quarta-feira, 14 de março de 2012

#1. RESIDÊNCIA (ARTÍSTICA)




Sobre um espaço onde se habita temporariamente. Sobre a angústia de ter que preencher esse espaço com momentos significativos. Sobre a vontade de não fazer nada. Sobre o síndrome de Bartleby aplicado à vida (não à arte). Sobre a preguiça como novo avant-garde.


“Residência (Artística)” começou numa "residência artística" (primeiro em Torres Vedras, depois em Montemor-o-Novo, durante todo o mês de Fevereiro de 2012); como nada mudou desde então, então a "residência artística" subiu à categoria de título. Só pusemos o "artístico" entre parêntesis pois sabemos que nem sempre a qualidade apocalíptica de um EPIC FAIL é tida em consideração por mentes menos bravas. Queremos muito que este espetáculo seja o pior de 2012. Queremos muito que este espetáculo seja o fim do Mundo as we know it e das nossas carreiras as we want them to be. "Residência (Artística)" é por isso um encontro insólito (porque real) entre a vontade de fazer o/um espetáculo e a vontade de não o fazer (ou de fazer “nada”), entre a gratuitidade do gesto inconsequente e a obsessão pela busca de sentidos (logo, de “consequências”), entre a nostalgia de um século XX que nos deu a pior herança artística de sempre (‘Be Yourself!’) e a vontade de já só existirmos na forma/força imaterial de inteligência cyborguiana. "Residência (Artística)" é uma apologia ‘hipsterizada’ da banalidade e representa a nossa fé inconsolável numa atitude que queremos est(eticamente) criminosa e politicamente demissionária: estamo-nos mesmo a cagar para o Mundo. E isto não é retórica, é Amor. Ou então a arte de reconhecer que o copo nem está meio cheio nem está meio vazio; é só um copo com água.


Estreia:

27 de Março de 2012, 21:30
Teatro-Cine de Torres Vedras


Simultaneamente à apresentação do espetáculo, será realizado no mesmo espaço um workshop com Rogério Nuno Costa, nos dias 22, 23, 29 e 30 de Março. Os participantes poderão, caso seja do seu interesse, integrar posteriormente o espetáculo. Mais informações e inscrições aqui.






[Atenção! Este espetáculo não tem luzes strob, mas é Kopimista. É a sua religião: ética e estética. Não aconselhado a espetadores que sofrem de epilepsia romântica.]




[espetáculo]
[workshop]




Direção de Projeto/Encenação
Rogério Nuno Costa

Intérpretes/Co-Criadores
André Santos, David Bernardes, Diana Coelho
Marta Coelho, Roger Madureira, Tânia Figueiras Ribeiro

Styling/Produção de Moda
Tiago Loureiro

Fotografia/Design
António Palma

Música Hipster
Peter Shuy

Consultoria Filosófico-Apocalíptica
Nuno Miguel

Fanzine
Roger & Roger, Inc.

Co-Produção
O Espaço do Tempo

Produção Executiva
Raquel Matos





"Residência (Artística)" é o primeiro evento inserido no 'Ano Zero' do macro-projeto "Universidade". Mais informações das atividades programadas para 2012 aqui.



domingo, 15 de janeiro de 2012

NEWSLETTER

TWENTY TWELVE
#01.




2012 instaura uma nova mudança de paradigma: o Rogério vai-a-tua-casa pertence agora ao regime antigo, que é como quem diz, só será possível visualizar via micro-chip nos locais e datas assinalados. Ao invés, 2012 será da Terceira Via™, cujo estágio inaugural de 3 anos, não remunerado, acabou agora mesmo de expirar, e com ele a era do "talvez" (cujo estágio inaugural de 2 mil anos, sobre-remunerado, deverá implodir lá para Dezembro). No entretanto, o Rogério nem-vai-nem-deixa-de-ir — fica onde está que está muito bem: pós-Dogma, pós-dualidade, pós-documentalidade, pós-processo, pós-projecto, pós-meta-qualquer-coisa, pós-questionamento. No regime novo, a política é a do real (não confundir com Real), ou seja, porque já todas as esferas se elevaram à categoria de Arte (da gastronomia à música pop), o Rogério que nem-vai-nem-deixa-de-ir só quer é ficar. A ver.


quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

[ u ]

UNIVERSIDADE
/2012.13—Ano Zero



©Cátia Cóias


I.
RESIDÊNCIA (ARTÍSTICA) [Março 2012]
Uma oficina e um espectáculo alusivos ao tema da preguiça enquanto novo avant-garde.


II.

REALPOLITIK [Junho 2012]
Um vírus apocalíptico (offline) que antecipará o fim do Mundo, ou seja, aquele momento em que a Humanidade vai aprender a agradecer.



III.

TERCEIRA VIA™ [reloaded] [Fevereiro 2013]
Uma conferência de imprensa sobre "a outra coisa" que falta.





UNIVERSIDADE é um projecto Dogma'05, finlandizado e feliz.





sábado, 14 de agosto de 2010

[ u ]

FINLANDIZAÇÃO
SUOMETTUMINEN


[possível entrada para o dicionário da UNIVERSIDADE]



Nem se diz que sim, nem se diz que não; agradece-se! Fica-se caladinho à espera de melhores dias e tenta-se passar despercebido. Um País (ou Nação) “finlandizado” [ou em processo de “finlandização”] é aquele que aceita sem discussão as directivas que lhe chegam de uma super-potência [mais ou menos vizinha, mais ou menos corrupta], sem contudo perder a sua soberania. Numa perspectiva geral, “finlandização” é coisa má: passividade cínica a querer passar por neutralidade “politicamente” correcta. Numa perspectiva finlandesa [logo, não-pejorativa], a “finlandização” prende-se com pressupostos basilares da Realpolitik: sobreviver. Para tal, o País (ou Nação) mantém-se mais neutro e gelado que um fiorde e segue feliz a triste sina de quem precisa de ter as costas quentes [...pois que na Escandinávia o frio é mesmo a sério...], parecendo no entanto não dever nada a ninguém. “Parecendo”... É que isto não tem nada a ver com diplomacia; é demagogia mesmo! Mas com distanciamento crítico; jamais brechtiano... Ou seja, um espectáculo é “finlandizado” quando aceita sem discussão as directivas que lhe chegam de cima, ou então que lhe caem em cima, ou então que estão tão (a)cima que é impossível lá chegar. Sem contudo perder a sua soberania! Um espectáculo “finlandizado” é, portanto, um espectáculo “arcticamente” infeliz [...congelado no seu próprio tempo, não aspira a futuro nenhum...], e hormonalmente desequilibrado e queixoso [...“porque é que os nossos antepassados não escolheram um sítio mais quente para se instalarem?”, the Helsinki Complaints Choir would say...]. Porque não chega a ganhar nada, também nada irá perder, e porque em arte nada se transforma, o espectáculo “finlandizado” é aquele que fica entalado num certo “meio” onde a virtude, definitivamente, não está. É por isso que é um espectáculo frustrado: nem dialéctica positiva, nem dialéctica negativa; e “não-dialéctica” é coisa que não-existeRealpolitikamente, o espectáculo “finlandizado” assina, assim, a sua própria certidão de óbito no exacto minuto em que nasce; é um nado-morto. E isto não tem nada a ver com suicídio; trata-se apenas de uma manobra de charme para chamar a atenção — show off, a querer ser show out. Nunca show on! Porque o espectáculo “finlandizado” só se vê por fora [...tire-me é esses óculos 3D da cara, por amor de Deus!...]; por dentro, a leitura será sempre enviesada... O espectáculo “finlandizado” também não é um género [...porque ‘géneros’ não fazem o nosso género...], e só existe um espectáculo “finlandizado” dentro do género: ESTE. Acto único — morre logo mal nasce. Não existem mais; não existem outros. É triste? É.

[Texto escrito para os tutoriais do documentário em vídeo do projecto Espectáculo de Teatro (2008) e reescrito para a conferência-performance Terceira Via™ | Kolmas Tie™ (2013)]