que o ajudarão a melhor compreender as ações pós-dramáticas da nossa tripulação; assim, em caso de dúvida, saberá o que pensar. O seu código genético está escrito nas costas da cadeira para, em caso de turbulência quântica, conseguir voltar a encontrar o seu lugar. Faz parte da política de segurança da Realpolitik, Inc. que os pré-cyborgs permaneçam conectados à nossa malha quântica durante toda a viagem purgatória. No caso de uma descompressão de emergência, retire cuidadosamente os elétrodos sofismais do seu corpo. No caso de uma perturbação amniótica disruptiva, as costas da sua cadeira poderão deslocar-se para trás, transformando-se em divã. Basta pressionar o botão F, e um holograma de Sigmund Freud estará pronto para o ajudar a recomprimir. Se o seu regime psikê for lacaniano, basta pressionar o botão vermelho, ou então, simplesmente, esfregar a lamparina cósmica para libertar o Génio. Durante os blackouts, coloque as mãos sobre a zona occipital da sua cabeça para libertar a endorfina somática, de maneira a fazê-lo sonhar com espetáculos do Velho Mundo. Se sentir que duas ações pós-dramáticas se sobrepõem, uma ubiquidade de fibra ótica cairá imediatamente à frente dos seus olhos, de maneira a fazê-lo ver as duas ações ao mesmo tempo. Se reparar que o espécime humano ao seu lado não possui um mestrado em Cultura Contemporânea, faça questão de o ajudar a compreender a incoerência pós-dramática de uma ação antes de visualizar a seguinte. Em matéria de pontos de fuga às ações principais, irá notar que nos interstícios aeroespaciais que intermedeiam os lugares existem inúmeras saídas de emergência para o Real ficcionado. Olhe à sua volta: uma câmara de videovigilância pode estar mesmo atrás de si! A Realpolitik Inc. só permite drogas nootrópicas a bordo. A ingestão de toda e qualquer substância alienante produzida no Velho Mundo é estritamente proibida dentro da Arca. Queira também aceitar a nossa prorrogativa que impede todo e qualquer tipo de comportamento nostálgico e/ou saudosista em relação ao Velho Mundo, para não interferir com a nossa missão colonizadora. Agora que já está inteirado da Deontologia Realpolítika, sente-se confortavelmente, relaxe, e seja um agente passivo! Em nome da Realpolitik Inc., desejamos-lhe uma agradável transição.




    PARTE 2 — ONTOTECNOLOGIA

    Em Ciência, significa diplomacia não ideológica, política coerciva, filosofia maquiavélica, sobrevivência a-moral. Em Teatro, significa demagogia triplamente realista, ou seja, re-re-re-realismo, também conhecido por Realismo Gago: nem diz ‘sim’, nem diz ‘não’, mas também não diz ‘talvez’. Reticente... Por uma questão de sobrevivência, Realpolitik encosta-se perigosamente a dois dos conceitos mais non grati da contemporaneidade: a VERDADE como ato revolucionário (que roubámos a Orwell) e a GENERALIZAÇÃO como atividade primeira do pensamento (que roubámos a Hegel). Em modo cartoon: “The art of bowing to East without mooning to West” (que roubámos à Pátria Finlandesa).

    SÍNTESE: Realpolitik não está na realidade. É realidade. Ao mesmo tempo paralela e perpendicular à que já conhecemos. Ou seja, Realpolitik é um sistema “triangulado”, ideologicamente “acima” e “entre” a clássica posição binária. Não tem nada a ver com a construção de uma filosofia “centrista”, mas antes com uma atitude analítica que reconcilia a dualidade, sem no entanto propor um compromisso. Ou seja, Realpolitik é realidade, mas é “realidade terceira”: perversa, finlandizada, anti-social, anti-neo-liberal e anti-anti-Kapital. Contemplatio mortis apocalyptica.

    PARTE 3 — HERMENÊUTICA (BÍBLICA)

    TESE: Uma das traves mestras mais importantes da filosofia Realpolitik tem o seguinte nome: “simultaneologia”. Ou seja, a ideologia do que acontece agora, já, em tempo real, e ao mesmo tempo. Também pode significar tudo aquilo que acontece durante, entretanto e enquanto. Não confundir, porém, “simultaneologia” com “simultaneidade”. Estamos a falar de ética, não de estética. E a ética “realpolítica” diz que tudo o que não está a acontecer agora, não existe. Cum hoc ergo propter hoc.

