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domingo, 27 de abril de 2014

Residências Artísticas

A PREGUIÇA™
COMO NOVO AVANT-GARDE

®





Há uma elite que se autopromove através da arte que define, e vende, como mercadoria internacional. A actividade desta produção é mistificada através de todos os meios de promoção mercantil, e os seus operários — os escravos das indústrias criativas —, tornaram-se manipuláveis e marginalizados através da construção da sua identidade em torno da noção de “artista”, e tudo o que ela implica: residências, festivais, concursos, plataformas de programação e outras feiras de gado. Chamar a alguém artista é negar a outra pessoa a capacidade de visão semelhante; assim, o mito do “génio” é apenas mais um rosto da justificação ideológica da desigualdade, repressão e fome. O que o artista considera ser a sua identidade não passa de um conjunto burocrático de atitudes e preconceitos semelhantes aos que aprisionam a Humanidade ao longo da história. Devemos rejeitar os papéis construídos em torno destas identidades falsas, assim como os produtos concebidos para a sua promoção. O nosso intento é questionar o papel do artista e a sua relação com a dinâmica do poder e da economia, dentro da nossa cultura.


Toda a gente sabe o que está errado!


Sabemos também que esta preguiça falhará por várias razões, a primeira das quais porque é uma má ideia. Mas levantará várias questões pertinentes. Em termos relativos, a preguiça só pode afectar as pessoas que optam por ser afectadas por ela. A preguiça é, nesse sentido, tão impotente como qualquer outra acção artística contemporânea. Para aqueles que ignoram a arte, ela poderia muito bem já ter desaparecido. A preguiça edifica outro novo momento da História da Arte: o término lógico da trajetória que começou quando os artistas se afastaram do universo ao qual pertenciam, e conseguiram não apenas alienar a maior parte da população em relação às artes, mas também alienar as artes em relação à cultura. A preguiça como novo avant-garde pretende penetrar no último acto desta comédia auto-destrutiva. Nós não podemos viver preguiçosamente neste mundo sem falar sobre isso. Cabe-nos comentar longamente a tentativa vã de justificar a nossa posição em relação à preguiça criativa, ao ócio antónimo de negócio, mas isso equivale à tentativa de justificar a nossa contínua "criatividade". O que permanece obscuro em tudo isto consiste em não requerermos qualquer tipo de justificação; SER é para nós suficiente. A necessidade de expressão parece-nos apenas sintoma da mais terrível insegurança. Através das mais variadas expressões artísticas, apenas procurámos a relação perdida, porque toda a nossa expressão natural foi destruída (por inúmeras razões civilizacionais). É esta ânsia de conexão com o outro que impulsiona a expressão. Mas que conexão real existe entre o artista e o público, ou entre as pessoas, de forma a justificar a arte, quando o alheamento entre o artista, o público e a sua cultura se tornou tão completo? Todos nós queremos ser amados. Mas consideramos a arte coisa inútil para esse fim. Exigimos pois que a “preguiça d’arte” se torne unânime e permanente.


Texto-manifesto escrito por Nuno Miguel para o programa do espectáculo "Residência (Artística)", em Março de 2012, e assinado pelos seus criadores: Rogério Nuno Costa, André Santos, David Bernardes, Diana Coelho, Marta Coelho, Roger Madureira e Tânia Figueiras Ribeiro.




quarta-feira, 14 de março de 2012

#1. RESIDÊNCIA (ARTÍSTICA)




Sobre um espaço onde se habita temporariamente. Sobre a angústia de ter que preencher esse espaço com momentos significativos. Sobre a vontade de não fazer nada. Sobre o síndrome de Bartleby aplicado à vida (não à arte). Sobre a preguiça como novo avant-garde.


“Residência (Artística)” começou numa "residência artística" (primeiro em Torres Vedras, depois em Montemor-o-Novo, durante todo o mês de Fevereiro de 2012); como nada mudou desde então, então a "residência artística" subiu à categoria de título. Só pusemos o "artístico" entre parêntesis pois sabemos que nem sempre a qualidade apocalíptica de um EPIC FAIL é tida em consideração por mentes menos bravas. Queremos muito que este espetáculo seja o pior de 2012. Queremos muito que este espetáculo seja o fim do Mundo as we know it e das nossas carreiras as we want them to be. "Residência (Artística)" é por isso um encontro insólito (porque real) entre a vontade de fazer o/um espetáculo e a vontade de não o fazer (ou de fazer “nada”), entre a gratuitidade do gesto inconsequente e a obsessão pela busca de sentidos (logo, de “consequências”), entre a nostalgia de um século XX que nos deu a pior herança artística de sempre (‘Be Yourself!’) e a vontade de já só existirmos na forma/força imaterial de inteligência cyborguiana. "Residência (Artística)" é uma apologia ‘hipsterizada’ da banalidade e representa a nossa fé inconsolável numa atitude que queremos est(eticamente) criminosa e politicamente demissionária: estamo-nos mesmo a cagar para o Mundo. E isto não é retórica, é Amor. Ou então a arte de reconhecer que o copo nem está meio cheio nem está meio vazio; é só um copo com água.


Estreia:

27 de Março de 2012, 21:30
Teatro-Cine de Torres Vedras


Simultaneamente à apresentação do espetáculo, será realizado no mesmo espaço um workshop com Rogério Nuno Costa, nos dias 22, 23, 29 e 30 de Março. Os participantes poderão, caso seja do seu interesse, integrar posteriormente o espetáculo. Mais informações e inscrições aqui.






[Atenção! Este espetáculo não tem luzes strob, mas é Kopimista. É a sua religião: ética e estética. Não aconselhado a espetadores que sofrem de epilepsia romântica.]




[espetáculo]
[workshop]




Direção de Projeto/Encenação
Rogério Nuno Costa

Intérpretes/Co-Criadores
André Santos, David Bernardes, Diana Coelho
Marta Coelho, Roger Madureira, Tânia Figueiras Ribeiro

Styling/Produção de Moda
Tiago Loureiro

Fotografia/Design
António Palma

Música Hipster
Peter Shuy

Consultoria Filosófico-Apocalíptica
Nuno Miguel

Fanzine
Roger & Roger, Inc.

Co-Produção
O Espaço do Tempo

Produção Executiva
Raquel Matos





"Residência (Artística)" é o primeiro evento inserido no 'Ano Zero' do macro-projeto "Universidade". Mais informações das atividades programadas para 2012 aqui.



terça-feira, 10 de janeiro de 2012

[ u ]

UNIVERSIDADE
/2012.13—Ano Zero



©Cátia Cóias


I.
RESIDÊNCIA (ARTÍSTICA) [Março 2012]
Uma oficina e um espectáculo alusivos ao tema da preguiça enquanto novo avant-garde.


II.

REALPOLITIK [Junho 2012]
Um vírus apocalíptico (offline) que antecipará o fim do Mundo, ou seja, aquele momento em que a Humanidade vai aprender a agradecer.



III.

TERCEIRA VIA™ [reloaded] [Fevereiro 2013]
Uma conferência de imprensa sobre "a outra coisa" que falta.





UNIVERSIDADE é um projecto Dogma'05, finlandizado e feliz.