    ANTÍTESE: Realpolitik é uma corporação. Pós-humana e imaterial. Uma nuvem. Nela se condensa tudo aquilo que já aconteceu e tudo aquilo que vai acontecer. Porque é desprovida dos erros associados ao destino biológico, a Realpolitik apresenta-se enquanto entidade cyborguiana em permanente curto-circuito lógico: revê infinitamente e friamente as milhares de hipóteses de futuros e de passados possíveis. Post hoc ergo propter hoc.







    PARTE 4 — GÉNESIS

    Um espetáculo de teatro, ou seja, um vídeo-jogo, uma série de Ficção (científica) com 7 temporadas de 32 episódios cada, um filme de Hollywood sobre o Apocalipse, uma aplicação para o iPhone sobre a política (Real) da sobre-vivência. Um serviço ao serviço dos poderosos: só se salva quem pode. Uma corporação pós-humana para a mutação da teoria das cordas em teoria dos sopros. Como se o Fim do Mundo “as we (don’t) know it” implicasse um novo Adão e uma nova Eva, em estado gasoso, em molecular, em design. DAsein. Realpolitik é também um medicamento transgenérico e psicotrópico, a tomar antes do Embarque, contra enjoos quânticos e outras confusões comuns entre Arte e desporto. Realpolitik está assim para as indústrias criativas como os nocebos estão para a farmacologia: só provoca os efeitos secundários (os óculos 27-D são oferecidos pela produção). Do Outro Lado, seremos todos Anjos. Em Português,  significa ‘erradicação da espécie’. Em código numérico: ‘2012’.



    PARTE 5 — ÊXODO

    META-TESE: O Novo Mundo para o qual transitaremos com a ajuda da Realpolitik, Inc. não é uma utopia, mas também não é uma distopia; por conseguinte, também não será uma mistura das duas: nem um status quo, nem um state of the arts, nem uma strings theory aplicada à arte. O Novo Mundo pós-Apocalipse será “protópico” — exatamente igual ao Velho, apenas com uma ligeira diferença (infinitesimal) de foco. Cum hoc ergo cum hoc.



    PARTE 6 — DESEMBARQUE

    Morreram durante a construção da Arca os seguintes espécimes pré-humanos (a quem a Realpolitik, Inc. agradece):

    Rogério Nuno Costa | encenação/texto/espaço cénico.
    Roger Madureira | assistência de encenação.
    Nilce Vicente Carvalho | no papel de Híbrido NVC-AF ’83 Ctx.
    João Ferreira Silva | no papel de Híbrido JFS-WB ’88 Co.
    Pedro Fernandes | no papel de Híbrido PF-PB ’84 Pt.
    Vanessa Teixeira | no papel de Híbrido VT-OD ’89 VRl.
    João Viegas | no papel de Grande Outro.
    Patrícia Antunes | no papel de Segunda-Feira, 1.º Observador.
    Fábio Martins | no papel de Terça-Feira, 2.º Observador.
    Guilherme Pompeu | no papel de Quarta-Feira, 3.º Observador.
    Anabela Ribeiro | no papel de Quinta-Feira, 4.º Observador.
    Paula Gaitas | no papel de Sexta-Feira, 5.º Observador.
    João Nemo | no papel de Sábado, 6.º Observador.
    Liliane Guerrano papel de Domingo, Observador Psíquico.
    Rogério Nuno Costa | no papel de Slavoj Žižek.
    Paula Gaitas | desenho e operação de luz.
    Leandro Silva | vídeo promocional.
    Roger & Roger Inc. | grafismo, art work & vídeo-jogos.
    Cátia Manso & Liliane Guerra | cabelos/make-up/vestuário).
    Anabela Ribeiro/Cátia Manso/Nilce V. Carvalho/Patrícia Antunes | prod. executiva.
    CITAC 2012produção.



    Financiou a Arca e toda a investigação megalophysica:
    Fundação Calouste Gulbenkian.


    Contribuíram logisticamente para a exterminação da raça:
    Câmara Municipal de Coimbra, Persona Non Grata, Máfia, SASUC, Casa da Cultura, TAGV, Estrutura, Grupo de Teatro da Nova, A Escola da Noite, Orfeon Académico de Coimbra, TEUC, TAUC, AAC, RUC, TVAAC.



    Honoris causas (catedráticos do empreendimento colonizador):
    Cátia Pinheiro, José Nunes, Mariana Tengner Barros, Mickael Oliveira, Nuno Miguel, André Santos, Marta Coelho, David Bernardes, Diana Coelho, Tânia Figueiras Ribeiro, Peter Shuy, Emmanuel Veloso, Pedro Penim, Gil Mac, Isabel Ramos, Helena Teixeira, Leandro Monteiro, Maria Luísa Pinto da Costa, Rui Cardoso, Marcelo Laguna.


    Mais: